Craques, bad boys, radialista treinador: Flamengo do pior ataque do mundo no Meu Time de Botão
Por Paulo Júnior e Leandro Iamin
Pior ataque do mundo, pior ataque do mundo; pare um pouquinho, descanse um pouquinho, Romário, Sávio e Edmundo.
Quem diria que um trio ofensivo formado pelo melhor jogador do planeta eleito pela Fifa, por um jovem então bicampeão brasileiro e por uma revelação do clube alçada (entre tantos) a status de novo Zico seria lembrado muito mais pela paródia de um jingle originalmente criado por um comercial da Varig que pelos lances e gols dentro de campo?
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Foi o que aconteceu com o Flamengo de 1995, ano do centenário do clube de maior torcida do país, e a trinca ofensiva, caso a geração MSN e BBC não reconheça, foi montada com Romário, contratado junto ao Barcelona, Edmundo, que chegou do Palmeiras dos lactodólares, e Sávio, prata da casa, vindo do Espírito Santo ainda aos 14 anos.
O time comandado por Vanderlei Luxemburgo, campeão nacional com o Palmeiras, até começou bem no Campeonato Carioca, com ótima campanha na Taça Guanabara e título para cima do Botafogo num encontro histórico do duelo Romário x Túlio: o botafoguense foi expulso, o Baixinho marcou duas vezes e a taça foi para a Gávea com a vitória por 3 a 2.
O regulamento à época, porém, não colocava o campeão da primeira fase na grande decisão: apenas oferecia pontos extras na fase final. E, mesmo com a bonificação do rival, o Fluminense chegou à última rodada precisando vencer o Flamengo para dar a volta olímpica. No jogo decisivo, com óbvia cara de decisão, 120 mil pessoas assistiram ao gol de barriga de Renato Gaúcho e à volta olímpica tricolor.
O Flamengo, com dois meses para o Campeonato Brasileiro, remontou o elenco e contratou Edmundo. Mas o time naufragou, primeiro com Luxemburgo demitido, depois com Edinho também não resistindo, e por último com o radialista Washington Rodrigues, o Apolinho (!), como treinador. É isso mesmo. A maior torcida do país acompanhou no ano do aniversário de 100 anos um time com o melhor jogador do mundo, o Animal, cobiçado por todos, e um jornalista como comandante. Surreal.
A histórica apresentação de Edmundo com Romário puxando a música dos bad boys:
A campanha no Brasileiro é trágica, sem Maracanã, devido a uma briga com a FERJ, e apanhando da maioria dos rivais. Na Supercopa dos Campeões da Libertadores, aquela em que Edmundo levou um impressionante soco de Zandoná contra o Vélez Sarsfield, a chance de terminar o ano em alta com a torcida escapou por pouco: a vitória por 1 a 0 no jogo de volta da final contra o Independiente foi insuficiente diante da derrota por dois gols no primeiro jogo.
É tanta história que o Flamengo de 1995 rendeu uma edição do Meu Time de Botão, podcast da Central 3 apresentado por Leandro Iamin e Paulo Junior que detalha os estrelões de escalações históricas. Geralmente, campeãs ou marcantes dentro de campo. Esta, muito mais pelo folclore de um time que não vingou.



