Especial: Muito prazer, sou o gestor de futebol

Cada clube dá um nome para esse profissional. Pode ser diretor de futebol, ou diretor executivo, ou gerente de futebol. O importante é que, independentemente de como a função é definida no cartão de visitas, há um novo personagem no futebol brasileiro: os gestores. Sua importância nos clubes ficou escancarada no começo do mês, quando a saída de Rodrigo Caetano, um dos mais importantes na funções, do Vasco ganhou gande destaque entre a mídia e torcedores.
Esses profissionais já se organizaram em uma associação e ganham espaço, mas o perfil da função não é algo único, imutável. Varia de acordo com a personalidade e a qualificação do profissional e as demandas do clube. Cada um com sua metodologia de trabalho diferente, mas sempre com a obrigação de organizar as atividades do time de maneira criteriosa, e não mais na base do empirismo, como na época em que o comando do departamento ficava com o vice-presidente de futebol ou o presidente do clube, dois cargos políticos.
Rodrigo Caetano, ex-Vasco, é conhecido por ser centralizador. Marcelo Teixeira, do Fluminense, fez o perfil estudioso. O palmeirense César Sampaio entra como pessoa de confiança que seja capaz de aparar arestas dentro do clube. “Creio que esses perfis não se excluem. O importante é ter bem definidas as atribuições de cada um no dia a dia”, afirmou Caetano no Footecon 2011, quando ainda era diretor executivo de futebol do Vasco. “No meu caso, acabei assumindo mais a função de executivo porque era uma necessidade do clube, alguém para cuidar de questões como o planejamento para a temporada, o orçamento e a montagem do elenco”, completou.
As funções variam de acordo com o perfil da pessoa indicada pelo cargo. Para Marcelo Teixeira, gerente de futebol do Fluminense, o gestor é “fundamental para organizar sistemas, scout, gestão de pessoas dentro do clube, integração com as divisões de base e, em um mundo globalizado, ter conhecimento em outros idiomas para poder representar o clube internacionalmente”. A citação da organização do scout não foi por acaso, pois Teixeira foi olheiro do Manchester United durante três anos e possui uma das bases de dados mais completas sobre jogadores brasileiros e sul-americanos existente, avaliando diversos aspectos físicos e técnicos de cada jogador.
Para Felipe Ximenes, no Coritiba desde 2009, o gestor precisa pensar no clube como um todo. “É importante ter as atribuições definidas e pensar tudo no clube para a temporada. No Coritiba, quando montamos o elenco, pensamos na idade do jogador, no que ele já viveu na carreira, nas chances que já teve, além do potencial e das outras ofertas do mercado”, afirma Ximenes, que defende a completa união entre as divisões de base e os profissionais das equipes. “O clube é um só. Não há como fazer essa separação entre base e profissional”, completou o dirigente, que admitiu que gosta de trabalhar mais nos bastidores.
Os três fazem parte da recém-criada Abef (Associação Brasileira de Executivos de Futebol). O objetivo da entidade, fundada em novembro após a realização de três reuniões – uma no Rio de Janeiro, outra em São Paulo e a terceira em Atibaia – é auxiliar na qualificação dos profissionais que trabalham no esporte e na consolidação da profissão no país. O presidente da associação, eleito para um mandato de três anos é Ocimar Bolicenho, que trabalhou em clubes como Santos e Atlético Paranaense, com Rodrigo Caetano como vice.
“Essa iniciativa é um passo importante para darmos nossa contribuição para a profissionalização do futebol no Brasil. Achamos que quanto mais dirigentes, clubes e atletas se organizarem, melhor para o fortalecimento do esporte também fora das quatro linhas. A figura do Executivo é cada vez mais presente nos clubes e a criação da Abef vai ajudar na qualificação desses profissionais”, afirmou Rodrigo Caetano, no momento em que a associação foi criada.



