Brasil

O futebol brasileiro precisa de tanto que nem um milagre de Natal é capaz de satisfazer

Se o Natal é tempo de esperança, então tudo bem termos o desejo de que o futebol brasileiro vai melhorar em breve

O Natal é um dia sem muitas notícias futebolísticas. Nem mesmo a Premier League, liga que acostumamos a ver jogos nos dias mais improváveis, vai ter partidas neste 25 de dezembro. Por isso a Trivela faz nesta segunda-feira, dia do Natal, um exercício de criatividade e brincadeira com a data. Ao longo de todo o dia, soltaremos textos com a lista de desejos básicos para clubes do Brasil e da Europa que você está acostumado a seguir por aqui. Ah, também vamos fazer a cartinha do Papai Noel da Seleção Brasileira (se vira, Noel!).

E para começar, não vamos com nenhum clube, mas sim com o nosso querido futebol brasileiro. Novamente não foi um ano tão bom para o nosso querido, mas desta vez os problemas não se limitaram ao que aconteceu fora de campo. Nos gramados, muitos problemas também, principalmente com a nossa Seleção. Por isso nossos desejos ao futebol brasileiro são muitos, mas vamos aqui resumir a três que consideramos os mais importantes.

Chega de corrupção no futebol brasileiro

Não tem como o primeiro desejo ser outro, não é verdade? Já são décadas (literalmente) que as manchetes das páginas policiais são tomadas por casos de corrupção envolvendo entidades e clubes do futebol brasileiro. A maior paixão nacional virou caso de polícia porque muita gente se aproveita deste sentimento para encher os próprios bolsos ou criar o próprio nome com foco em fins nada futebolísticos. Afinal, quantos dirigentes já não foram eleitos vereadores, deputados…

O primeiro desejo é difícil de ser cumprido, é claro, mas a esperança é a última que morre. O Brasil segue sendo um celeiro absurdo de produção de talentos futebolísticos, mas isso não está mais refletindo dentro de campo e muito disso é culpa da desorganização fora dele. Menos politicagem e mais projeto é que o desejamos ao futebol brasileiro.

Fim da violência endêmica que toma conta do futebol brasileiro

Em 2023, assim como em todos os anos, cenas de violência marcaram o ano do futebol brasileiro. Torcedores (será?) organizados que se juntaram para tentar agredir dirigentes, jogadores, comissão técnica de seus times por estarem frustrados com resultados dentro de campo. O ato de violência mais marcante do ano ficou por conta de parte da torcida do Santos, que ao testemunhar o primeiro rebaixamento da história do time no Campeonato Brasileiro, simplesmente queimou carros, ônibus e entrou em choque com a polícia.

Cenas lamentáveis como estas produzem um efeito em cascata que, entre outros, mancha o nome do futebol brasileiro, afasta investimentos e até jogadores. Ou você acha que a violência não assusta quem está dentro de campo e que, por isso, na primeira oportunidade, opta por trocar de país? Se quer ser levado a sério, o futebol brasileiro precisa de unir com a Justiça do país e punir de forma efetiva quem pratica violência dentro e fora dos estádios. Era para ser o mínimo, mas…

Mais espaço e projetos para as mulheres que jogam futebol

Em 2023 tivemos mais uma edição da Copa do Mundo Feminina e, novamente, o Brasil foi muito mal. Mais uma vez, no entanto, os holofotes nos mostraram falta de condições e incentivos básicos para as mulheres que praticam futebol no Brasil, o que, obviamente, reflete dentro de campo. Em 2024 temos os Jogos Olímpicos e dificilmente as situações vividas neste ano na Austrália e na Nova Zelândia não vão se repetir.

Podemos contar nos dedos de uma mão os clubes que realmente levam o futebol feminino a sério no Brasil. Sem apoio, sem estrutura, sem categorias de base sérias, o esporte não irá para frente no país e ficaremos (ainda mais) atrasados em relação ao resto do mundo. Um lugar que se diz o país do futebol, em pleno 2024, não pode fazer distinção de sexo na hora de criar projetos e redes de apoio.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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