Em busca de reconstrução

Perder a Libertadores é difícil para qualquer time, mas quando se trata do Corinthians, a dose de drama é maior e a crise que fica também é muito maior do que em outros clubes. A pressão por vencer a competição é enorme e a queda precoce em 2011, ainda na primeira fase, antes da fase de grupos, tornou a situação péssima.
A vitória sobre o Palmeiras, no domingo, não mudou muito esse quadro. Mas se perdesse, a situação ficaria ainda pior. Vencer o rival, que vinha bem no Campeonato Paulista, deu ao menos mais uma semana para Tite trabalhar e os jogadores se recuperarem do baque que, sim, eles também sofrem.
A apresentação de Liédson, excelente atacante e que já foi ídolo do clube, é um alento. É um jogador que chega para jogar imediatamente, em forma e que tem qualidade para melhorar muito o ataque corintiano, carente de um jogador que possa substituir Ronaldo. O brasileiro naturalizado português pode não apenas ser o substituto de Ronaldo como atuar ao lado do Fenômeno, já que é rápido, tem mobilidade e pode abrir espaços para armar jogadas para o camisa 9 do Corinthians.
Ronaldo é um capítulo à parte. O fato de ele ter começado o ano fora de forma não é justificativa para a eliminação do alvinegro paulista, já que ele nunca chegou a estar realmente bem, em forma, desde que chegou ao Corinthians. A diferença é que em 2009 ele conseguiu mostrar a qualidade que o tornou melhor do mundo no passado em lampejos. Depois da conquista da Copa do Brasil, esses momentos rarearam e tornaram-se quase inexistentes.
No final de 2010, Ronaldo recebeu uma carga enorme de esperança da torcida, com os veículos de imprensa a destacar isso, que ele poderia ser o nome decisivo para a conquista do título. Ronaldo jogou os últimos jogos do Corinthians no Campeonato, antes de sofrer nova lesão que o impediu de terminar o Brasileiro jogando. Não adiantou e o Corinthians acabou em terceiro colocado.
Ronaldo não deve parar de jogar, como se cogitou e parte pequena da torcida pediu. Se fosse parar, esse seria o pior momento, porque realmente daria munição e razão aos torcedores (?) que foram fazer quebra-quebra no CT do Parque Ecológico. Resta a Ronaldo se preparar para terminar a carreira da melhor forma, ajudando o Corinthians a brigar pelos dois títulos que disputa – Paulista e Brasileiro. E vindo do banco, se assim for necessário.
Outro problema que Tite tem que resolver para reconstruir o Corinthians é Bruno César. Tirá-lo do time foi um erro, ainda que a avaliação é que ele não exerça a função que o técnico quer. Até porque quem entra em seu lugar é Danilo, que não o faz com a qualidade esperada, ou Morais, que precisará ser mais testado para mostrar se pode fazer isso.
De qualquer forma, Bruno César mostrou ser um jogador importante para o time em 2010 e treiná-lo para exercer as funções que o técnico acha que ele deve fazer é mais fácil do que inventar um jogador menos talentoso para mudar o esquema.
Por fim, e não menos importante, o sistema defensivo. Leandro Castán não é um jogador à altura de William, que se aposentou no final de 2010. É preciso que o time busque outro jogador para ser parceiro de Chicão, de preferência um jogador mais rápido, que não deixa o miolo da defesa tão lento.
Na lateral esquerda, Fábio Santos foi contratado para ser o reserva imediato de Roberto Carlos e já mostrou que, apesar das boas partidas pelo Grêmio, ainda é o mesmo jogador que deixou o São Paulo sob muitas críticas. Não consegue marcar bem e deixa muitos espaços. Foi por ali que surgiu um dos gols do Tolima e não, não foi por acaso.
Tite pode até continuar como treinador da equipe, se conseguir manter os bons resultados durante todo o Paulista. O técnico mostrou pouca ou nenhuma capacidade de mudar o jogo a partir de alterações táticas ou substituições de jogadores, mas tem títulos importantes no currículo. Sua decisão de tirar Bruno César e Roberto Carlos do time no momento mais importante da temporada, o jogo contra o Tolima, foi prejudicial à equipe. Faltou tato a Tite, algo que não poderá faltar agora.
Efeito Joel Santana
O Botafogo mostrou que pode não ser um time genial, mas continua sendo bem armado e, nas bobeiras de outros times mais fortes, pode vencer e vencer bem. A vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense no domingo foi de um time que tem suas qualidades e que se conhece bem, a ponto de reconhecer suas limitações e se proteger delas.
O time se colocou em uma boa posição para disputar o título da Taça Guanabara e, com isso, disputar o título Carioca. Se não vale tanto quanto já valeu um dia, o estadual pode dar força ao time para o resto da temporada. O Botafogo tem que caminhar pouco a pouco, tentando melhorar a campanha do ano passado, que já foi excelente, no Brasileiro.
Ainda no Rio, o Vasco começou a melhorar, mas não era para se esperar menos. Estava em situação terrível e a melhora era iminente. A questão é que o time precisa se ajeitar, física e taticamente, para jogar com quem lhe convier. Felipe é um jogador que continua habilidoso e sabe passe bem a bola, mas suas características físicas pedem que tenha mais gente correndo no time por ele.
O Flamengo continua sendo o time mais falado e conseguiu vencer os últimos dois jogos. Ronaldinho foi discreto em ambas, e ainda que tenha um papel maior do que apenas brilhar em campo – como orientar companheiros e ser a referência do time -, as atuações ainda parecem aquém do que as avaliações que são feitas. Ronaldinho é um craque e tem futebol de sobra para ser decisivo no Flamengo. Acredito que será mesmo. Mas ainda não é. O que se viu até agora foi uma boa vontade enorme com o jogador que não se vê com outros. Devagar com o andor, então.



