De promissor a tampão: o que aconteceu com Dorival Júnior?
De exímio em planejamentos a tampão em meio ao desespero. Dorival Júnior completa dez anos como técnico em 2013. Um intervalo suficiente para que sua carreira sofresse uma transformação brusca. Aquele treinador que era apontado por muitos como um dos mais promissores do Brasil, competente o suficiente para traçar trabalhos em longo prazo, parece já não existir mais. Em seus últimos cinco times, sem exceção, o comandante só foi nomeado para desarmar bombas em fim de temporada. Quase sempre sem emplacar.
A prova maior dessa mudança de perfil veio nesta semana. Dorival Júnior assinou um contrato de cinco jogos com o Fluminense. Planejamento pra que, não é mesmo? O técnico tem como única missão salvar os tricolores da Série B. Ignora o próprio futuro ao não buscar um vínculo mais longo com os cariocas – que, assim, indicam que o novo contratado não é o ideal que têm em mente caso o time permaneça na primeira divisão. De certa forma, a autoadmissão de que não está com moral para exigir muito de seus novos empregadores.
De técnico em ascensão a bombeiro
O primeiro trabalho de Dorival como técnico, no Figueirense, foi justamente o que mais durou. Foram dois anos, ajudando o time a conquistar um estadual e posições confortáveis no Brasileiro. Já a vitrine aconteceu no São Caetano, em 2007, com o qual foi vice-campeão Paulista. Dias depois, era contratado pelo Cruzeiro. Na Toca da Raposa, Dorival teve a chance de conduzir o time durante todo o Brasileirão, classificando-o à pré-Libertadores. A queda de rendimento do time na reta final da campanha, entretanto, resultou em sua desgraça. O trabalho era reconhecido como bom pelos dirigentes, mas faltava experiência para dirigir o time no torneio continental. Acabou demitido para a chegada de Adílson Batista.
As passagens por Coritiba, por Vasco e, principalmente, por Santos selaram sua imagem como treinador em ascensão. Levou os paranaenses à parte superior da tabela em 2008, planejou o acesso dos cariocas de volta à Série A em 2009 e montou uma equipe encantadora com os paulistas em 2010. Ao expor o talento de Neymar e Paulo Henrique Ganso, conquistou a Copa do Brasil e o Campeonato da Vila. Mas, se os Meninos da Vila garantiram seu sucesso, também foram a fonte de sua desgraça, quando o atrito com os prodígios abriu as portas a sua saída.
Gabaritado por dois títulos tão contundentes, Dorival Júnior era o bote de salvação do Atlético Mineiro no Brasileirão de 2010. Evitou o rebaixamento com uma arrancada espetacular. No ano seguinte, tinha o caminho livre para planejar o futuro, mas não engrenou e acabou perdendo o emprego no início do segundo semestre. Uma constante que tomaria conta de sua carreira. Embora não tenha salvo Internacional e Flamengo de maneira tão contundente, seu comando nos dois clubes se desenvolveu da mesma maneira. Desempenhos corretos quando assumiu, em meados do Brasileiro, e declínio a partir do planejamento do início do ano.
Ainda dá para virar o jogo no Fluminense?
A imagem de Dorival saía mais desgastada do que nunca do Flamengo. Outra vez, demonstrou não ter pulsos para administrar o elenco e time não engrenou. Ainda assim, a chance que parecia inimaginável veio no Vasco, onde tinha créditos pela conquista da Série B. Mas faltava confiança de que conseguiria fazer evoluir um grupo tão limitado e a queda rumo à zona de rebaixamento culminou em sua demissão três meses depois.
Ao Fluminense, não resta nada além do que apostar. Se o time não vencia há nove rodadas com Vanderlei Luxemburgo, era hora de mudar e ver se um novo comandante consegue encontrar o rumo perdido, ao menos para evitar o pior. Em seu terceiro time no Rio de Janeiro apenas em 2013, Dorival Júnior não tem muito a perder. Porém, também não tem muito a ganhar, já que o acordo que fez com os tricolores não indica nenhuma continuidade. Precisa reinventar um elenco melhor do que o de qualquer outro concorrente na parte inferior da tabela e, para isso, não terá uma tabela tão complicada assim pela frente.
A interrogação sobre o futuro da carreira de Dorival Júnior se torna ainda maior. Pode muito bem manter o time na Série A e seguir em frente em 2014, mesmo que seus antecedentes não o favoreçam para isso. Se não renovar no final do ano, sai sem muito moral pelas condições às quais se sujeitou, ainda que evite a queda. O que parece mais concreto é que não será nas Laranjeiras que o técnico recuperará a antiga fama. O casamento por conveniência sugere mais uma esperança momentânea para Flu e Dorival do que um sucesso duradouro.





