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E essa agora? Blatter é o Robin Hood e ninguém sabia

Joseph Blatter está chateado. As críticas da imprensa são injustas. O presidente da Fifa não é um executivo malvado que tira o dinheiro das pessoas e enterra nos Alpes. É um servo do futebol que pega o dinheiro dos seus parceiros comerciais e semeia o bem ao redor do mundo. Sim, você acertou. Joseph Blatter é um Robin Hood em escala global.

Em um discurso na Universidade de Oxford, a 88 quilômetros de Londres, Blatter deu um discurso emocionado e auto-justificativo para rebater as críticas que vem recebendo nos últimos anos, já que preside desde 1998 uma entidade mergulhada em escândalos de corrupção.

“Algumas pessoas vão falar sobre os segredos sórdidos que se escondem no quartel-general do vilão de James Bond nas colinas de Zurique, onde nós aparentemente conspiramos para explorar os fracos e oprimidos. Vão tentar fazer vocês acreditarem que sento no meu escritório com um sorriso sinistro, acariciando gentilmente um caro gato persa enquanto meus terríveis sócios vasculham a terra forçando países a sediarem a Copa do Mundo para tirarmos todo o dinheiro deles”, disse o suíço, mostrando que tem aptidão para ser romancista quando se aposentar do futebol e que tem algum conhecimento sobre a franquia de filmes do espião inglês 007.

Embora o caderno de encargos da Fifa para sediar a Copa do Mundo seja mais exigente que entrar no curso de física de Oxford, o suíço tem razão ao dizer que não exige bilhões de dólares dos países que se candidatam e que a entidade não obriga ninguém a receber o Mundial.

Ele acredita, realmente acredita, que a Fifa redistribui recursos ao redor do mundo e ajuda comunidades carentes por meio do futebol. Toma para si os méritos de “coisas que só o futebol consegue”, como o Taiti jogar a Copa das Confederações ou do jogo histórico entre Estados Unidos e Irã, na Copa do Mundo de 1998.

“Nós não somos uma multinacional inescrupulosa fazendo todo o possível para ganhar dinheiro, vendendo produtos que fazem mal às pessoas. A verdade é que temos muito em comum com Robin Hood, pegando o dinheiro que ganhamos com nossos parceiros comerciais e semeando de volta nas bases do jogo para todos se beneficiarem, não apenas alguns”, explicou.

“Talvez você ache que eu sou um parasita que suga o sangue do mundo do futebol, um Poderoso Chefão. Não há muitos nomes pelos quais a mídia não me chamou nos últimos anos. Isso machuca. Tem que ter um coração de pedra para que não machuque. Eu me pergunto: ‘O que eu fiz? A Fifa tem culpa de alguma coisa?'”, completou, chateado, o Robin Hood do futebol mundial.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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