Especial: Use, mas com moderação

É cada vez mais raro uma transmissão de futebol na TV sem a utilização de algumas estatísticas, os “números do jogo”. Do mesmo modo, poucas comissões técnicas nos times grandes deixam de usar seus levantamentos para descobrir virtudes ou falhas nas suas equipes – e nos adversários. No entanto, o aspecto humano da avaliação ainda é o mais importante, seja pela limitação dos números, seja pela facilidade de uso no dia a dia.
Para Dorival Júnior, técnico do Internacional, os números são importantes para alguns aspectos do jogo, mas não substituem a observação como método de análise. “Eu avalio as partidas com meus olhos, e depois complemento com as estatísticas, para ver se algo passou despercebido”, afirma, ciente de que os números muitas vezes podem passar uma impressão equivocada dos fatos se vistos com desatenção.
Quem pensa um pouco diferente é Caio Junior, agora técnico do Grêmio e comandante do Botafogo em 2011 “Uso estatísticas sempre, a todo momento, para me auxiliar a tomar decisões”, diz Caio, que geralmente possui em suas comissões técnicas uma pessoa designada para a função de produzir relatórios dos jogos e busca aplicar esses dados dentro do dia a dia do seu trabalho.
Outro adepto das estatísticas é Vinícius Eutrópio, técnico com rápida passagem pelo Fluminense e que comandou o Estoril Praia, da segunda divisão portuguesa, na última temporada. Ele explica como é o seu método. “Utilizamos os números de duas maneiras: a qualitativa, com os números exatos dos acontecimentos do jogo, e a quantitativa, que nos permite observar o percentual de movimentações por função. Fazemos isso com base nos vídeos da partida e em um software específico que nos ajuda bastante”.
Outros profissionais, no entanto, reconhecem a importância das estatísticas, mas admitem que não a utilizam no dia a dia como gostariam. É o caso, por exemplo, de Marcelo Teixeira, gerente de futebol do Fluminense, que prefere focar sua avaliação em outros aspectos, como a habilidade, a técnica, os atributos físicos e o desenvolvimento do jogador ao longo dos anos, visão essa que certamente é influenciada de sua ligação com as categorias de base, pois ele trabalhou no CT de Xerém entre 2002 e 2007.
Quem também admite não utilizar os números quanto gostaria é Cristóvão Borges, técnico do Vasco durante todo o segundo turno do Campeonato Brasileiro. Para ele, o calendário de jogos no país atrapalha bastante na aplicação desses dados. “Quando jogamos duas vezes por semana, o que foi o caso do Vasco durante quase todo o semestre, mal conseguimos treinar. No Vasco, há uma pessoa responsável por nos fornecer as estatísticas, mas, sem tempo, não temos como corrigir alguns problemas detectados”, analisou.



