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Incompetência no elenco, na diretoria e o São Paulo afunda

Trocar o técnico com frequência é um dos muitos sinais que algo está errado em um clube de futebol, e que não passa só pelo que acontece em campo. O São Paulo atual virou uma caricatura de si mesmo, com um presidente que fala de forma debochada, arrogante e segue cometendo erros que levam o time a um caos. Juvenal Juvêncio nem parece falar sério quando dá entrevistas.  O resultado é que o time está há oito jogos sem vencer e parece frágil, em vários sentidos. Mentalmente, o time não consegue reagir. E já são quatro derrotas seguidas.

Os erros fora de campo refletem em campo, com jogadores preguiçosos, muitos deles pouco qualificados para quem sempre exalta as próprias virtudes. Uma defesa com Lúcio, Edson Silva e Juan não pode ser levada a sério. Não dá para falar de Lucas Farias, que é garoto. Wellington conseguiu a proeza de ser volante, não fazer nenhum desarme e ser expulso. Ganso foi apagado, como tem sido costume. Osvaldo só tem vivido de lampejos. Aloísio é muito esforçado, mas é só isso. Do banco, vieram Fabrício e Ademílson. Não dá para dizer que esse elenco é bom, como afirmou o diretor de futebol, Adalberto Batista, antes do jogo contra o Vitória no domingo.

A diretoria do São Paulo vive uma ilusão. Ainda acredita que é aquele clube elogiado pela competência na gestão, que aposta na continuidade e que a competência é inerente. Em suma, acham que o time segue sendo diferenciado, esse adjetivo tão mal explorado nos dias de hoje. O time é repleto de jogadores comuns, muitos supervalorizados e muitos caciques. Rogério Ceni tem mais poder do que é saudável. Lúcio exerce uma influência que deveria ser de liderança, mas tem sido de uma estrela mimada. Luís Fabiano voltou ao clube como ídolo, mas não conseguiu ir além de algumas boas atuações e muita indisciplina e reclamações infundadas.

Não basta trazer um novo técnico, ainda que seja competente, ainda que tenha identificação com o clube. Porque o motivo da troca de técnico frequente no Morumbi vai além da competência do profissional escolhido. A troca constante de técnico é também fruto de uma série de outros erros, que vão desde o erro de avaliação ao contratar o profissional à falta de condições adequadas para o trabalho. O São Paulo não sofre de falta de dinheiro, não vive uma crise financeira. Ao contrário, é um dos clubes que mais arrecada no Brasil. Não falta dinheiro, mas falta bastante competência.

Dizer que o time corre o risco de rebaixamento é um exagero. Mas ficar na metade de baixo da tabela já será um resultado péssimo para quem arrota arrogância nos seus delírios. O time deve perder a Recopa na quarta-feira, contra um Corinthians que é atualmente muito mais forte, técnica e mentalmente. A derrota provável não tem que assustar. O que tem que assustar é que o time joga um futebol de rebaixado, mas paga salários de time campeão.

Curtas

– A liderança do Coritiba é resultado de um time que já era arrumado, mas que tem um craque. Alex é o melhor jogador do campeonato até aqui. As quatro vitórias e três empates e ainda invicto mostram que o time tem condições de conseguir algo grande.

– A vitória do Grêmio sobre o Botafogo é uma boa prova de força. O time tem qualidade técnica, especialmente do meio para frente e deve brigar na parte de cima. Renato Gaúcho e seu carisma pode ter uma boa influência em um grupo tão complicado de lidar. Até pela moral que tem.

– O Botafogo, apesar da derrota, está longe de ter que se preocupar pela derrota. Foi um resultado normal e o time segue tendo força para somar pontos, enquanto as outras forças do campeonato parecem instáveis. O time tem que aproveitar isso.

– O Corinthians fez uma partida ruim contra um time quase só de reservas do Atlético Mineiro no Pacaembu. O time sofreu com a falta de meias, mas apresentou um futebol muito abaixo do que pode. Pareceu incapaz de reagir contra um time que intensificou o jogo, mas não fez uma partida brilhante.

– A vitória do Internacional sobre o Fluminense foi categórica. Os colorados fizeram uma ótima partida, com destaque para Forlán e D’Alessandro. O time tem carências, mas vai mostrando força.

– O Flu, por sua vez, parece mergulhado em erros defensivos. O time não tem a força no setor da temporada passada, quando dificilmente sofria gols. O poder de decisão do time também está longe daquilo que fazia o time vencer em 2012. E o time enfraqueceu o elenco vendendo Thiago Neves e Wellington Nem.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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