Doquinha Gonzaga Neto incita a violência
O Lance! é um jornal imprescindível. Para torcedores e jornalistas. Falo nas duas condições e respaldado por minha passagem pelo jornal. Sou da primeira turma, em 1997 e saí em 2000. Ganhei uma causa trabalhista que demorou oito anos. Por isso, posso falar, apesar da mágoa que fica, que o jornal é imprescindível.
Na edição de domingo, há, porém algo totalmente dispensável. Algo nocivo ao bom jornalismo. E, pior, nocivo ao esporte. Está na coluna Fala, doente! do Santos, assinada pelo fictício Doquinha Gonzaga Neto.
Ele fala sobre o próximo jogo, domingo, na Vila, contra o São Paulo. Ele pede que o São Paulo entre em campo com o time reserva. Não que tenha medo do titular, explica, mas para que Ganso enfrente seu ex-time lá na Vila.
“É que estou doido para ver como o Ci$ne vai se portar. Será que ele acha que é nosso ídolo? Se prepara porque vai chover moeda”…
O torcedor fictício tenta vocalizar o sentimento da torcida santista. Coloca o $ no lugar do S de Cisne para imputar ao jogador a fama de mercenário. Tudo bem, um exagero, mas nada de tão errado.
O bicho pega é quando o jornalista travestido de torcedor fanático promete uma chuva de moedas sobre Ganso.
Ele está escrevendo o que pensa a torcida?
Ou o torcedor vai ler o que ele escreveu e buscar moedas em seu cofrinho para jogar no armador são-paulino?
É perigoso incitar a violência, principalmente junto à torcida do Santos, que se sentiu irritada com a saída de Ganso. Já houve precedentes, contra Luxemburgo, por exemplo.
E, se em vez de moeda, algum pateta resolve jogar uma pedra ou algo ainda mais pesado sobre Ganso.
Não entendo, realmente, como um artigo desses pode ajudar o Santos, pode ajudar o futebol e pode ajudar o Lance!
Vamos lembrar que Rodrigo Vessoni publicou nesse mesmo jornal uma série espetacular de matérias mostrando a violência que assola o futebol brasileiro. Traçou um quadro dantesco, com muitas mortes. Foi uma das melhores matérias do ano. Ele sabe e os editores do Lance! (todos ótimos) sabem muito bem como se inicia uma chuva de moedas. Sabem também como ela pode acabar. Uma tragédia a mais na sérias do próximo ano.



