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Em meio à reconstrução, Reinaldo surge como uma surpreendente liderança na Chape

Em um momento delicado de reconstrução como o atual, no qual precisou montar seu elenco praticamente do zero, a Chapecoense não busca apenas bons jogadores. O clube depende de atletas com personalidade, que chamem a responsabilidade e assumam a liderança em um momento tão difícil. E, nestes primeiros meses de nova caminhada, o lateral Reinaldo surge como um dos protagonistas. Bastante criticado em sua passagem pelo São Paulo, na qual realmente não se saiu bem, o defensor de 27 anos recuperou seu moral na Ponte Preta. Já na Chape, vai além, brilhando em campo e carregando o peso de liderar o time em diversas partidas. Nesta terça, contra o Nacional de Montevidéu, o camisa 6 se destacou de novo. Pena que o Verdão não passou do empate por 1 a 1 na Arena Condá, mesmo jogando melhor durante a maior parte do tempo.

Até o momento, Reinaldo vem sendo o principal nome da Chapecoense nas campanhas internacionais. Marcou o primeiro gol do time na Libertadores, em cobrança de falta diante do Zulia, e voltou a demonstrar sua eficiência nas bolas paradas no primeiro duelo da Recopa, abrindo a vitória sobre o Atlético Nacional com um pênalti convertido. No mesmo jogo, ainda deu a assistência ao segundo tento e apareceu decisivamente mais uma vez no final de semana, em outra penalidade que ajudou na conquista do segundo turno do Campeonato Catarinense, sobre o Joinville. No entanto, sua importância não se resume aos gols. O apoio constante pelo lado esquerdo tem sido uma das principais válvulas de escape no time de Vágner Mancini. Por mais que siga com algumas deficiências na defesa, o camisa 6 compensa com seu vigor e com sua intensidade. Diante do Nacional, outra vez balançou barbantes, mas fez mais para ser eleito o melhor em campo.

Quando a bola rolou, os uruguaios deram seu aviso logo aos três minutos, em bomba de fora da área de Rodrigo Aguirre que explodiu no travessão. Entretanto, a Chapecoense tomaria o controle do jogo, atacando especialmente pelo lado esquerdo, com Rossi e Arthur caindo por ali. Aos nove, Arthur sofreu pênalti e Reinaldo apareceu pela primeira vez, convertendo a cobrança. O Nacional era mais objetivo quando pegava a bola e entrava duro em todas as jogadas, mas a partida começou a ficar na mão dos catarinenses. O time de Vágner Mancini antecipava sua marcação e pressionava no campo de ataque, com mais posse de bola. Só não conseguia demonstrar tanta eficiência na conclusão dos lances, o que acabaria custando caro. No melhor deles, aos 22, Wellington Paulista até conseguiu mandar para dentro, mas o árbitro assinalou falta do centroavante.

Aos 40 minutos, o Nacional arrancou o empate. Kevin Ramírez avançou à linha de fundo e cruzou para Hugo Silveira concluir. A bola passou por entre as pernas de Nathan e de Artur Moraes, antes de estufar as redes. Na tentativa imediata de reação, Reinaldo parou no goleiro Esteban Conde, autor de boas defesas na primeira etapa. Já no segundo tempo, a Chape voltou partindo para cima, mas cometendo muitos erros. Se o novo elenco consegue demonstrar a coragem do eterno time que brilhou na Copa Sul-Americana, outra virtude daqueles tempos que falta é a tranquilidade. E sem esse senso de segurança, a vontade muitas vezes não basta.

Tentando pressionar, a Chape caía no jogo do Nacional e não conseguia se aproximar do gol. Wellington Paulista voltou a assustar aos 19, mas sua substituição para a entrada de Túlio de Melo acabou melhorando o time. Mais participativo, o centroavante ia incomodando no jogo aéreo. Conde evitou um gol contra em jogada na qual o substituto pressionava a marcação e, em um lance confuso com o goleiro, acertou a trave de maneira inacreditável, em bola que cruzou a linha antes de ser afastada. Não era a noite da Chapecoense.

Ao final, Artur Moraes evitou a virada em um contra-ataque do Nacional e Luiz Antônio não marcou o segundo por centímetros. Todavia, prevaleceu a proposta do Nacional, gastando o tempo e provocando. Houve até mesmo um princípio de confusão entre os jogadores, que não ajudou em nada a Chapecoense. Reinaldo, que já vinha bem, voltou a chamar a responsabilidade nos instantes derradeiros, criando boa parte dos lances de perigo – especialmente nos laterais longos, nas bolas paradas e nos cruzamentos, entortando a marcação. O Verdão, de qualquer maneira, não conseguiu o tento necessário.

O empate está longe de ser bom para a Chapecoense na Libertadores. O time tropeça pela segunda vez em casa e já vê o Lanús se desgarrar no topo da tabela, após a goleada impecável por 5 a 0 sobre o Zulia, em La Fortaleza. Os catarinenses precisarão fazer o serviço fora se quiserem recuperar seu lugar na zona de classificação, ultrapassados pelos uruguaios no saldo de gols. Será necessário ter mais sangue frio para lidar com as situações de jogo. Outras lideranças neste sentido também precisam surgir.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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