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Dois gols logo na estreia? Gabriel Jesus alcançou um feito raro pela Seleção

Dois belos gols e ainda um pênalti sofrido. Gabriel Jesus teve uma estreia perfeita pela seleção principal. Depois de ser um dos destaques nos Jogos Olímpicos, o atacante recebeu um desafio grande de Tite: seria o camisa 9 na complicada visita ao Equador em Quito. O novato, entretanto, não sentiu o peso da responsabilidade. Em ótima atuação principalmente no segundo tempo, desequilibrou. Ofereceu uma segurança que há tempos o Brasil não contava no comando de ataque, ainda mais em um duelo deste peso.

VEJA TAMBÉM: A estreia fenomenal de Leônidas na Seleção fez surgir o “Diamante Negro”

Pois o feito de Gabriel Jesus é raro. Desde 1959 que um jogador não fazia a sua estreia pela Seleção e já balançava as redes mais de uma vez em uma competição oficial. O último deles foi Paulo Carvoeiro, na edição extra do Campeonato Sul-Americano de 1959. Na ocasião, o Brasil mandou um elenco formado apenas por atletas que atuavam em Pernambuco. E o atacante do Náutico fez os três na apertada vitória por 3 a 2 sobre o Paraguai. Antes dele, outros quatro atingiram a marca, três também no Campeonato Sul-Americano. A exceção fica para Perácio, ícone de Botafogo e Flamengo, um dos heróis no épico 6 a 5 contra a Polônia no Mundial de 1938.

Levando em conta os amistosos oficiais (aqueles contabilizados pela Fifa), outros 11 jogadores fizeram dois gols ou mais na estreia pela Seleção. No últimos 52 anos, apenas dois além de Gabriel Jesus: Roger Flores (2006) e Charles Fabian (1989). Já entre os mais antigos, a lista é recheada de craques, como Quarentinha e Zagallo. Mas nenhum deles em uma ocasião tão grandiosa quanto Leônidas da Silva. O garoto de 19 anos já até havia feito uma partida pelo Brasil, nos 7×2 contra o Andarahy, mas nada de oficial. Sua prova de fogo veio em pleno Centenário, contra o timaço do Uruguai. Diante do histórico de indisciplina do novato, o técnico Luiz Vinhaes recebeu a recomendação do presidente da CBD para não escalá-lo. Mas o comandante bateu o pé, gerou a renúncia do dirigente e viu sua aposta se pagar: Leônidas apanhou muito dos uruguaios, mas acabou com o jogo e marcou os dois gols no triunfo por 2 a 1. Saiu de campo carregado pelos companheiros e foi recebido pelo presidente Getúlio Vargas na volta ao Brasil.

Abaixo, a lista dos estreantes que fizeram dois gols ou mais na estreia pela Seleção. Os nomes em vermelho marcaram gols em competições oficiais. Os outros torneios mencionados, em geral, eram quadrangulares ou amistosos entre dois países valendo taça:

Arlindo (America-RJ) – 01/06/1919 – 3×3 Argentina pela Taça Roberto Chery
Imparatinho (Palestra Itália-SP) – 29/10/1922 – 3×1 Paraguai pela Taça Rodrigues Alves
Lagarto (Fluminense) – 06/12/1925 – 5×2 Paraguai pelo Campeonato Sul-Americano
Leônidas (Bonsucesso) – 04/12/1932 – 2×1 Uruguai pela Copa Rio Branco
Perácio (Botafogo) – 05/06/1938 – 6×5 Polônia pela Copa do Mundo
Pirillo (Flamengo) – 14/01/1942 – 6×1 Chile pelo Campeonato Sul-Americano*
Eduardo Lima (Palmeiras) – 14/05/1944 – 6×1 Uruguai em amistoso
Simão (Portuguesa) – 03/04/1949 – 9×1 Equador pelo Campeonato Sul-Americano
Nininho (Portuguesa) – 10/04/1949 – 10×1 Bolívia pelo Campeonato Sul-Americano*
Pinga (Portuguesa) – 07/05/1950 – 2×0 Paraguai pela Taça Oswaldo Cruz
Ferreira (America-RJ) – 12/06/1956 – 2×0 Paraguai pela Taça Oswaldo Cruz
Zagallo (Flamengo) – 04/05/1958 – 5×1 Paraguai pela Taça Oswaldo Cruz
Quarentinha (Botafogo) – 17/09/1959 – 7×0 Chile pela Taça Bernardo O’Higgins
Paulo Carvoeiro (Náutico) – 05/12/1959 – 3×2 Paraguai pelo Sul-Americano Extra*
Rinaldo (Palmeiras) – 30/05/1964 – 5×1 Inglaterra pela Taça das Nações
Charles (Bahia) – 10/05/1989 – 4×1 Peru em amistoso
Roger Flores (Fluminense) – 18/08/2004 – 6×0 Haiti em amistoso
Gabriel Jesus (Palmeiras) – 01/09/2016 – 3×0 Equador pelas Eliminatórias

* Três gols na partida

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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