Brasil

Ele é exceção

Neymar disse sim ao Santos e renovou seu contrato, rejeitando a proposta do Chelsea. O Santos tem todos os méritos por ter mantido aquele que é um dos melhores jogadores atuando no Brasil. Mas, antes de tudo, é preciso calma: a operação para mantê-lo não é simples e também não causará uma revolução no futebol brasileiro.

A recusa de Neymar ao Chelsea passa por dois motivos importantes: seu salário no Brasil será astronômico, ainda que distante do patamar que o Chelsea ofereceria. São R$ 160 mil diretos do Santos e mais R$ 125 mil, aproximadamente, da venda da imagem do atacante a empresas. O outro é a ideia de grandeza e um projeto do clube, que veremos mais à frente.

O presidente Luis Álvaro, do Santos, admitiu que é possível que não consiga ter patrocinadores dispostos a usar a imagem de Neymar em todos os meses. Nesse caso, empresários cobrirão essa parcela do salário do jogador. Mais do que isso: antes os direitos de imagem de Neymar eram divididos igualmente entre o jogador e o clube. Agora, 70% pertence a Neymar, o que aumenta expressivamente seus ganhos.

O atacante receberá algo em torno de R$ 3,4 milhões por temporada para jogar pelo Santos. Um salário para lá de interessante para um jogador em início de carreira – lembremos que Neymar tem apenas 18 anos.

O Santos tem um grande mérito também por ter conseguido mostrar ao jogador um projeto concreto para o futuro. O time quer se fortalecer para disputar a Libertadores de 2011 e disputar todos os títulos que forem possíveis – de preferência, culminando com o título mundial no final do próximo ano.

É bom lembrar: é ótimo ter um plano de metas do clube e isso é, sem dúvida, uma forma de seduzir o jogador a ficar. Porém, ganhar a Libertadores é um projeto difícil de ser alcançado para qualquer time – o Corinthians que o diga neste ano. Fazer uma boa campanha, porém, já é suficiente para conseguir sucesso – esportivo e financeiro – para continuar buscando o topo – afinal, ganhar sempre é missão impossível.

O caso de Neymar é incrível e certamente será lembrado sempre. O que foi feito para mantê-lo, mas não é uma revolução no futebol brasileiro, nem uma fórmula para impedir que nossos jogadores deixem o país rumo a clubes do exterior.

Uma operação complicada como essa de Neymar é custosa ao clube. O Santos ainda planeja fazer o mesmo com Paulo Henrique Ganso, o que também é admirável. Só que isso implica em ser menos resistente a outras ofertas, como a de € 10 milhões por Wesley, que foi para o Werder Bremen. Neymar é uma exceção e deve ser tratado como tal. A exploração da imagem de um jogador como ele é interessante para as empresas, mas, mesmo assim, ainda é difícil de ser feita.

Um jogador com menos talento e menos atração, mas tão importante quanto Neymar para o seu clube, não terá o mesmo apelo e continuará seguindo para o futebol do exterior.

Por fim, um ponto fundamental nesse caso é a vontade do jogador, que parece ter prevalecido em relação a diversos interessados – ou intermediários, por assim dizer, da sua venda. Neymar sabe que tem muito a oferecer ainda e que sua saída agora seria para deixar de ser protagonista e tornar-se um coadjuvante que joga menos vezes.

Com 18 anos, o jogador sabe que pode entrar para a história do Santos se conseguir levantar um título do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e quem sabe do Mundial. Pode tornar-se ídolo do futebol brasileiro, mais até do que da torcida do Santos. Tem capacidade de ser o protagonista também da Seleção Brasileira e, daqui a um ou dois anos, fechar uma transferência que o fará ser protagonista também em um grande clube do exterior.

Só para ficar em um exemplo, o Santos não conseguiria fazer o mesmo com André. Claro, o jogador poderia escolher ficar e bater o pé em relação aos empresários e grupos de interesse que queriam sua venda. O Santos, porém, não conseguiria uma operação que o mantivesse no Brasil da mesma forma que fez com Neymar. Uma boa proposta por ele implicaria em sua transferência. E esse ainda é o padrão. Foi uma ótima solução ocasional, mas não é uma solução definitiva.

Carlos Alberto: o craque esporádico

Carlos Alberto mostrou no jogo contra o Fluminense que tem futebol do mais alto nível. Como meia, sabe chegar bem ao ataque, marcar gols e deixar companheiros em ótima situação. É decisivo, acima de tudo.

O problema de Carlos Alberto tem sido a constância. Atrapalhado por lesões e seus muitos cartões recebidos. Por isso, jogou muito menos do que poderia neste ano pelo Vasco.

Comprometido, Carlos Alberto pode ser um dos grandes jogadores do Brasil. Futebol ele tem não só para decidir pelo Vasco, mas para decidir um campeonato. O time do Vasco não é, hoje, para chegar ao G4 e conseguir uma vaga na Libertadores.

Com Carlos Alberto em campo constantemente, esse panorama pode mudar, porque o Vasco pode não ter grandes jogadores, mas tem ótimos coadjuvantes. Com um protagonista de peso, o time tem capacidade para ir longe.

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Equipe Trivela

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