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Entre a queda e a salvação: Rivais de Floripa viveram angústia dupla no final do Brasileirão

Em dezembro, as cores do Avaí ganharam as ruas de Florianópolis. O clube espalhou publicidade em outdoors por vários cantos da cidade, em misto de orgulho e provocação. Os alviazuis exaltavam o acesso à Série A, mas também esquentavam a rivalidade com o Figueirense, afirmando que “a Grande Florianópolis estaria representada na primeira divisão do Campeonato Brasileiro”. A afirmação remete à história do clássico e à geografia da cidade, que opõe o continente (Orlando Scarpelli) e a ilha (Ressacada) – embora o Figueira também tenha sido fundado na ilha. Cutucada para apimentar o clássico mais tradicional do futebol catarinense.

A alegria de meses atrás, porém, poderia ser levado a pó neste domingo. Avaí e Figueirense estavam entre os cinco times ameaçados pelo rebaixamento no Brasileirão. Apenas dois se salvariam. E nenhum dos catarinenses poderia conseguir o feito. Os torcedores precisavam se desdobrar entre a ansiedade com o seu time e a expectativa sobre o revés dos outros adversários, incluindo os rivais. Fez com que Florianópolis vivesse um dos capítulos mais dramáticos de seu grande clássico.

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O Avaí começou a rodada em melhores condições. Respirava fora da zona de rebaixamento, embora não tivesse tantas garantias. Aparecia somente um ponto à frente do Figueirense. E com um desafio bem mais difícil, visitando o campeão Corinthians, que, independente da conquista sacramentada, escalou a maioria de seus titulares. O Figueira, por sua vez, tinha a seu favor o calor de sua torcida no Orlando Scarpelli. Bem como o fato de encarar o Fluminense, de campanha mediana e sem mais pretensões na tabela.

Os dois clubes conviveram com a angústia durante o primeiro tempo. Nada de gols nos quatro jogos que envolviam os ameaçados. Até que, no início da segunda etapa, o Figueirense sentiu o gosto do alívio. O tento de Marcão salvava momentaneamente o clube, abrindo o placar contra o Fluminense e jogando justamente o Avaí para o limbo. Contudo, a celebração não durou mais do que oito minutos. Em São Paulo, o Leão conseguia o inesperado. Claudinei apareceu na área para abrir o placar contra o Corinthians. Mais do que salvar a própria pele, ainda recolocava o Furacão na zona da degola.

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Naquele momento, todavia, a chance de ambos se escaparem da queda era possível. Se o Vasco batesse o Coritiba e o Figueira abrisse três de vantagem sobre o Flu, o futebol de Florianópolis seguiria forte na Serie A para 2016. Só não era isso que os antagonistas queriam, torcendo para a própria sorte e contra a dos arquirrivais. O que aconteceu, e ficou evidente aos 33 do segundo tempo na Arena Corinthians. Vágner Love fez o gol de empate contra o Avaí, que rebaixava os alviazuis. Que também salvava o Figueirense. Não à toa, o tento irrompeu uma enorme comemoração entre os alvinegros nas arquibancadas do Scarpelli.

O desespero se estendeu por mais algum tempo. Terminou em frustração do Avaí, em regozijo do Figueirense. Como já havia acontecido em 2011, na única vez até então que os rivais haviam coincidido na Série A desde a década de 1970, o Furacão viu o Leão terminar rebaixado. Naquela oportunidade, no entanto, sem a mesma carga de drama e a disputa na última rodada. Serve como mais um capítulo para enriquecer a história do clássico. Para alimentar as provocações e paixões que constroem verdadeiramente uma rivalidade.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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