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ESPECIAL ESTADUAIS: Quero (voltar a ser) grande

Em um passado distante – ou não muito, em alguns casos – eles já foram grandes. Conquistavam títulos, apareciam com destaque no cenário estadual e incomodavam também nos campeonatos nacionais. No presente, passam por dificuldades financeiras que se refletem dentro de campo e sofrem para se reerguer. Vivem em função da tradição construída com as vitórias e sonham com dias melhores. Além dos clubes de massa e de forças emergentes, os Estaduais também apresentam clubes assim.

Normalmente, são equipes que não contam com a maioria da torcida de suas cidades e em algum momento perderam as condições financeiras, ou por não ter tido a capacidade de se adaptar ao futebol-negócio, ou por ter perdido o mecenas que bancava o time. Casos como o América, campeão pernambucano em 1944 e último time a quebrar o domínio dos três grandes do Recife, ou do Paraná, que foi da primeira divisão do Campeonato Brasileiro à Segundona do Paranaense em quatro anos.

A Trivela preparou uma lista com dez dessas equipes. Confira:

América-PE
Quarto maior vencedor da história do Pernambucano com seis títulos e último a quebrar a sequência do trio de grandes do estado, o América se encaminha para completar 68 anos sem conquistas, mas parece começar a ver uma luz no fim do túnel. Em 2011, após ter dificuldades para permanecer na primeira divisão, o clube fechou uma parceria com o português Sporting e com a prefeitura do município de Abreu e Lima, a 16 km do Recife. Os acordos garantem centro de treinamento e estádio para o time, que também foi “adotado” pela modelo Larissa Riquelme, presente no lançamento do uniforme para 2012. De nada adianta se o time toma de 4 a 0 em casa para o Serra Talhada na estreia.

América-RJ
Sete vezes campeão carioca, o Ameriquinha já vem em decadência há algum tempo. A última grande aparição nacional foi no Brasileiro de 1986, quando chegou à semifinal. O mais recente momento de destaque foi o vice-campeonato da Taça Guanabara em 2006, com uma derrota para o Botafogo na final. De lá para cá, só tristezas: o primeiro rebaixamento no Campeonato Carioca veio em 2008, mas o clube, com a ajuda de Romário, se reergueu e conseguiu voltar. Foi só o Baixinho sair, no entanto, para que a coisa desandasse de novo e uma nova queda acontecesse em 2011, com direito a derrotas humilhantes, como os 9 a 0 diante do Vasco.

Bangu-RJ
Vice-campeão brasileiro em 1985, o Bangu entrou em decadência a partir do momento em que o bicheiro Castor de Andrade, principal “patrocinador” do clube, ficou impossibilitado de ajudar em função dos problemas com a justiça. Ainda assim, a equipe se manteve na primeira divisão carioca até 2004, ano de seu centenário, quando foi rebaixada. De volta à elite estadual em 2009, tem conseguido se manter com a ajuda de algumas empresas, mas está longe de ameaçar os quatro grandes da capital como fez em décadas anteriores.

Ferroviário-CE
Terceira força do Ceará, o Ferroviário fazia frente a Ceará e Fortaleza com frequência até meados da década de 90, mas perdeu espaço nos últimos anos e já não consegue incomodar tanto assim. A prova disso é que o último de seus nove títulos estaduais aconteceu em 1995, e o último vice-campeonato, em 2003. O crescimento de equipes do interior, como Horizonte e Icasa, também contribuiu para que o Ferrim deixasse de frequentar as finais do Campeonato Cearense.

Goiânia- GO
Terceiro maior vencedor da história do Campeonato Goiano com 14 títulos, o Goiânia vive um dos piores – ou talvez o pior – momentos de sua história. O clube, que não é campeão desde 1974, foi rebaixado para a segunda divisão em 2007 e desde então tenta voltar à elite sem sucesso. Os últimos brilharecos do time foram as vitórias sobre o Fluminense na Série C de 1999 e sobre o América-MG na Copa do Brasil de 2001, esta última eliminando os rivais da competição.

Internacional-SP
Campeã paulista em 1986, a Inter de Limeira viveu naquela década o apogeu de sua história, chegando a disputar a Série A do Campeonato Brasileiro no final dos anos 80. As coisas já não andaram tão bem na década de 90, mas nos anos 2000 pioraram de vez. O último brilho foi o título da Série A2 do Paulista em 2004, mas a queda no ano seguinte praticamente selou o apequenamento do clube, que passa por imensas dificuldades financeiras e no momento está na Série A3 estadual, junto do Independente, seu tradicional rival limeirense.

Moto Club-MA
Assim como o roqueiro Lobão, o Moto Club experimentou a velocidade terrível da queda. Campeão em 2008, caiu para a segunda divisão em 2009 e subiu no mesmo ano graças a uma manobra da Federação Maranhense, que permitiu que isso acontecesse, e ao escandaloso 11 a 0 aplicado pelo Viana no Chapadinha, que virou assunto nacional na época. Depois disso, chegou a anunciar a suspensão das atividades profissionais por tempo indeterminado em 2010, mas voltou a funcionar. Em 2011, conseguiu um modesto sexto lugar no Campeonato Maranhense, e tudo indica que 2012 não será um ano muito melhor.

Paraná -PR
Fundado em 1989, o Paraná conquistou seis títulos estaduais logo em sua primeira década de fundação e deu a forte impressão de que chegaria para disputar a hegemonia local com Coritiba e Atlético Paranaense. Os resultados, no entanto, minguaram nos anos 2000, com apenas uma conquista em 2006, ano em que o clube foi para a Libertadores. O rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2007 e a queda para a Segundona paranaense no ano passado trouxeram outra realidade ao clube, que busca a recuperação.

Tuna Luso-PA
Terceira força da capital paraense com dez títulos, a Tuna Luso não sabe o que é levantar a taça do Campeonato Estadual desde 1988. Depois disso, viram a dupla Remo e Paysandu dominar os 22 anos seguintes até o Independente, de Tucuruí, quebrar essa hegemonia em 2011. Nesse período, os tunantes chegaram a quase fechar as portas de vez, mas se reergueram a partir da segunda metade dos anos 2000 e atualmente conseguem fazer campeonatos dignos em nível estadual.

Ypiranga-BA
Terceiro maior vencedor da história do Campeonato Baiano, o Ypiranga chegou a se afastar do futebol profissional por muitos anos, mas retomou as atividades e atualmente disputa a segunda divisão estadual. Em 2011, a equipe fez boa campanha e quase subiu, mas acabou eliminada pelo Itabuna nas semifinais. O projeto de ressurgimento do clube continua de pé e é comandado pelo presidente Emerson Ferreti, ex-goleiro de Grêmio, Flamengo, Bahia e Vitória, que abraçou a causa e foi eleito para o cargo no fim do ano passado após um período como vice.

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Equipe Trivela

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