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Como o Corinthians recuperou dinheiro bloqueado e resolveu atraso de salários

Timão travou batalha judicial para garantir a posse de premiação e resolver pendências com jogadores e comissão técnica

O Corinthians pretende quitar todos os salários do elenco profissional e comissão técnica até esta quinta-feira (23).

O clube conseguiu nesta quarta-feira (22) a liberação do valor referente a premiação do Campeonato Brasileiro e usará a verba para acertar as pendências que tem desde o dia 7 de janeiro.

A quantia de R$ 33,7 milhões faz parte do acordo de direito de transmissão e é referente a campanha do 7º colocado do Timão na última edição do Brasileirão.

O pagamento foi feito em juízo pela TV Globo por conta de dívidas que o Corinthians possui com a Caixa Econômica Federal referente a Neo Química Arena.

O Timão deve mais de R$ 700 milhões ao banco público por conta do estádio.

Desde o último dia 27 de novembro há uma campanha liderada pela Gaviões da Fiel, principal torcida organizada corintiana, para arrecadar fundos e quitar a dívida. Atualmente, a “vaquinha” já soma pouco mais de R$ 35 milhões em contribuições.

Conforme apuração da Trivela, alguns pagamentos já foram depositados nesta quarta-feira (22). O clube trabalha para finalizar as quitações o mais rápido possível, mas há a possibilidade de alguns depósitos serem feitos somente nesta quinta-feira (23).

A informação da liberação da quantia que fará com que o Corinthians arque com os compromissos de jogadores e comissão técnica foi noticiada inicialmente pelo “UOL” e confirmada pela Trivela.

Augusto Melo Vinicius Cascone
Diretor jurídico do Corinthians, Vinicius Cascone é o grande aliado político de Augusto Melo atualmente (Foto: IMAGO / Fotoarena)

Corinthians travou batalha judicial para liberar quantia bloqueada

O Corinthians sabia do bloqueio da premiação referente ao Brasileirão de 2024 e desde o início do ano tentava reverter a situação.

O trabalho do departamento de negócios jurídicos, liderado pelo diretor Vinicius Cascone, era para reverter a situação antes da estreia do Campeonato Paulista, na última quinta-feira (16).

Porém, isso não foi possível por conta de entraves jurídicos. O principal deles a assinatura da juíza responsável pelo caso embargando o valor da premiação.

Isso ocorreu após a Caixa entrar com uma medida judicial federal para que as quantias relacionadas à transmissão fossem bloqueadas.

O Corinthians conseguiu derrubar as medidas com base em dois argumentos:

  • O pagamento de encargos com o banco público usando-se de valores relativos a direitos de transmissão;
  • O Regime de Centralização de Execuções que foi aceito pelo Tribunal de Justiça de São Paulo no fim de novembro e até o dia 26 de janeiro impede que as contas do clube sejam bloqueadas e que os bens sejam penhorados.

Isso sem contar na participação da própria Caixa Econômica Federal como linha auxiliar do projeto de arrecadação liderado pela Gaviões da Fiel.

Todo valor depositado na campanha “Doe Arena” cai em uma conta do banco público que tem acesso bloqueado e só será movimentada ao fim do período de seis meses previsto inicialmente para a atividade do movimento ou o alcance da meta de arrecadação, que é R$ 700 milhões.

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Mesmo com problema judicial, Corinthians tentou ao máximo não atrasar pagamentos

Os departamentos financeiro e jurídico do Corinthians sabiam dos problemas com fluxo de caixa do clube em janeiro desde os últimos meses de 2024.

Por isso, existiu um movimento em busca de receita extra para evitar o atraso dos pagamentos em janeiro.

Entre outras coisas, a instituição recorreu até mesmo a empréstimos bancários, mas não teve sucesso por conta do alto valor solicitado e ausência de garantias financeiras.

O bloqueio da premiação do Brasileirão impediu que fosse possível até mesmo usar a quantia congelada para isso, já que ela não era de posse do Timão.

“Vencida”, a direção corintiana comunicou o atraso ao executivo de futebol Fabinho Soldado, que foi o responsável por explicar a situação aos atletas.

O argumento levado pelo dirigente foi bem aceito pelo grupo, principalmente por ser o primeiro atraso da gestão e pela boa relação que o elenco tem com o executivo, que atenuou possíveis problemas.

Ainda assim, com o passar dos dias, alguns jogadores já haviam manifestado o descontentamento com a inadimplência, principalmente pelo não cumprimento do prazo inicial para os acertos.

Essas reclamações foram levadas a Fabinho Soldado, que foi o grande responsável por “equilibrar os pratos” e evitar que a situação ganhasse proporção maior.

Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue a São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília.

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