Brasil

Era hora?

O Botafogo chegou em situação dificílima para as duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, em 2009. Teria de vencer São Paulo e Palmeiras, em sequência, para permanecer na Série A. Retrospecto difícil, pelo que se via da equipe. E, no entanto, os comandados de Estevam Soares mostraram um estilo de jogo bastante voluntarioso – e até com alguma habilidade, nos casos de Renato e Jóbson.

Bastou para que a equipe conseguisse uma admirável virada, por 3 a 2, sobre o São Paulo. Também foi suficiente para que a equipe vencesse o Palmeiras, por 2 a 1, garantindo assim a permanência na Série A. E a imagem de raça deixada pela equipe de General Severiano nas últimas partidas foi fundamental, certamente, para que Estevam Soares ganhasse, como prêmio, a confiança da diretoria botafoguense – e a permanência para 2010.

Estevam iniciou o trabalho. Recebeu de presente contratações úteis para o ataque, como Herrera e, principalmente, Loco Abreu. E, bem ou mal, a equipe iniciou o Campeonato Carioca vencendo Macaé e Friburguense. Porém, veio o último domingo. Como se sabe, a equipe foi impiedosamente goleada pelo Vasco – 6 a 0, em pleno Engenhão. E todo o trabalho que Estevam Soares estava começando a fazer foi abruptamente encerrado, com sua demissão.

Evidentemente, não se fala aqui que o paulista de Cafelândia foi totalmente injustiçado em sua demissão. O técnico cometia alguns erros bastante apontados pela torcida, como manter Eduardo na equipe, e no meio-campo, deixando no banco o elogiado Renato. Além disso, mesmo que tenha bons trabalhos (foi muito bem no Palmeiras, em 2004, quando levou a equipe à Copa Libertadores, com o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro), nunca foi um treinador visto como “de ponta”.

Todavia, o desespero que tomou conta do alvinegro carioca não é lá muito razoável, para um início de temporada. Bem ou mal, Estevam Soares já havia iniciado um trabalho, e este foi abruptamente interrompido com a demissão. E isto, logo após receber um voto de confiança da diretoria alvinegra. Evidentemente, uma goleada por 6 a 0 é algo sério. E muito sério. Mas é hora de parar e refletir: será que a hora para a demissão era esta?

Aliás, retomando um pouco a discussão travada pela coluna na semana passada: talvez Estaduais já não valham mais atitudes impensadas como a tomada pela diretoria do Botafogo. Uma demissão pode levar um clube grande a ter de reiniciar todo um trabalho. E pode ser tarde demais, ao final do Estadual. Ou até da Copa do Brasil, olhada com carinho pelo Botafogo.

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Equipe Trivela

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