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Conca é um talento a mais ao Fla, mas também acrescenta bastante pelo empenho que oferece

O Flamengo anunciou na noite desta segunda o seu primeiro grande reforço para a temporada que se inicia. Por muito tempo, Darío Conca permaneceu como sonho de consumo do futebol brasileiro. Vez ou outra, o nome do argentino pintava nos noticiários, especulando sua terceira passagem pelo país. Aos 33 anos, por fim, vestirá a camisa rubro-negra, depois de já ter sido ídolo no Vasco e no Fluminense. O meia chega com contrato até o final do ano, embora deva permanecer no estaleiro até março ou abril, se recuperando do rompimento do ligamento cruzado.

A questão física, aliás, parece ser apenas uma preocupação momentânea aos flamenguistas. Ao longo de sua carreira, o armador enfrentou poucos problemas com lesões. Não à toa, sua presença constante nos jogos sempre foi um trunfo nas equipes pelas quais passou. Em cinco edições do Brasileirão que disputou, por exemplo, sua média de aparições foi de 34,2 a cada 38 rodadas. Mais do que um talento ao meio-campo, o Flamengo também ganha um operário, capaz de trabalhar bastante para ajudar o time.

Essa virtude de Conca também abre o caminho para sua parceria com Diego. Com a chegada do argentino, o técnico Zé Ricardo passa a contar com dois jogadores de extrema qualidade na criação. Mas que também podem se complementar, um mais cadenciado e outro mais vertical. Ainda não é certo como o Fla jogará, e quem ocupará a faixa central. De qualquer maneira, por aquilo que já realizaram em passagens anteriores de suas carreiras, os dois “camisas 10” poderão se revezar entre o papel de armador centralizado e o preenchimento das pontas. Combinação que, contando com a intensidade física de ambos, poderá trazer diversos problemas para as defesas adversárias.

Conca, sobretudo, se sugere um jogador moldado para o momento do Flamengo, independente de seus histórico com a camisa dos rivais. Isso acaba no passado, diante das possibilidades que ele poderá conquistar com a camisa rubro-negra. É um meia de DNA ofensivo e qualidade técnica inquestionável, como tantos que se consagraram na história do clube. Mas que não se contenta apenas em ver o time girar em torno de si. Também se entrega bastante e, mesmo que não jogue tão bem, dificilmente passa os 90 minutos desaparecido em campo. Dose de raça necessária em qualquer equipe e ainda mais bem-vinda em tempos de Libertadores.

Em sua passagem pelo Shanghai SIPG, Conca não causou um impacto tão grande quanto nos tempos em que defendia o Guangzhou Evergrande. Mesmo assim, manteve a equipe brigando pelas primeiras posições, sem o título, mas terminando entre os três primeiros nas duas últimas temporadas. O argentino anotou 13 gols em 46 partidas, eleito ainda um dos melhores do campeonato em 2015, quando só se ausentou em uma das 30 rodadas. Já na última edição da Super League, sofreu sua lesão em agosto, perdendo quase um quarto da competição.

A idade e a grave lesão recente influenciarão os primeiros meses de Conca no Flamengo. A despeito disso, parece um ótimo negócio dos rubro-negros, por tudo aquilo que ele pode oferecer. Zé Ricardo terá a chance de trabalhar com calma a adaptação e o encaixe do meia, com a Libertadores se estendendo pelo resto do ano. Poderá pensar qual a melhor maneira de utilizar um craque capaz de potencializar as virtudes já demonstradas pelos rubro-negros em parte do último Brasileirão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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