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Desafiamos você a ver qualquer minuto deste vídeo com dribles de Ronaldo sem se hipnotizar

Em seu ápice físico, Ronaldo parecia controlar o tempo. Era como se ele estivesse no mesmo campo, mas em outra dimensão, na qual a rotação de seus movimentos acontecia de maneira muito mais acelerada do que a de seus adversários. O camisa 9 passava por todos quando queria. E, mais impressionante ainda, como queria. A velocidade se perdeu com o tempo e com as lesões, mas não a habilidade ímpar. Se não podia mais fazer os marcadores comerem poeira, conseguia deixá-los com tontura por seus dribles. Um repertório imenso de pedaladas, elásticos e giros que até pareciam retardar o caminho do craque, mas na verdade o aproximavam cada vez mais do gol. Botavam o artilheiro irresistível pronto para executar sua fina arte da finalização.

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O Ronaldo dos anos 1990 pode ser considerado um revolucionário. Poucos conseguiram combinar tamanha habilidade com a força física que ele ganhou com o tempo. Parecia ser um jogador vindo do futuro, pronto para destroçar defesas e carregar, com a bola rente aos pés, o futebol rumo a uma nova era. O Ronaldo dos anos 2000, por sua vez, surgiu como um rei de volta ao trono. De seus percalços, redescobriu suas virtudes. Adaptou-se conforme as limitações e, sem a mesma mobilidade, manteve-se letal mais próximo da área – ou até mesmo como armador. Um jogador completamente diferente, igualmente genial. Uma das principais essências de um craque, aliás, esta nesta capacidade de se transformar.

A vida de Ronaldo se permeou por estas idas e vindas, por estas antíteses em si. As pernas que se entrelaçavam em dribles e as arrancadas cheias de objetividade. A convulsão e o poder de decisão nas finais de Copa do Mundo. O impacto físico que se tornou modelo e o joelho que insistia a estourar. Mas não só no futebol. Nestas oposições, ao menos, nossa memória tem a possibilidade de revisitar o passado para redescobrir o Fenômeno de outrora. Que o agora empresário e comentarista esteja distante de conquistar a unanimidade, as lembranças de dentro do campo servem para preservar o velho craque. O ídolo dos gramados que permanece, apesar das recorrentes declarações questionáveis. Aquele Ronaldinho que encantava:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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