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Diretor do Mineirão critica gestão Ronaldo e detalha acordo com Cruzeiro

Único time a utilizar o Mineirão, Cruzeiro costura parceria com administradora do estádio

Os três clubes de Belo Horizonte têm atuado em estádios diferentes na cidade: o América-MG atua no Independência, o Atlético-MG na Arena MRV e o Cruzeiro se tornou a única equipe que manda suas partidas no Mineirão, grande palco do futebol mineiro.

Após um ano de 2023 com dificuldades de relacionamento do clube celeste com a Minas Arena, concessionária que administra o estádio, a promessa é de algo diferente em 2024.

O perfil oficial do estádio publicou, na noite dessa quinta-feira (13), durante a vitória do Cruzeiro sobre o Cuiabá, por 2 a 1, uma foto de Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, novo dono da SAF da Raposa, junto a Samuel Lloyd, diretor da Minas Arenas, com a seguinte legenda:

“Cruzeiro e Mineirão. Pedro Lourenço e Samuel Lloyd afinando detalhes de uma parceria histórica.”

A publicação animou os cruzeirenses, que sonham com uma gestão do Mineirão compartilhada entre Cruzeiro e Minas Arena, para que o clube celeste consiga dar ainda mais “sua cara” ao estádio.

Diretor do Mineirão dá detalhes sobre negociações com o Cruzeiro

Presente na foto em questão, Samuel Lloyd concedeu entrevista à Samuca TV, na qual teceu críticas à antiga diretoria do Cruzeiro e revelou novidades do acordo que vem sendo costurado com Pedrinho BH.

— A gente está muito animado porque pela primeira vez a gente sente que a interlocução com o Cruzeiro, nesses mais de dez anos de operação compartilhada, está em outro patamar — celebrou.

Segundo Lloyd, no momento de maiores dificuldades de diálogo com a equipe de Ronaldo, em 2023, ele procurou Pedrinho, que intermediou a relação e ajudou a melhorar a situação.

— Nós temos um contrato com o Cruzeiro que vai até o final do ano que vem. Estão estabelecidas, basicamente, as questões operacionais de um jogo. Mas temos muita certeza que tem como ampliar essa parceria, trazendo novas receitas para ambas as partes — projetou Samuel, que afirmou que Pedro Lourenço tem o desejo de manter o Mineirão sempre lotado, independente do jogo.

— Estamos esperançosos para uma parceria para os próximos 15 anos, até o fim dessa concessão — apontou, apesar de afirmar que as tratativas estão no início.

Diretor revela motivo impasse com gestão Ronaldo

Samuel Lloyd afirmou que a gestão de Ronaldo queria participação em receitas que a Minas Arena não podia entregar, por se tratar de dinheiro público.

— O Cruzeiro do Ronaldo queria propriedades comerciais que eram da Minas Arena e que poderiam ser compartilhadas com o Estado de Minas Gerais, como é a lógica do contrato de Parceria Público-Privada (PPP). Não poderíamos fazer isso porque é dinheiro público. Não é da Minas Arena, mas de todos os mineiros — argumentou Lloyd, ressaltando que se trata de uma discussão “vencida”.

É possível pintar as cadeiras do Mineirão de azul?

Quando se fala do Mineirão ser administrado pelo Cruzeiro, os torcedores logo se animam com a possibilidade do clube celeste dar “sua cara” ao estádio e o primeiro pedido que surge é “pintar as cadeiras de azul”.

Apesar do sonho, Samuel Lloyd ressaltou que esse tipo de personalização é muito improvável com o atual contrato de concessão.

— Algumas coisas vão fazer sentido, outras não. A gente pode utilizar tecnologia, com leds, paineis de led, porque isso a gente liga e desliga, em caso de jogo da Seleção, por exemplo. Acredito que mudar cor de cadeira tem a ver com o contrato de PPP e é um passo difícil de ser dado. É um estádio público, que pode ser usado por qualquer clube, temos obrigação contratual de tratar todos os clubes com isonomia — explicou Samuel.

Samuel Lloyd informou, ainda, que a dívida do Cruzeiro com a Minas Arena está na Recuperação Judicial do clube celeste.

O administrador ressaltou, também, que o contrato atual “é excelente para o Cruzeiro”.

— Quando se compara as duas finais do último Campeonato Mineiro, entre um jogo na Arena MRV e o outro no Mineirão, você percebe que o Cruzeiro ganhou muito mais dinheiro do que todas as receitas do Atlético-MG lá. O custo que fica para o clube é só o do jogo. Não precisa pagar financiamento, operação ao longo de 30 dias, só do dia, não cobramos aluguel — apontou Samuel.

O gestor contou, ainda, que trabalha para que nenhum evento atrapalhe os jogos do Cruzeiro.

Segundo ele, a corrida da Stock Car que será disputada em Belo Horizonte não deve impactar em partidas da Raposa.

CPI do Mineirão

Durante o auge dos problemas entre Cruzeiro e Mineirão, torcedores e alguns parlamentares começaram um movimento de pedir uma “CPI da Minas Arena” para investigar o contrato de concessão.

Samuel Lloyd rechaçou a possibilidade e criticou condução de Ronaldo.

— Ficou claro para todo mundo que essa foi uma CPI provocada para tirar uma negociação melhor da Minas Arena. Chegamos a assistir uma entrevista do Ronaldo falando exatamente isso textualmente.

Não faz sentido que deputados, que têm milhares de assuntos para resolver, se mobilizem para prejudicar um contrato que é público e que já foi apaziguado. Ninguém nunca conseguiu apontar o ponto, eram muitas acusações sem nenhum tipo de fundamento. Existia um cenário político muito difícil, uma pressão muito grande, até pela força que o Ronaldo tinha — afirmou Samuel Lloyd.

Cruzeiro de Ronaldo chegou a parar de jogar no Mineirão

A gestão de Ronaldo abriu mão do Mineirão em alguns momentos do ano passado, chegando a mandar jogos no Independência, em Sete Lagoas, Uberlândia e até mesmo em Cariacica, no Espírito Santo.

Essa situação se deu pela antiga diretoria do Cruzeiro entender que mandar jogos no Mineirão não vinha sendo tão rentável quanto podia para a Raposa.

Jogando em outros estádios, o Cruzeiro tentava pressionar a Minas Arena, mas o que se viu foi a marcação de diversos shows e eventos no Gigante da Pampulha, o que prejudicou tremendamente o gramado do Mineirão.

Assim, atuar lá, se tornou algo ainda mais complicado para o Cruzeiro, o grande prejudicado pela situação.

Sendo um nômade em toda a primeira metade de 2023, o clube celeste viu seu número de sócios-torcedores cair vertiginosamente e, sem uma casa definida, tornou-se presa fácil em seus domínios provisórios.

O Cruzeiro venceu o primeiro jogo no Mineirão no ano somente em 25 de outubro, algo que prejudicou substancialmente sua campanha no Campeonato Brasileiro.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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