Brasil

Ele vão atrás dos quase Messis. Executivos são supervalorizados?

Fim de ano. Época de especulação envolvendo jogador, treinador e… Executivos. Vejamos:

Fluminense – Rodrigo Caetano teria recebido proposta do Inter

Atlético Mineiro – Eduardo Maluf na mira de diversos clubes. Dentre eles, o Flamengo

Grêmio – Antes da oficialização do advogado Rui Costa, cotado para um cargo político, diversos nomes foram comentados

Vasco – René Simões foi apresentado nesta semana. É outro que foge ao perfil da função

Botafogo – Anderson Barros foi demitido

Internacional – Newton Drummond, que começou no próprio clube, é a bola da vez

Flamengo – Como alternativas a Zinho, vários profissionais são especulados. Dois deles gaúchos: Fernando Carvalho, ex-presidente do Inter, e Paulo Pelaipe, que está deixando o Grêmio

Coritiba – Felipe Ximenes é um dos nomes mais badalados. Teria pedido R$ 140 mil ao Inter e, por isso, não acertou

Bahia – Paulo Angioni não tem sua permanência assegurada

Como se vê, é um mercado agitado. E que movimenta também grandes somas de dinheiro. Um caso clássico é o daquele que é visto hoje como um dos responsáveis pelo tetracampeonato brasileiro do Fluminense, Rodrigo Caetano. Há alguns anos, o diretor tricolor ganhava R$ 18 mil no Grêmio. Pediu um reajuste para R$ 50 mil. Viu o seu desejo negado e decidiu bater asas. Hoje, fatura R$ 200 mil nas Laranjeiras. Os três dígitos ainda são uma exceção, mas talvez não por muito tempo.

Outros profissionais estão alcançando cifras assim. Méritos de seus trabalhos, claro – sobretudo quando comparados aos antigos cartolas amadores. Mas também da valorização que a função tem no futebol brasileiro. Paulo Pelaipe, que está deixando o Grêmio com a chegada de Fábio Koff e sua nova diretoria, viu o seu salário passar de R$ 50 mil para R$ 90 mil nesta temporada.

É como se os executivos, cada vez mais presentes no noticiário, tivessem virado celebridades. Eles negam. Mas comparam a dinâmica de seus trabalhos com a dos treinadores. Ou seja, na teoria, profissionais sem ligação afetiva com clube algum e remunerados. No ano passado, em reunião promovida na sede da federação paulista, eles criaram uma associação. Ainda naquele encontro, definiram uma diretriz que deveria nortear a rotina de cada um. O blog teve acesso na época ao documento final gerado a partir do debate. Algumas das recomendações da nova categoria:

Pede-se autonomia do executivo em relação aos treinadores (“estabelecer limites em sua atuação”), jogadores (“fazer obedecer a hierarquia do clube”), agentes (“estabelecer uma relação estritamente profissional”), investidores (“não permitir nenhuma interferência dos investidores nas decisões do clube”) e imprensa (“afastar-se ao máximo da imprensa para trabalhar com tranquilidade deixando a cargo da direção os pronunciamentos oficiais”).

A função ainda amadurece. Nem todos esses itens são seguidos à risca. O craque da função, Rodrigo Caetano, tem parte de seu salário pago pela Unimed, um desses “investidores”. É apenas um exemplo de como a classe ainda precisa estabelecer um código de conduta mais restrito.

Uma frase do presidente da associação, Ocimar Bolicenho, hoje na Ponte Preta, foi simbólica naquele encontro na FPF. “Se não pode contratar um Messi, o executivo tem que ter competência para achar quase um novo Messi”. Os parâmetros são altos. Os salários também. E são neles que o mercado de baseia para especular nomes nesse fim de ano. Ainda assim, fica a pergunta:

Será que esses profissionais não estão sendo supervalorizados?

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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