Brasil

Devagar com o andor

Santos e Palmeiras fizeram um dos melhores jogos da temporada no último domingo. Mostrou que o Santos tem um futebol muito vistoso, rápido e técnico, mas também mostrou que ainda é preciso corrigir defeitos táticos que a equipe apresenta.

O futebol do Santos é o melhor do Campeonato Paulista até agora. Dizer que o time sofrerá um abalo pela derrota para o Palmeiras é tão precipitado quando dizer que o Santos era o melhor time do Brasil antes da derrota. O que vemos é um time com jogadores talentosos, que tem como vocação a velocidade e a habilidade, mas que ainda não tem uma definição tática precisa nem um sistema defensivo confiável. E por sistema defensivo, não falo dos volantes e zagueiros nominalmente, mas sim no sistema de marcação da equipe desde o campo de ataque. Como a Inter mostrou no jogo contra o Chelsea na Liga dos Campeões, é possível jogar com três atacantes e, ainda assim, fazer uma marcação forte no adversário.

Entra na conta da derrota o fator psicológico também. O Palmeiras tentou se impor na força, na catimba e no grito, como fez Diego Souza ao gritar no ouvido de Pará depois do primeiro gol. Sem entrar no mérito de ser certo ou errado, o time do Palmeiras encorpou e conseguiu o empate ainda no primeiro tempo – um golpe na confiança de quem fez 2 a 0 no início do jogo e parecia ter domínio completo da partida. O gol da virada logo no início do segundo tempo foi outro golpe no time, mas mostrou também um problema: a marcação. No lance, a defesa assistiu o toque de cabeça que fio para o meio, bateu na trave e depois encontrou Diego Souza livre para mandar para as redes, de peixinho.

O Santos com o meio-campo composto por Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso é criativo e técnico, mas pouco eficaz quando precisou marcar um time com dois meias, como o Palmeiras com Cleiton Xavier e Diego Souza. Obrigou os três a fazerem a marcação e deixarem espaço para o adversário. Isso porque o trio de frente – Robinho, André e Neymar – não ajuda na marcação, o que torna a tarefa de meio-campistas e defensores muito mais pesada.

O terceiro gol do Santos, que empatou novamente a partida, mostrou um Paulo Henrique Ganso que dá cada vez mais sinais de ser um jogador raro. O meia fez uma assistência precisa para Madson marcar. O quarto gol do Palmeiras, porém, evidenciou um problema que ainda terá que ser revisto por Dorival Júnior: o único volante da equipe. Arouca, que é um jogador técnico, perdeu a bola como último homem do meio-campo, já na intermediária, para o estreante Lincoln, do Palmeiras, e Roberto bateu de longe para marcar.

O Santos tem um time capaz de ir longe e ser campeão paulista. Mais do que isso, é um time que pode se fortalecer para brigar também no Campeonato Brasileiro. Porém, para isso, precisará de consistência tática. Ainda é preciso que o trio Robinho-André-Neymar cumpra funções também de recomposição. Robinho, especialmente, é capaz de fazer isso, como já fez no Manchester City e na Seleção Brasileira.

O time ainda se acerta melhor taticamente com um volante no lugar de um dos atacantes (como quando Robinho foi para a seleção). Dorival terá que achar uma solução que comporte todos os atacantes, mas não exponha o time da forma como se viu no jogo contra o Palmeiras.

A derrota não tornou o Santos um time fácil de ser batido,nem com um futebol ruim. Assim como as vitórias e a sequência invicta no Campeonato Paulista não tinha tornado o time “o melhor do Brasil”. É bom tercalma antes de rotular o time dessa forma.

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Equipe Trivela

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