Brasil

Descanse em paz, Rodrigo

Rodrigo Rodrigues possuía um dom para fazer televisão. O apresentador carioca tinha um magnetismo com a câmera. Como jornalista, sabia muito bem balancear a conversa informal com a informação. E também conduzia com leveza os seus programas, num estilo que se casou bastante com a cobertura esportiva. RR era um grande talento e, não à toa, passou pelos principais canais de esporte da TV brasileira – ESPN, Esporte Interativo e Sportv, além de deixar sua marca na Cultura, na Gazeta, no SBT, na Band, na Rede Vida, na Placar, na Globo.

A existência se amplia, também, pelas boas memórias que uma pessoa deixa. Se você acompanhava o trabalho de Rodrigo Rodrigues, certamente vai mantê-lo na lembrança. Eu, particularmente, achava essa passagem pelo Troca de Passes a melhor da carreira dele, mesmo depois do pioneirismo no Resenha ESPN. E a quem conviveu com RR de perto, as boas memórias são inúmeras. Basta ver as manifestações em massa do jornalismo esportivo brasileiro diante da triste notícia de sua morte.

Por mais que as boas memórias fiquem, Rodrigo Rodrigues poderia dar muito mais vida ao seu entorno. Aos 45 anos, tinha uma longa estrada pela frente. Continuaria seu trabalho excelente no Sportv, juntaria esporte e cultura, misturaria com suas outras paixões – como a música, a viagem, o cinema e o Flamengo, também parte da obra do jornalista nas mais diferentes mídias. Sobretudo, poderia dar mais vida aos seus familiares, aos seus amigos, a tantas pessoas queridas.

Nas últimas horas, do desejo de força ao sentimento de luto, as manifestações de quem realmente conhecia Rodrigo Rodrigues foram unânimes – e são estes que importam: quem realmente o conhecia, sabe o tamanho da perda e precisa de apoio. Falavam sobre um cara generoso, de um coração enorme, sempre atencioso, empolgado em viver, de ótimo humor, simpático. É tudo isso que se vai. É tudo isso que também RR colocava a serviço do jornalismo e, assim, a quem apenas assistia ao seu trabalho, muitas vezes ele parecia uma pessoa próxima. Se o vazio é grande a quem vê de longe, é inimaginável a quem estava por perto.

Não tem como medir a perda de Rodrigo Rodrigues. Ficam as condolências a quem o amava, o consolo aos familiares, o luto no jornalismo esportivo, a força para quem seguirá em frente com esta dor no peito. RR ressalta um pouco mais como os números assombrosos da COVID-19 não são apenas números, são histórias – e histórias daquelas que a gente também pode conviver no dia a dia, mesmo que diante da tela da TV. Entre as complicações que se agravaram repentinamente, ressalta como todo cuidado segue necessário e como precisamos cuidar de todos ao redor.

Descanse em paz, Rodrigo. Não são somente as pessoas próximas que sentirão sua falta, e esta marca de seu talento fica para sempre.

Como sugestão de leitura, fica a indicação do texto de outro talento, PVC, que conviveu com Rodrigo Rodrigues e apresenta com mais proximidade a sua personalidade.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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