Brasil

Esperança? Verde é a cor do despespero

Lívido e assustado, Valdivia deixa o campo após nova derrota. Rejeita a âncora deixada por um jornalista – vocês perderam mas os outros perderam também e a diferença é a mesma, sete ou oito pontos – e, realisticamente mostra toda angústia dentro da situação. “Não interessa, continua sete ou oito pontos. ” Em seguida, gagueja, quase a ponto de chorar e fala em trabalho. Tem de trabalhar.

Maurício Ramos, que é extremamente religioso e um dos que traz a fé na ponta da chuteira, busca um discurso apocalíptico e fora da realidade. “So depende de nós, ainda só depende de nós, a torcida tem de nos apoiar, só depende de nós”. Como assim? Além de fazer muitos pontos, o Palmeiras precisa torcer para que os outros percam. Não depende só do Palmeiras, essa é a verdade.

Para escapar, se esse campeonato mantiver o estilo dos anos anteriores, o Palmeiras precisa consequir no mínio 23 pontos. 23 pontos em 13 jogos pode parecer difícil para muitos times, mas quando se consegiu apenas 20 pontos em 25 jogos, parece impossível.

O time precisa de um aproveitamento de 60% e até agora, teve apenas 27%. Precisa duas vezes mais efetivo do que foi até agora. E com todo o desespero batendo à porta. Em uma situação dessas é comum ter jogador expulso com 25 minutos de partida e isso, mesmo que o árbitro tenha errado, não pode acontecer. Só atrapalha. Só diminui as chances.

A Portuguesa é outro paulisa que começa a entrar na faixa ruim da tabela. Começou o turno com seis pontos de vantagem sobre o 17 º colocado e agora está a cinco pontos. Uma queda pequena, mas a sorte está ao seu lado. Perdeu para o Fluminense e o Sport, que vencia o Bahia, sofreu um gol no último minuto. Perdeu para o São Paulo e o Sport, que vencia o Inter por 2 a 0, cedeu o empate. A sorte pode acabar a qualquer momento. Na próxima rodada, por exemplo, pega o Santos no Pacaembu e o Sport recebe o Coritiba.

Com o Bahia em ascensão, parece que a última vaga – se o Palmeiras não operar o milagre – será disputada entre Portuguesa, Coritiba, Sport e Flamengo.

O São Paulo diminuiu sua distância do G-4 – ele, Vasco, Botafogo e Inter disputarão a última vaga – mas não dá mostras de ser um time em que a torcida possa confiar cegamente. A melhor aposta ainda é tentar vencer a Sul-Americana.

E o Grêmio, de Luxemburgo, mostrará nas próximas rodadas se tem gás para disputar o título com Fluminense e Atlético-MG, que vacilaram feio na sexta rodada.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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