Brasil

Conto de fadas que deu certo

por Thiago Wagner

Magrão não é daqueles que nasceram com o dom da sedução, é verdade. A sua timidez e o jeito meio quieto, parecendo um garotinho do interior, não combinam em nada com a arte de se conquistar alguém. Imagina então uma torcida inteira que é conhecida por vibrar até o último suspiro vida. O nosso goleiro não é um popstar como outros ídolos por aí. Não sai em comercial de perfume e nem gosta de aparecer muito na mídia para provocar o rival ou enaltecer o próprio Sport. Então como ser amado durante anos por tal tipo de torcedor, que tanto propala o lema “Pelo Sport Tudo”?

É a persistência. Magrão não nos conquistou com o primeiro olhar. Aliás, a primeira impressão do nosso camisa 1 foi a pior possível. Ele quase foi rebaixado para a Terceirona logo em seu primeiro ano na Ilha do Retiro. A confiança, que um dia foi pouca, hoje é a base do sucesso desse relacionamento amoroso. Sport e Magrão hoje são como dois velhinhos que se desentenderam muito quando jovens, mas que se acertaram com a maturidade. Hoje nada mais abala a relação, nem mesmo uma escorregada aqui ou acolá de ambos os lados. Seria uma espécie de conto de fadas da Disney. Talvez com um enredo diferente daqueles pensados para A Bela e a Fera, Cinderela ou Branca de Neve, mas que também termina com um final feliz.

Talvez nenhuma das partes saibam corretamente quando o esse amor despertou de fato, quando “apenas gostar” virou algo mais. Como todo romance, começou sem se perceber e quando deu para notar algo já era uma relação estável de sucesso, com filhos metálicos que foram erguidos ao final de alguns campeonatos. Mas se é para achar uma data, podemos dizer que foi em meados de 2007. Magrão passou pelo seu momento mais complicado, sem confiança. Ele havia sofrido o milésimo gol de Romário, e o abalo psicológico poderia marcar o fim do relacionamento.

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Só que foi justamente na dificuldade que ambas as partes começaram a se entender. Surgiram algumas conversas mais sérias aqui e ali, mas a torcida abraçou Magrão quando deveria. Viu que ali estava alguém para se apaixonar pelo resto da vida. A insistência de Magrão com o Sport começou a ser recompensada. Ele bem que poderia chutar o pau da barraca e pular fora dessa relação que trazia muito mais dores de cabeça do que sorrisos. Mas não, ficou na alegria e na tristeza e viu que começava a ser correspondido do outro lado. A partir daí bastou ligar a chama do amor para que dois mais dois virasse quatro e a relação mudasse de status no perfil do Facebook de cada um. Magrão finalmente conquistou a torcida rubro-negra.

Em clima de lua de mel, Magrão e Sport formaram uma dupla quase perfeita para títulos. Veio o segundo penta no Pernambucano, a Copa do Brasil de 2008 (veio em 11 de junho, proporcionando o melhor Dia dos Namorados a vida de todo leonino) e a Copa do Nordeste. Isso não significa que os erros não tenham aparecido mais na frente. Mas com a maturidade tudo se resolve de uma maneira muito mais rápida que não vale nem a pena lembrar mais. Os pontos positivos superam de longe os negativos.

“Passo a maior parte do tempo no Sport do que em casa. A satisfação é muito grande em ser o jogador que mais vestiu essa camisa. É minha segunda pele.” Magrão

Hoje tenho orgulho de dizer que nosso goleiro é uma unanimidade. E aos que dizem que toda unanimidade é burra eu os convido para vir ao Recife e conhecer a nossa relação. Não somos intensos como outros casais que vivem uma rotina de amor e ódio ardente. Ainda assim somos felizes. Porque temos respeito um pelo outro e nos admiramos. Claro que sempre tem uma chama para acender no meio de tudo isso. A cada pênalti defendido (já foram mais de 20 na carreira) o amor só aumenta pelo eterno camisa 1. Mas seguimos o estilo Magrão de ser, quieto e tímido. Isso foi um ponto importante que aprendemos com o goleiro. Você não precisa ser vibrante sempre para demonstrar carinho. Basta ter atenção com o outro.

Mas sempre há a tarefa de não cair na rotina. Se bem que ninguém se importaria se Magrão repetisse todos os feitos com o manto rubro-negro. Aliás, desejamos todo dia que o tempo voltasse alguns só para que admirá-lo mais uma vez, e quem sabe até mais do que antes. Só que isso infelizmente não é possível. Então cada minuto jogado atualmente é ouro porque podem ser os últimos do goleirão. Isso nos racha o coração a cada vez que lembramos. Porque se dependesse da gente, ele jogaria para sempre no gol leonino.

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Magrão foi um das melhores coisas que nos aconteceu nesses 110 anos de história. A torcida só pode lhe desejar sucesso, hoje e sempre. A vontade é de pedir para não se aposentar agora, nem em dez anos. Não está tão fácil, mas esse relacionamento ainda tem muita lenha para queimar. Mas se ainda assim a opção for pela aposentadoria, a torcida respeitará. Sua felicidade é a dos rubros-negros.

De qualquer forma, a saída dos campos não significa o fim do amor. Será apenas mais um estágio da nossa relação. Será o ponto em que vamos sentar no sofá e relembrar os nossos melhores momentos juntos. Será o nosso felizes para sempre.

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