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Dez destaques da terceira rodada do Brasileirão

Terceira rodada do Brasileirão segue não trazendo muitas surpresas e com times competentes na ponta da tabela. Destaque para a ressurreição do Bahia contra o Internacional e pela boa partida do Fluminense contra o Criciúma, sem Fred e dias após a traumática eliminação diante do Olimpia na Libertadores. Separamos então dez pontos para se pensar na rodada deste fim de semana.

 

 

 

 

Um bom desafio para o Botafogo

Os céticos irão dizer que o Botafogo não estava preparado para ir longe neste Brasileiro, tal como no naufrágio silencioso do ano passado. Mas a verdade é que o Fogão largou bem neste ano e está nas cabeças. E olha que os adversários até aqui não foram qualquer coisa, excetuando o Santos, que ficou viúvo de Neymar. Diante do Cruzeiro, o Glorioso viu Lodeiro brilhar com dois gols para vencer mais uma (2 a 1) e chegar aos sete pontos na tabela, igualando a marca do São Paulo e do Vitória. Além da certeza de que irá muito bem diante dos grandes candidatos ao título, a equipe de Oswaldo de Oliveira também vê no meia uruguaio um substituto ideal para Seedorf quando este não estiver em campo. Lodeiro está numa temporada iluminada e pode assumir o papel de maestro quando o holandês não estiver apto.

Como assim, Inter?

Ninguém esperava que o Internacional fosse arrumar logo neste domingo a primeira derrota no ano, jogando no Centenário em Caxias do Sul. E com um detalhe ainda mais surpreendente: contra o Bahia em inferno astral. O Tricolor de Cristóvão Borges demonstrou bom poder de reação e neutralizou o Colorado de Dunga. O resultado de 2 a 1 para os visitantes gera duas grandes perguntas em torno dos envolvidos. Será que o Inter tem essa força que se supõe com um comando disciplinador de Dunga? E o torcedor do Baêa pode ter um fio de esperança na salvação deste ano que começou um pouco abaixo da escala “terrível”? Veremos no próximo capítulo, neste mesmo canal, deste mesmo campeonato.

O Fluminense consegue fazer mais de dois gols se quiser

A vida não é só um grande 0 a 0 para o Fluminense. Quando não é um magro 1 a 0 a favor dos tricolores, a gente até acha esquisito. O time de Abel Braga é tido como um dos melhores elencos do país, mas estranhamente não consegue imprimir tanta vantagem diante dos seus rivais. Esse drama parece ter acabado com a eliminação traumática na Libertadores e após a boa partida frente o Criciúma. 3 a 0, abuso da bola aérea e pasme: dois gols de Digão, o renegado após o pênalti estúpido no jogo de quarta-feira contra o Olimpia. Abel precisou fazer mudanças drásticas na sua formação para que o Flu se comportasse de forma diferente, não só como o dono da bola ou o campeão nacional. E assim jogou uma bola de bom concorrente, não dando chances ao Tigre e massacrando quando tinha a posse. Foram 18 finalizações, 7 no gol, 7 fora e quatro bloqueadas, mostrando a agressividade dos comandados de Abel. É de se esperar que o panorama seja esse de agora em diante.

Um novo Santos. Nem melhor, nem pior

O ano de 2013 está sendo complicado para o Santos. Sem um padrão de jogo, perdendo a sua principal referência em campo e agora com uma troca no comando, o alvinegro praiano procura uma transição do marasmo para a competitividade. Enquanto sonha com Marcelo Bielsa, o Peixe precisa reagir e o jogo contra o Grêmio dentro da Vila Belmiro no sábado (1 a 1) não inspira muita confiança no time. Rendido pelos gaúchos, o Santos esteve perdendo em grande parte do jogo e só conseguiu empatar porque o Grêmio cochilou em campo e permitiu a reação. Willian José marcou e os santistas talvez tenham ficado um pouco mais tranquilos com a chegada dele e com a cessão de André ao Vasco. Quando teve a bola consigo, o Santos chutou mais e quase virou com o menino Neílton, mas Dida impediu. O goleiro teve boa atuação, assim como Vargas e Zé Roberto. Mas que fazer se o restante do time não colaborou?

Dinei em forma, Vitória forte em casa

O Barradão tem sido palco de algumas boas partidas do Vitória de Caio Júnior. Lá, o Leão vai construindo uma boa temporada e pelo menos no início, dá a impressão de que brigará por algo até o fim do campeonato. Dentro da escala Caio Junior de decepções, ainda não podemos cravar exatamente o que será este objetivo, mas até aqui seu time tem feito um bom papel. Outra vítima dos baianos foi o Vasco, que passou perto de levar outra porrada no Brasileirão (2 a 0). Dinei brilhou de novo e mostrou que o perfil de bonecão do posto apresentado no Palmeiras era apenas uma má fase. Com dois gols, o atacante se mostra um oportunista e tem a companhia do inspirado Maxi Biancucchi, também atravessando boa fase. Será dificílimo arrancar algum ponto do Vitória dentro do Barradão e Caio Júnior sabe disso. É essencial manter essa garra do rubronegro diante de sua torcida.

Procura-se alguém que dê jeito no Vasco

Paulo Autuori precisa de mais tempo para trabalhar, mas o que vimos até aqui é muito preocupante para o torcedor do Cruzmaltino. Tenório esteve bem abaixo do que pode apresentar contra o Vitória, assim como a boa surpresa peruana Yotún. O Vasco tem se reforçado, mas parece não encontrar as peças que possam causar alguma mudança no ambiente conturbado do clube. O meio campo sumiu no Barradão e o homem de ligação com o ataque, Dakson, errou demais quando chegou lá na frente. Isso sem falar na inoperância de Edmílson ao lado de Tenório. Deu tudo errado contra os baianos, assim como na surra diante do São Paulo, quarta-feira. Quando não parece desmotivado, o Vasco peca pela ansiedade nos lances que podem definir uma situação dentro dos jogos. Caso isso seja uma tendência, é melhor o grupo se preparar para o pior.

Pois é, o São Paulo segurou o Atlético

Três semanas atrás, ninguém pensaria nessa possibilidade, mas sim, o Atlético Mineiro só empatou com o São Paulo no Independência. No primeiro confronto depois da louca classificação contra o Tijuana na Libertadores, o Galo voltou a rever sua torcida contra um adversário que já encarou quatro vezes neste ano. Diferentemente das lavadas na competição sul-americana, o São Paulo entrou neste Brasileirão com outro espírito e está preparado para a briga. O empate em 0 a 0 foi bom para o tricolor paulista, que continua na liderança e ganhou um ponto contra um rival direto. Tudo bem, o destaque são-paulino foi Rogério Ceni, que defendeu tudo que veio no seu gol, mas não podemos descartar a boa postura defensiva da equipe de Ney Franco no Independência. Apesar da expulsão de Denílson, o São Paulo teve pelo menos seis ocasiões de perigo onde o seu capitão e goleiro precisou se virar para evitar o gol. E olha que foram 13 chances para o Atlético abrir o placar.

O incrível Atlético Paranaense que não vence

Foi uma noite brilhante do menino Ederson, que jogou uma bola incrível contra o Flamengo. O placar foi de 2 a 2 e o meio campo do Furacão funcionou bem, mas parece que falta alguma coisa para que o Atlético Paranaense de Ricardo Drubscky vença. Os dois últimos duelos contra o Cruzeiro e o Flamengo deram a impressão de que o time paranaense seria uma das atrações surpresa neste Brasileiro. Especialmente contra o rubronegro carioca, o Furacão se postou bem em campo e levou perigo ao gol de Felipe. Ederson marcou duas vezes e só não esperava que o Fla fizesse uma blitz e buscasse o empate com Renato Abreu e Marcelo Moreno. No fim das contas, é uma pena que o padrão de jogo do Atlético não resulte em vitória. A pausa para a Copa das Confederações deve fazer bem ao Furacão, que usou quase todo o primeiro semestre na preparação para o Brasileirão.

Coritiba, a promessa a se cumprir no campeonato

Quando o Coritiba foi até o Serra Dourada e buscou o empate em 1 a 1 com o Goiás, poucos repararam que se tratou de um bom resultado para as ambições de Alex e seus companheiros. É verdade que o mei0-campo coxa branca só funcionou na marcação e com Geraldo, mas ainda sim não foram 90 minutos para se jogar fora. Enfrentando a ansiedade dos goianos, aflitos atrás de sua primeira vitória, o Coxa se aproveitou dos espaços concedidos e dos contragolpes. Dinâmico, o time paranaense consegue fazer boas transições da defesa para o ataque e as boas participações de Geraldo facilitam o apoio a Deivid, que quase sempre joga sozinho no ataque. Neste sábado não foi diferente. A ver se alguns poucos reforços irão tornar esse time mais consistente do que já é. Com Alex esse Coritiba vai?

Corinthians se reencontra com a vitória

Um dos grandes favoritos ao título, o Corinthians suou, mas conseguiu vencer a Ponte Preta por 1 a 0. É a primeira vitória do Timão no Brasileiro, que veio com Ralf  jogando o fino da bola. Faltou pontaria ao ataque corintiano, mas Emerson fez o gol salvador restando 15 para o apito final. A eliminação contra o Boca na Libertadores e com arbitragem controversa ainda dói na equipe de Tite, que sente estar sem um pouco do seu poder de fogo, os atacantes perdendo gols que normalmente sairiam com facilidade e uma apatia estranha no primeiro tempo dos seus confrontos. Os três pontos conquistados contra a Macaca podem servir de impulso para um crescimento nas próximas rodadas. O Corinthians precisa dessa confiança para chegar mais longe na temporada.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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