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Diego Dabove é uma ideia diferente do Bahia para sair da mesmice de técnicos

Diego Dabove chega credenciado pela ótima campanha pelo Godoy Cruz em 2019; técnico deixou o San Lorenzo em maio

O excelente trabalho de Juan Pablo Vojvoda à frente do Fortaleza chama a atenção, com o Leão do Pici no G4 do Campeonato Brasileiro. O Bahia seguirá uma linha similar com o seu novo treinador. Depois de demitir Dado Cavalcanti, o tricolor baiano anunciou Diego Dabove, de 48 anos. O argentino tem como seu melhor trabalho na carreira a campanha pelo Godoy Cruz, em 2018, quando acabou em segundo lugar no Campeonato Argentino, atrás apenas do campeão Boca Juniors. “Buscamos um técnico em ascensão, moderno, de uma escola nova e com reconhecido trabalho de aproveitamento de jovens jogadores”, afirmou o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, no site do clube.

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Será o oitavo técnico estrangeiro da história do Bahia. O clube teve um técnico argentino justamente em um dos momentos mais importantes da sua história: na conquista da Taça Brasil de 1959, disputada no começo de 1960. O treinador era Carlos Volante, inspirador do nome da posição que atuava ainda nos tempos como jogador, no Rio de Janeiro. Dabove será o terceiro argentino. O primeiro foi Dante Bianchi, o primeiro estrangeiro a dirigir o Esquadrão de Aço. Foram duas passagens, de 1947 a 1950 e depois de 1955 a 1956. O segundo argentino foi Carlos Volante, que assumiu já em 1960, na fase final da Taça Brasil, e ficou até 1961. Por fim, Armando Renganeschi, que dirigiu o time em 1979.

Além de argentinos, o Bahia também teve como técnicos um uruguaio, Ricardo Díez (1954), Janus Tatray, húngaro (1967), Juan Herrera, chileno (1969), o conhecido Fleitas Solich, paraguaio (1969 a 1972). Renganeschi foi o último técnico estrangeiro a dirigir o Bahia, há 42 anos.

Treinador de goleiros e sucesso no Godoy Cruz

Em grande parte da carreira, Dabove foi treinador de goleiros, posição que atuou como jogador por pouco tempo, até se aposentar precocemente aos 27 anos. Foi como treinador de goleiros que começou a carreira ainda no Los Andes, clube de divisões inferiores da Argentina. Trabalhou também por Lanús, Boca Juniors, Huracán, Argentinos Juniors, River Plate, Xerez, Racing de Olavarria, Racing, seleção do Bahrein e Arsenal de Sarandi. Foi a função que exerceu de 2000 a 2016.

Foi em 2017 que mudou de função. Assumiu como técnico do Godoy Cruz II, o time reserva do Godoy Cruz. Ficou um ano no cargo e foi alçado ao time principal. Assumiu em janeiro de 2018 e foi lá que teve sucesso. Na temporada 2017/18, levou a equipe ao segundo lugar na tabela, a apenas dois pontos do Boca Juniors, campeão nacional.

Seu trabalho seguinte foi no Argentinos Juniors. O treinador conseguiu uma boa campanha e levou o Bicho ao quinto lugar no Campeonato Argentino e levou o time à Libertadores. Foi o clube que passou mais tempo, dois anos, de janeiro de 2019 a janeiro de 2021. Seu trabalho seguinte foi o San Lorenzo, justamente em janeiro.

No San Lorenzo, foram 20 jogos, com oito vitórias, cinco empates e sete derrotas. Houve problemas de relacionamento com o elenco, especialmente com os irmãos Ángel e Óscar Romero. A falta de harmonia interna teve um peso, mas foram os resultados inconstantes e o desempenho que ficou abaixo do esperado que definiu a sua saída, em maio, após a eliminação diante do Racing na Copa da Liga. Estava sem trabalhar desde então.

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Ideia que sai dos mesmos nomes

A ideia da diretoria do Bahia é interessante. É uma aposta, já que Dabove ainda é um nome que busca se estabelecer. A semelhança com Vojvoda é ser um técnico ainda nesta fase da carreira. A diferença é que o treinador do Fortaleza treinava fora do país e Dabove começava a ganhar repercussão interna. O estilo também é bem diferente: Dabove gosta de times que se defendem mais atrás, com meio-campo marcador e pontas rápidos para atacar em velocidade. É um time que não deve ser dominante na posse de bola, mas que tenta criar perigo pelos corredores.

É uma tentativa de fazer algo diferente dos nomes de sempre e ideias que fazem sentido. Afinal de contas, seu sucesso no Godoy Cruz foi em um time sem o poderio financeiro dos grandes argentinos. No San Lorenzo, porém, deixou dúvidas, mas o trabalho no Godoy Cruz e no Argentinos Juniors deixaram uma impressão positiva. No Bahia, sua missão será fazer uma campanha tranquila, de meio de tabela, e conquistar uma vaga em torneio sul-americano – que basicamente todos que não correm risco de rebaixamento conquistam.

Atualmente, o Bahia é o 13º colocado. Tem 18 pontos, três a mais que o Sport, primeiro time na zona do rebaixamento, e cinco pontos atrás do Athletico Paranaense, sexto colocado, último na zona de classificação à Libertadores. Chegar ao principal torneio continental parece uma missão difícil, mas ficar entre os 10 primeiros já seria um bom resultado para o clube.

A estreia do treinador ainda não será na próxima rodada, diante do Grêmio, fora de casa no sábado (21). Segundo o próprio Bahia, Bruno Lopes, técnico português que dirige o time de transição, será o técnico interino nesta partida. A estreia de Dabove será no dia 30, contra o Fluminense, fora de casa. Até lá, terá um pouco mais de tempo para trabalhar como quer que o time jogue.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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