Brasil

Contrastes de sábado

Usar a expressão “nivelado por baixo” tem sido um abrigo seguro e confortável para os que simplesmente não gostam do Campeonato Brasileiro atual. Geralmente, os que são seguidores da linha que preferem ficar no hotel dormindo a ir ao estádio ver um jogo de Copa do Mundo. Pois os jogos do último sábado, especificamente no Morumbi e no Machadão, mostraram que o torneio nacional tem bem mais contrastes do que nivelamento.

A fragilidade do América é, de longe, a situação mais abissal do torneio. Impressiona, negativamente, a forma com que a equipe potiguar caminha a passos gigantescos para a lanterna. Contra o Juventude, dentro do Machadão, parecia o momento propício para três pontos. Pois como havia sido contra o Náutico, também em casa, o Mecão sucumbiu, levou de três.

A forma com que ocorrem os gols do Juventude deixa transparecer uma passividade grande diante dos acontecimentos, o que denota não só aspectos técnicos para explicar a situação potiguar no campeonato, mas também problemas emocionais, já que todos os gols ocorrem no último terço do segundo tempo. Ainda assim, é necessário lembrar do erro gravíssimo da arbitragem ao validar o segundo gol dos gaúchos.

A situação do América, ainda mais que a do Náutico e do Juventude, por exemplo, merece um exercício de análise muito mais profundo do que três parágrafos de coluna. Há erros terríveis de planejamento e montagem do elenco em toda a temporada, agravados por uma infeliz derrota no cenário estadual, decisiva para dar ao clube e sua infeliz direção mais 15 jogos torturantes no ano. Melhor seria acabar já.

Caminhando na direção sul do país, impressiona ainda a forma com que o São Paulo tem liqüidado os adversários. Mesmo sem ter uma parte técnica tão destoante dos demais, a equipe de Muricy Ramalho sobra nos quesitos físicos, táticos e, claro, mentais. A segurança são-paulina dentro de campo, mesmo nos momentos difíceis – como no segundo tempo contra o Palmeiras – é a principal marca do time que possivelmente será bi-campeão brasileiro.

Todos os outros aspirantes ao primeiro lugar, como Cruzeiro, Botafogo, Vasco, Santos, Grêmio e Palmeiras, mostram constantes momentos de oscilação. Talvez um pouco menos os mineiros, que pagam por um início terrível com resultados ruins dentro de casa contra Corinthians, Paraná e Juventude, três times que brigam no último terço da tabela. O São Paulo, mesmo que com tropeços nos primeiros jogos, tem cada vez mais uma margem segura para administrar as próximas rodadas.

No sábado, a vitória ratificada no Morumbi, com goleada, foi mais impressionante pela intensidade física e mental do São Paulo dentro de campo. Nesse sentido, a elogiável presença de público no estádio foi decisiva, o que deixa nítido que, com o torcedor mais assíduo, os resultados podem vir a ser ainda mais positivos. E o Campeonato Brasileiro, bem menos nivelado, como diria o outro.

Verdades e emoções

A atuação defensiva do Corinthians, no clássico do Pacaembu, transcende a perfeição. Com Vampeta bem protegido para armar e, especialmente, tranqüilidade na linha defensiva, com performances soberbas de Carlos Alberto e Carlão, a equipe da casa anestesiou seus incontáveis problemas na temporada. Cabe ainda ressaltar o desempenho de Nílton à frente da zaga, aliando combatividade e fazendo o onze titular respirar quando com a posse de bola.

Felipe, goleiro de personalidade, operou alguns milagres, dada a incapacidade corintiana de frear o Santos – um oponente de muito valor – no segundo tempo. Foi outro Felipe, o santista, o personagem decisivo do clássico de um ano atrás, no mesmo Pacaembu.

A decisão de efetivar José Augusto foi tomada ainda no vestiário após a vitória – como havia sido a demissão de Carpegiani – e novamente pautada pelo emoção pós-jogo. O treinador, por mais que pareça capaz e boa-praça, não tem a tarimba necessária para um trabalho a médio-prazo, sobretudo no turbilhão do Parque São Jorge.

Efetivar interinos, aliás, não é novidade no Parque São Jorge, assim como pensar com os nervos. Eduardo Amorim, Márcio Bittencourt e Ademar Braga estão aí para provar a veracidade da tese.

Caça-atacantes

O desequilíbrio na formação do plantel cruzeirense, no início do ano, foi um dos motivos apontados para o fracasso do clube nos primeiros meses. Pois é justamente a riqueza de meias e atacantes que tem salvo a vida de Dorival Júnior e trazido qualidade para o campo.

O primeiro foi Nenê, que repentinamente, após muito tempo de fora, apareceu para buscar um empate contra o Atlético Paranaense. Pois além dos momentos bons de Fellype Gabriel no primeiro turno, foi Alecsandro que apareceu sem alarde para se tornar a principal referência ofensiva do Cruzeiro.

Nos últimos jogos, Marcelo Moreno teve três ótimas exibições. Contra o Corinthians, seu primeiro como titular no campeonato, foi perigoso e tirou o sono de Édson, além de dar um gol a Alecsandro. Neste domingo, contra o Palmeiras, foi novamente decisivo, com dois belos gols. Prova de que, ter elenco forte, nunca é ruim.

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Equipe Trivela

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