Cruzeiro x Atlético teve final daqueles que só os grandes clássicos nos proporcionam
O duelo era importante para o Cruzeiro na tentativa de se distanciar do Z4. Para o Atlético Mineiro, o que estava em jogo era manter o Corinthians a uma distância de apenas três pontos e seguir vivíssimo na briga pelo título. Apesar dos cenários e momentos opostos entre os dois, o clichê se confirmou e o clássico não teve favoritos. No final, empate em 1 a 1 no Mineirão. E melhor do que o duelo de concentração que as equipes travaram ao longo de quase todos os 90 minutos, apenas os momentos finais do jogo, tão eletrizantes quanto você poderia esperar de tamanha rivalidade.
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Pressionado pelo Atlético Mineiro e bem posicionado na defesa, o Cruzeiro esperava os momento certos para ameaçar o adversário em contra-ataques. Ficar atento para possíveis vacilos da Raposa também era uma das estratégias, e foi justamente em um dos poucos momentos de distração do Galo que os mandantes do clássico abriram o placar. Após uma série de trapalhadas da defesa do Atlético para afastar uma bola levantada, Willian tomou a posse e bateu como pode nela. Pego de surpresa, Victor não teve tempo de se ajeitar para defender como gostaria e viu a bola passar entre suas pernas.
Logo aos sete do segundo tempo, Mena recebeu seu segundo cartão amarelo na partida e deixou o Cruzeiro com a difícil tarefa de segurar o rival com um a menos por toda a etapa complementar. Naturalmente, isso aumentou o volume de jogo do Atlético, mas mesmo em desvantagem numérica a Raposa conseguia emplacar alguns contra-ataques. Em um deles, Alisson saiu confortavelmente com a bola e teve o tempo todo Willian a seu lado, dando-lhe a opção do passe fácil para fazer 2 a 0 e quem sabe fechar a partida. O garoto hesitou, hesitou, tentou a finalização e foi parado por Victor, que começava a compensar a falha no gol cruzeirense.
Depois de uns bons minutos de ataques atleticanos, contra-ataques cruzeirenses e nenhuma alteração no placar, o jogo pegou fogo. Aos 44 do segundo tempo, Carlos, em jogada aérea, empatou tudo para os visitantes. A festa do Atlético foi enorme, proporcional ao tempo que o time passou pressionando o rival pelo gol do empate. Mas a alegria durou pouco e logo deu lugar à preocupação: no lance seguinte, Jemerson derrubou Willian na entrada da área, e Leandro Vuaden assinalou o pênalti. Frente a frente, dois dos principais personagens do jogo: Willian e Victor, e o goleiro terminaria de recompensar a torcida atleticana pelo erro que cometera ainda na primeira etapa.
Willian escolheu o canto direito de Victor e bateu a baixa altura. O goleiro, conhecido por seus milagres e ídolo atleticano por causa deles, voou para espalmar e impedir o que seria um frustrante gol da derrota atleticana.
A defesaça de Victor ainda deu um gás final para o Atlético buscar o que seria uma virada marcante, mas parou em ótimas defesas de Fábio. Se os 90 minutos anteriores haviam sido de equilíbrio, concentração e tentativa de diminuição e exploração de erros, os cinco minutos finais foram de coração, garra, garganta. Não foi o resultado sonhado por nenhum dos dois clubes, que tem objetivos bem claros no campeonato. Mas foi o tipo de clássico que reforça o significado e a grandeza que jogos como esse têm.



