Brasil

E os estaduais estão logo ali…

Há quem os ame e defenda sua continuação como parte da história do futebol brasileiro. Há quem os odeie e os coloque como um “anacronismo” que já teve sua importância, mas que hoje só atrapalha. E há os moderados, que até acham que eles mereçam continuar existindo, mas com alterações.

Estou falando dos campeonatos estaduais. Ainda estamos em novembro, nenhuma das quatro séries do Campeonato Brasileiro foi encerrada, mas por conta da Lei Pelé, que determina uma antecedência máxima entre a organização das competições e seu início, as federações já deram partida nas preparações para os Estaduais em 2012.

São Paulo e Rio Grande do Sul já fizeram seus conselhos arbitrais e já foi publicada até a tabela da competição. Nos dois estados, não há mudança na fórmula de disputa em relação a este ano. São Paulo continua com 20 clubes jogando entre si em turno único, classificando-se oito para a fase eliminatória.

No Sul, dois grupos de oito equipes, que jogam cruzando os grupos, no primeiro turno, classificando-se quatro de cada grupo para os mata-matas. No segundo turno, as equipes jogam dentro de seus grupos, e a fase eliminatória acontece da mesma forma. No fim, os campeões de cada turno se enfrentam na final.

Em Minas, o congresso técnico acontece nesta quarta-feira. No Rio, apenas na semana que vem. Nos estados que começam os seus estaduais em janeiro, até o fim do mês tem que estar tudo definido: tabelas, fórmulas de disputa e regulamentos.

Confesso que já tive uma opinião muito radical sobre os campeonatos estaduais. Era da turma que defendia sua extinção, sob o argumento de que eles são pouco interessantes, tecnicamente frágeis e que acabam prejudicando o calendário, uma vez que comem nada menos que quatro meses do ano. Mas depois de muito debate e, de entender que, por morar no Rio e, às vezes, tentar analisar todos os campeonatos pelo que acontece aqui causa uma visão distorcida do cenário nacional como um todo, mudei de opinião.

Os estaduais são importantes. Foram a gênese do futebol brasileiro. Estimularam – e até hoje, estimulam – a rivalidade local e a paixão do torcedor. O problema é que, para acomodar interesses políticos, os campeonatos estaduais estão inchados. Em quase todos os estados, a reclamação é a mesma: muitos participantes, muitos jogos deficitários e/ou sem interesse, nível técnico baixo.

Dos campeonatos mais badalados, o mineiro é quem hoje tem o formato mais agradável: 12 clubes apenas, jogos quase sempre nos finais de semana, menos datas. 16 clubes, como acontece no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro; e 20 clubes, como em São Paulo; é um exagero que não se justifica – e que acaba sacrificando os clubes que disputam as séries A e B do Campeonato Brasileiro.

Pra exemplificar: a série A, este ano, acaba dia 4 de dezembro. Sete semanas depois, em 22 de janeiro, começam os estaduais. Se a gente lembrar que, como todo trabalhador, os jogadores têm direito a 30 dias de férias, sobram menos de 20 dias pra reapresentação e “pré-temporada” (que, na prática, acaba sendo feita no início dos Estaduais).

A grande reformulação que precisa ser feita no calendário do futebol brasileiro – e que inclui, dentre outras coisas, a adequação para que os clubes que jogam a Copa Libertadores da América não sejam excluídos da Copa do Brasil – passa, sobretudo, por uma reformulação na maneira como são realizados os Estaduais.

Entendo que cada estado tenha a sua realidade e que, em alguns estados, o Estadual precise durar mais tempo, até para manter os clubes em atividade por mais tempo, já que há estados que não possuem representação nas duas principais séries do Brasileirão e as séries C e D ainda são mal formatadas. Mas avalio que é um prejuízo técnico tamanho colocar as equipes de ponta do futebol brasileiro para disputar jogos que, na maior parte das vezes, não tem valor algum – por culpa da própria fórmula de disputa da competição.
Isso sem contar a aberração que acontece aqui no Rio, há alguns anos, onde os times pequenos – salvo Macaé e Volta Redonda – não podem mandar em casa seus jogos contra os grandes por conta da exigência da televisão. Um prejuízo técnico que desnivela ainda mais o campeonato e pode até ser fator determinante na manutenção ou queda desses pequenos para a segunda divisão.

Entendo os argumentos dos torcedores e dos dirigentes dos times do interior, que têm nos jogos em casa contra os grandes a possibilidade de ver times da série A do Brasileiro atuando na cidade – e dando uma renda que é importante para a manutenção da equipe na competição. Mas será que não é possível montar um calendário mais enxuto, que preservasse as equipes maiores de uma primeira fase tão longa?

Vamos usar o Paulistão como exemplo. São 19 rodadas e quatro vagas em disputa. Sim, porque salvo uma catástrofe das grandes, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos vão se classificar. Daí estes quatro jogam 19 vezes em pouco mais de dois meses, com jogos quarta-e-domingo quase toda semana, na prática pra nada. E pior: outros 16 clubes se matam da mesma forma por apenas quatro vagas para a parte do campeonato que realmente interessa. Essa é realmente a fórmula mais inteligente? A mais atraente pro público? Sou capaz de afirmar que não é.

As soluções existem. Os torcedores mesmo podem ajudar. Nesse momento, está todo mundo “focado” (para usar uma palavra da moda) na reta final do Brasileirão na série A e na série B. Mas os Estaduais estão logo aí. Se pro ano que vem já é tarde pra mudar alguma coisa, quem sabe pra 2013, não é?

Amistosos sem prestígio

 

A seleção brasileira aproveita as duas datas-Fifa que restam em 2011 para fazer amistosos contra Gabão e Egito, e Mano Menezes convocou apenas jogadores que estão no exterior, se livrando de mais uma polêmica desnecessária para o final da temporada.
Em um momento que o Campeonato Brasileiro pega fogo a cinco rodadas do fim, e com adversários de pouca expressão no cenário internacional (em que pese o Egito ser uma das seleções mais fortes do continente), os dois amistosos estão sendo solenemente ignorados pela torcida. Ainda mais com a ausência de Kaká, que lesionado, acabou desconvocado. O retorno do meia do Real Madrid seria o grande – e talvez único – apelo desses dois jogos para a torcida.

Mano Menezes vai aproveitar os jogos para observar alguns jogadores e começar a direcionar o trabalho do primeiro semestre do ano que vem para a Olimpíada. O treinador encerra o ano cercado por desconfianças e sem conseguir montar um time que possa chamar de seu. A eliminação na Copa América, da maneira melancólica que aconteceu (em uma partida que, sejamos justos, o time foi melhor que o adversário) e o “chocolate” que o time levou da Alemanha em Stuttgart (onde, também, sejamos justos, o placar não traduziu a superioridade germânica em campo) parecem ter abalado as convicções do treinador em relação ao desenho tático da equipe e aos jogadores que se encaixem neste desenho.

Neste momento, o velho clichê da “briga com bêbado” será mais uma vez utilizado. Ainda que não corra riscos de perder o emprego (só) por isso, quaisquer resultados que não sejam vitórias em Libreville e Doha vão causar ainda mais desconforto e desconfiança ao seu trabalho.

Série B e a vaga que ninguém quer

 

Com os resultados da 35ª rodada, nesta terça-feira, a Portuguesa, enfim, pôde comemorar o título mais que merecido da série B; e o Vila Nova pode lamentar de vez o rebaixamento para a série C.

Vamos esquecer um pouco a briga pelo acesso – até porque Náutico e Ponte Preta vão ter que se esforçar muito pra perder as vagas que têm e a quarta posição vai ficar entre Bragantino, Vitória, Americana, Sport e Goiás (que ainda tem remotas chances por ter 16 vitórias, mais que os demais concorrentes).

A vaga de que estão todos fugindo, a última para o descenso, continua aberta. Barueri e ABC, com 47 pontos, precisam de uma vitória em três jogos pra escapar de vez. O Guarani tem 46 pontos e 13 vitórias, mas a crise no Bugre está tão feia que a vitória que fará o time se salvar vai ter que ser arrancada a fórceps. Pior: o próximo jogo é contra o Paraná Clube, que também tem 46 pontos e uma vitória a menos.

A batata quente – que hoje, está com o Asa, 42 pontos e 11 jogos – ainda pode pular para as mãos de Icasa (43 pontos, 10 vitórias) e São Caetano (44 pontos, 10 vitórias). Destes, o São Caetano é quem tem a tabela mais complicada, apesar de fazer dois dos três jogos que faltam no Anacleto Campanella.

Impossível arriscar um palpite pra vaga que ninguém quer. Mas curiosamente, os já rebaixados Duque de Caxias e Salgueiro, que estão no caminho de Asa e Icasa, respectivamente, podem ser o fiel da balança.

CURTAS

O Sportv confirmou a transmissão dos dois jogos finais da série D entre Tupi e Santa Cruz. O primeiro jogo acontece neste domingo, em Juiz de Fora. A volta será no dia 20, no estádio do Arruda, em Recife. O horário dos jogos é o mesmo: 16h50 (hora de Brasília).

O deputado Romário (PSB-RJ) decidiu ser a pedra na chuteira do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo. O parlamentar tem mantido uma postura de questionamentos constantes sobre a Lei Geral da Copa.

Na audiência realizada no Congresso nesta terça-feira, Romário questionou abertamente o presidente da CBF, Ricardo Teixeira; e o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke. “Eu sou novo no parlamento, mas tenho que dizer, isso é um circo”, disse o deputado, esquentando o clima na reunião.

Além de divulgar a tabela do Paulistão, a Federação Paulista divulgou também na terça-feira as informações sobre a 43ª edição da Copa São Paulo de Futebol Junior. O torneio terá mais uma vez o inacreditável número de 96 participantes, divididos em 24 grupos com quatro integrantes em cada um deles.

O torneio começa no dia 3 de janeiro e tem final prevista para 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Atual campeão, o Flamengo está no grupo “I”, com sede em São Carlos, e além do time da casa, terá como adversários o Aquidauanense, de Aquidauana (MS); e o União São João, de Araras.

Na série C, América e Luverdense se enfrentam nesta quarta e no domingo para, finalmente, igualar os jogos que faltam no grupo E da competição. Depois dos dois confrontos (quarta em Natal e domingo em Lucas do Rio Verde), todas as equipes do grupo terão dois jogos por fazer.

O CRB, líder do grupo, com 10 pontos, torce por dois empates nestes confrontos ou por uma vitória para cada lado. Se isso acontecer, bastará ao time alagoano um empate nos dois jogos que faltam para garantir a vaga na final contra o Joinville.

Em seu penúltimo jogo “em casa”, o Duque de Caxias levou 44 testemunhas para assistir o empate em 1 a 1 com o Vila Nova. Obrigado a mandar seus jogos em São Januário ou em Volta Redonda, o time da Baixada Fluminense, rebaixado com nove rodadas de antecedência, tem a ridícula média de 267 torcedores por partida como mandante.

O time ainda faz um jogo em Volta Redonda, contra o Boa Esporte, na última rodada. Em 2009, no último jogo do campeonato, também na Cidade do Aço, apenas CINCO pagantes viram a goleada do Duque sobre a Ponte Preta por 4 a 1 – recorde negativo da história da série B.

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Equipe Trivela

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