No pós-Copa, Mano igualou Dunga e superou Parreira
A demissão de Mano Menezes não deixou de surpreender. A ideia de promover uma renovação à frente da seleção brasileira durou apenas dois anos e meio. Entretanto, apesar do fracasso na Copa América e nas Olimpíadas, o desempenho do treinador não fica aquém de seus antecessores no cargo. Condutores dos projetos após as Copas de 1998 e 2006, Vanderlei Luxemburgo e Dunga têm aproveitamentos próximos ao de Mano – e Carlos Alberto Parreira, que assumiu após o título de 2002, é inferior ao trio.
A derrota para a Argentina em La Bombonera foi a sétima em um total de 41 jogos com a seleção, considerando apenas partidas com a equipe principal ou oficiais com o time olímpico. O treinador conquistou 71,5% dos pontos disputados no período e ainda teve boas médias tanto no ataque quanto na defesa. Foram 2,12 gols marcados por jogo (inferior apenas a Luxemburgo) e 0,75 sofridos (menor que Dunga).
No entanto, boa parte das vitórias aconteceu contra seleções ranqueadas em posições inferiores no Ranking da Fifa. Segundo o site Futdados, a colocação média dos países derrotados pelo Brasil de Mano é de 39,3, enquanto a dos vencedores é de 9,85 – o México, que bateu os brasileiros duas vezes, é o único da lista que nunca venceu uma Copa do Mundo.
Ao longo dos mesmos dois anos e meio, Dunga foi apenas 1% superior a Mano Menezes. Porém, o antecessor sofreu duas derrotas a menos e ainda incluiu a conquista da Copa América no currículo. Já Parreira teve menos tropeços, embora o excesso de empates tenha feito o aproveitamento despencar para 59,2%.
A sorte de Mano Menezes pode ser comparada com a de Vanderlei Luxemburgo, o último a assumir o Brasil antes de uma Copa e não durar até o Mundial seguinte. Demitido após as Olimpíadas, Luxemburgo teve aproveitamento parecido, de 71,1%. Porém, nem a altíssima média de 2,64 gols marcados por partida ou o título na Copa América evitaram a degola. Por fim, a fraca campanha nas Eliminatórias proporcionou um prazo de validade tão pequeno quanto o de Mano.
Confira o desempenho dos técnicos da seleção nos dois anos seguintes à Copa:
1998-2000
Vanderlei Luxemburgo: 45 J 29V 9E 7D 119GP 44GC
71,1% de aproveitamento, 2,64 gols marcados por jogo, 0,97 gols sofridos por jogo
2002-2004
Carlos Alberto Parreira: 36J 17V 13E 6D 62GP 30GC
59,2% de aproveitamento, 1,72 gols marcados por jogo, 0,83 gols sofridos por jogo
2008-2010
Dunga: 40J 26V 9E 5D 81GP 27GC
72,5% de aproveitamento, 2,02 gols marcados por jogo, 0,67 gols sofridos por jogo
2010-2012
Mano Menezes: 41J 27V 7E 7D 87GP 31GC
71,5% de aproveitamento, 2,12 gols marcados por jogo, 0,75 gols sofridos por jogo



