Em 1992, um raro Brasil x Uruguai que rendeu homenagens aos vice-campeões de 1950

Ao longo da vida, os jogadores brasileiros e uruguaios que participaram do jogo decisivo da Copa de 1950 se queixaram publicamente da falta de reconhecimento. Por mais que a história fosse contada e recontada, raras homenagens aconteceram com os personagens daquele jogo histórico ainda vivos. Entre os poucos exemplos, o reencontro promovido pela revista Realidade, em 1973. Já dentro de um estádio, a ocasião mais marcante veio em 1992, em Campina Grande, antes de amistoso entre Brasil e Uruguai.
O tributo aos vice-campeões de 1950 foi promovido pela própria CBF. Alguns dos membros do elenco estiveram presentes no Estádio Amigão: Barbosa, Nilson Santos, Nena, Noronha, Bauer, Ademir de Menezes, Baltazar e Flávio Costa. Outros tantos preferiram não viajar, ainda ressentidos com a demora em admitir a importância do que fizeram, independentemente da derrota – ou talvez receosos com o jogo de cena da cartolagem brasileira. Em entrevista logo após a cerimônia, o próprio Ademir afirma que não queria ir e que demoraram a convencê-lo da sinceridade do evento.
Em campo, por vias tortas, a história de 16 de julho de 1950 se repetiu. A Seleção saiu em vantagem, mas acabou tomando a virada por 2 a 1, no que foi a primeira derrota em casa para o Uruguai em 42 anos. Entretanto, os dois elencos não traziam o seu melhor. O Brasil de Carlos Alberto Parreira misturava veteranos e apostas, sem os jogadores do futebol europeu – e, pior, desfalcando os times brasileiros, em meio a suas competições. O 11 inicial contou com: Gilmar, Luís Carlos Winck, Válber, Ronaldão e Roberto Carlos; César Sampaio, Júnior, Raí e Zinho; Edmundo e Evair. Saíram do banco Vítor, Palhinha, Silas, Elivélton e Nilson. Aos 38 anos, Júnior fazia sua penúltima aparição pela equipe nacional, enquanto Evair anotou o gol de honra. Já o Uruguai, que havia acabado de encerrar uma greve de jogadores em seu futebol local e vivia a rebelião de suas estrelas que atuavam na Europa, escalou um time modesto. Marcelo Saralegui era o protagonista no selecionado de Luis Cubilla.
Depois daquele amistoso, Brasil e Uruguai se reencontrariam nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994. Ocasião muito mais lembrada pela atuação fantástica de Romário, que carimbou o passaporte do Brasil aos Estados Unidos e deu um belo impulso ao tetra.
A sugestão de pauta foi do leitor Leandro Paulo



