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Contra um São Paulo esfacelado, Flamengo foi quem mais mereceu vencer

A disputa entre dois times no futebol muitas vezes faz um time forçar o outro ao erro. Há muitas formas de fazer isso, seja por tática, seja por estratégia, seja por pressão física. A vitória do Flamengo sobre o São Paulo no Maracanã neste domingo teve um festival de erros de defesa. Contra um São Paulo esfacelado, cheio de desfalques, com uma bagunça também fora de campo, o Flamengo jogou melhor e merece comemorar a vitória por 2 a 1. Os dois times, porém, precisam melhorar se não quiserem perder mais pontos de bobeira ao longo do segundo turno. O jogo ficou aquém do que deveria. Apesar disso, o Flamengo foi quem mais jogou para ficar com os três pontos.

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Festival de erros defensivos

Nos últimos jogos com Cristóvão Borges, o Flamengo teve muitos jogos que dominou, foi melhor que o adversário, mas não conseguiu vencer. Faltava uma melhor chegada na hora de finalizar. Às vezes se imaginava que faltava um criador; outras que faltava finalizar melhor. Em geral, um pouco de cada um. O jogo do Maracanã, neste domingo, caminhava para o mesmo destino. A diferença é que o São Paulo facilitou um pouco a tarefa. Em duas falhas, o time do Morumbi ofereceu a chance do gol. E o rubro-negro aproveitou duas delas para vencer.

Falhas defensivas fazem parte do repertório do Flamengo e nem é preciso ir longe para lembrar de algumas delas. Neste jogo, elas custaram um gol. No primeiro tempo, em uma cobrança de escanteio de Carlinhos bem fechada, o goleiro César saiu mal e viu o zagueiro Luiz Eduardo, na segunda trave, cabecear para o gol, aos 36 minutos. O placar não refletia bem o jogo, que tinha o Flamengo melhor até ali, mas, como já vinha sendo constante em jogos anteriores, não conseguia ser realmente perigoso nas finalizações. Até que veio a assistência do adversário.

Um chutão do goleiro César para frente teve duas cabeçadas. Primeiro, de Luiz Eduardo, que não conseguiu desviar a bola para frente – e reclama de uma falta de Paolo Guerrero, que o teria deslocado. Mas o erro mesmo foi de Thiago Mendes. O meio-campista são-paulino tinha a bola na cabeça, mas recuou mal. Ederson interceptou, dominou e tocou para o fundo da rede para empatar, aos 42.

Depois do intervalo, o panorama era o mesmo e o Flamengo perdeu uma chance clara logo nos primeiros minutos. Em um lance nas costas da defesa são-paulina, Guerrero recebeu de Alan Patrick, livre, na entrada da área, ele avançou com a bola e tocou para fora. Logo depois, Auro – que tinha acabado de entrar -, recuou mal a bola, que caiu nos pés de Guerrero. Desta vez, o peruano não perdoou e finalizou com categoria, sem dar chance ao goleiro Renan Ribeiro.

Depois disso, o Flamengo teve mais chances de ampliar do que o São Paulo de empatar. Carlinhos, mesmo deslocado para a ponta direita e caindo pelo meio, era um dos destaques do time. Ninguém jogava bem. Centurión, apagado, deixou o campo no segundo tempo. Pato pouco conseguiu fazer. Apesar de todos os problemas, o São Paulo sentiu falta de Luís Fabiano como uma referência no ataque. Wilder Guisao, que entrou no segundo tempo, não melhorou o time.

O Flamengo, por sua vez, pode ter tido problemas perdendo chances, mas criou muito. Foram 22 chutes a gol do time contra só oito do São Paulo. Oito deles foram no alvo, oito para fora e seis foram bloqueados. O Flamengo chegou, mas não conseguiu converter as chances para criar uma vitória com mais conforto. Mesmo assim, há um caminho. O problema é parar de entregar gols aos adversários, como fez no primeiro gol na saída de gol ruim de César. Com 26 pontos, o time é 13º colocado, ainda distante do que se espera, mas já mais tranquilo em relação ao fundo da tabela.

Festival de desfalques

O técnico do São Paulo, Juan Carlos Osorio, teve muitos desfalques para lidar. Três dos principais jogadores do time – ao menos em nome – não estiveram em campo: Rogério Ceni, Luís Fabiano e Paulo Henrique Ganso. Além deles, ausentes por lesão, Rafael Tolói não foi relacionado porque acertou a sua transferência para a Atalanta, por R$ 14 milhões. O São Paulo fica com R$ 3,5 milhões pelos 25% dos direitos que tem do zagueiro.

Com tantos desfalques, a escalação do time novamente foi confusa. O time entrou em um 4-3-3, com Carlinhos novamente deslocado para o ataque, como um ponta. No meio, entrou Thiago Mendes para compor o setor ao lado de Hudson e Rodrigo Caio. O time chegou muito pouco ao ataque, deu só oito chutes a gol, só três deles no alvo. Depois da falha no gol, o goleiro do Flamengo, César, quase não teve que trabalhar. Isso já é um indício do quanto o São Paulo foi mal no ataque. Se contra o Ceará, mesmo com a má atuação, era possível dizer que o goleiro adversário teve uma noite feliz, desta vez o goleiro adversário nem precisou trabalhar muito.

Com três derrotas consecutivas (duas delas no Campeonato Brasileiro), o time segue em sexto lugar porque os times mais próximos também não venceram. Com 31 pontos, o time ainda está relativamente bem colocado considerando os maus resultados. Levando em conta o caos que o time vive também fora de campo, com o presidente Carlos Miguel Aidar vendendo todo mundo e sem dar o devido apoio ao técnico, até que a sexta posição não é tão ruim.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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