A antiga lenda barrou o projeto frustrado de ídolo
Posicionado sobre a linha do gol, Dida protagonizou alguns dos maiores momentos da história do Corinthians. Foi contra ele que Edmundo perdeu o pênalti do título no Mundial de Clubes de 2000. E graças ao goleiro é que os alvinegros viveram um de seus maiores deleites em um clássico, nas cobranças de Raí durante a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1999. Nesta quarta, os corintianos tiveram que encarar sua lenda, a 11 metros de distância. Viram novamente o heroísmo do velho ídolo, sobreposto pelo fracasso de Alexandre Pato.
Dida defendeu três das cinco cobranças na decisão por pênaltis, que colocaram o Grêmio nas semifinais da Copa do Brasil. Foi muito bem para espalmar o chute de Danilo, telegrafou a cobrança de Edenílson. E, na última, desmoralizou Pato. A contratação mais cara da história do clube achou que venceria o ex-companheiro de Milan com uma cavadinha. O veterano não apenas defendeu, como encaixou a bola. Sua eficiência acabou ofuscada pela displicência do atacante.
Em mais de 20 anos de carreira, Dida se consagrou como um dos maiores pegadores de pênaltis da história. E qual a sua principal característica em situações do tipo? Esperar a bola sair dos pés do cobrador. Pato ignorou esse histórico. Faltou seriedade. “Eu bati como treinei”, disse, na saída de campo. Os treinos, pelo visto, foram em vão. E o antigo prodígio colorado foi falhar justamente contra o Grêmio, contra quem, nas prévias do jogo, dizia se dar bem.
Não bastasse o ridículo da situação, Pato é posto em xeque por várias outras frentes. É o preço astronômico que custou, o rendimento pífio do ataque corintiano, as aparições excessivas na mídia, as convocações para a seleção brasileira sem tantos méritos assim. O potencial que os alvinegros acreditam que o atacante tenha e que não se concretiza em campo. Mostrar vontade em alguns momentos não é o suficiente, ainda mais quando as falhas são tão expostas.
Pato precisa saber lidar com as críticas se imagina um dia vingar no Corinthians. Ver o muro do CT pichado com frases chamando-o de ‘comédia’ é o de menos. A pressão é inevitável, quando se pede comprometimento ao jogador e ele responde com uma penalidade decisiva tão desleixada. E a mudança de atitude precisa ser imediata, considerando a enxurrada de críticas e gozações que sofrerá nos próximos dias.
Para o Corinthians, não deverá ser tão difícil reaver o dinheiro investido em Pato. Mesmo que a fase não seja boa, dá para explorar a imagem internacional do atacante no mercado. A questão maior é a aposta feita pelos alvinegros, naquele que era propagandeado como o próximo craque do time. E que, diante de uma antiga lenda como Dida, talvez tenha desperdiçado de vez a chance de um dia ser respeitado pela Fiel.



