Brasil

Desfalques do Santos pesaram, mas vitória do Corinthians no clássico traz bons indícios e alertas aos dois rivais

Campeonatos estaduais dificilmente são parâmetro para a temporada dos clubes brasileiros. Menos ainda quando estão em seu princípio. De qualquer forma, o clássico deste domingo entre Corinthians e Santos, vencido pelo time da capital por 2 a 0, serviu para algumas observações de ambos os lados. Mesmo desfalcada, a equipe santista poderia ter feito mais. Já os donos da casa demonstraram boa organização coletiva, tiveram boas notícias individuais e vão com confiança para seu primeiro duelo pela pré-Libertadores.

[foo_related_posts]

Titular em jogo oficial pela primeira vez, Cantillo se destacou – assim como no segundo tempo contra a Ponte Preta, no meio da semana. Foi o metrônomo do time do Corinthians, acelerando e desacelerando o jogo e sendo essencial ao primeiro gol corintiano. O colombiano inverteu a bola com precisão para Fágner, que cruzou para Everaldo; o ponta, com tempo e espaço, escolheu como bater e fez 1 a 0 com menos de dois minutos de jogo.

Também antes dos dois minutos de bola rolando, mas no segundo tempo, o Corinthians chegou a seu segundo gol em boa jogada coletiva com participações individuais ainda melhores. Sidcley roubou a bola na defesa em um lance que parecia perdido. Lançou o time ao ataque pela ponta, e Boselli caiu para a linha lateral, observou suas opções e, do meio do campo, fez lançamento primoroso para Janderson. Descendo em diagonal, em meio à defesa do Santos, o garoto dominou e finalizou com precisão, ampliando o placar.

Se, por um lado, podemos questionar a existência da regra que pune jogadores por comemorarem em contato direto com sua torcida, por outro este regulamento é bem conhecido. Janderson, já com cartão amarelo, se deixou levar pela emoção do gol, subiu a escada de segurança diante da torcida organizada corintiana e acabou levando o segundo amarelo e sendo expulso.

O cartão vermelho abriu espaço para novas histórias no jogo. Pelo lado do Corinthians, a boa notícia foi a reorganização do time diante da inferioridade numérica. Camacho, machucado, saiu logo em seguida e deu lugar a Gabriel. Luan então foi retirado, para a entrada de Piton. Com isso, Tiago Nunes armou o time em duas linhas de quatro, com Boselli sozinho à frente.

Neste esquema, os anfitriões conseguiram segurar o Santos por todo o segundo tempo, sem ver o resultado verdadeiramente ameaçado e, ao mesmo tempo, criando oportunidades para um terceiro gol – sobretudo após a saída de Everaldo para a entrada de Vital, responsável por jogar mais próximo de Boselli.

O atacante argentino, por sinal, foi outra das boas notícias individuais do Corinthians no clássico. Artilheiro do time no Paulistão, com quatro gols em quatro jogos, ele não balançou as redes aqui, mas mais uma vez teve participação positiva no jogo ofensivo alvinegro, com desempenho acentuado pelo passe para o gol de Janderson. Dentre os jogadores do elenco do ano passado, é dos que mais parecem estar se beneficiando do estilo de jogo do novo treinador.

Do lado dos visitantes, é importante ressaltar que havia desfalques importantes. Soteldo, que retornou há pouco da seleção venezuelana sub-23, e Sánchez, com desconforto muscular, não foram ao jogo. A eles, somaram-se Alison, Veríssimo e Marinho. Com tantos titulares indisponíveis, o desempenho evidentemente seria afetado. De qualquer forma, era preciso mostrar mais, sobretudo no segundo tempo.

Mesmo jogando toda a etapa final com um a mais, o Santos não preocupou o adversário. Os blocos de meio de campo e ataque pareciam distante do da zaga, e o repertório de jogadas ofensivas foi limitado, resumindo-se em sua maioria a bolas levantadas na área – e facilmente afastadas pela zaga do Corinthians na maior parte do tempo.

Os problemas foram parecidos com os vistos até aqui neste começo de temporada santista, com exceção talvez ao jogo com a Inter de Limeira, no meio da semana.

Tudo isso, é claro, não é motivo para se colocar em dúvida o trabalho de Jesualdo Ferreira, que mal começou no cargo. São indicações, no entanto, das principais correções a se fazer neste começo de ano em termos de construção de jogadas.

O Santos tem todo um mês para apurar seu futebol antes de seu primeiro jogo verdadeiramente relevante, contra o Defensa y Justicia, pela estreia da fase de grupos da Libertadores.

O Corinthians, envolvido na fase prévia da competição, precisava mesmo demonstrar uma evolução mais imediata. Já na quarta-feira (5), enfrenta o Guaraní, na partida de ida de um duelo que definirá quem vai de fato para a competição continental. Por ora, as exibições são irregulares – nada fora do comum. Mas os bons sinais estão aí e dão esperança à torcida para o jogo contra os paraguaios.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo