Clubes da Libra batem de frente com o Flamengo e confirmam rota de colisão no bloco
Clube carioca bloqueia na Justiça R$ 77 milhões referentes a direitos de pay-per-view que seriam distribuídos aos integrantes do grupo pela Rede Globo
Um processo judicial promovido pelo Flamengo para bloquear o repasse de valores de direitos de TV do Campeonato Brasileiro colocou os clubes que integram a da Libra em rota de colisão.
Neste sábado (27), Palmeiras e São Paulo emitiram notas oficiais repudiando a atitude do Rubro-Negro. A própria Libra também se posicionou contrária à ação na Justiça.
A medida tomada pelo Flamengo bloqueia o repasse de R$ 77 milhões referentes a uma das parcelas pela porcentagem de direitos de transmissão em canais por assinatura (pay-per-view). Caso o bloqueio permaneça, o valor congelado pode chegar a R$ 240 milhões até o final do ano.
A diretoria rubro-negra alega que os termos atuais do contrato assinado em 2024 são prejudiciais ao clube. A medida congela o dinheiro que o próprio Flamengo receberia, assim como os demais clubes da Série A que fazem parte do bloco.
São os casos de: Atlético-MG, Bahia, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo, Santos e Vitória.
Os dirigentes dos demais clubes entendem que o Flamengo tenta levar vantagem na divisão de receitas, além de “asfixiar” os rivais que contavam com estes valores em seus caixas.
— Ao obstruir de forma contraditória e indevida o fluxo desses recursos, a estratégia do clube carioca se revela predatória e torpe, pois busca asfixiar financeiramente as demais instituições que constituem o bloco, algumas delas em situação de dificuldade, a fim de subjugá-las e extrair ainda mais benefícios individuais — diz trecho da nota do Palmeiras.
Entenda o motivo da discussão
O Flamengo ingressou com uma ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) na última segunda-feira (23) para tentar travar o repasse de R$ 77 milhões pela Rede Globo aos clubes integrantes da Libra, referentes percentuais de direitos de pay-per-view.
O clube carioca teve uma negativa em primeira instância, mas o recurso foi deferido pela desembargadora Lúcia Helena do Passo na última quarta-feira (24).
A atual diretoria rubro-negra alega que o clube tem prejuízo com os termos do contrato, assinado em 2024 pelo ex-presidente Rodolfo Landim. O presidente em exercício Luiz Eduardo Baptista é opositor de Landim e não só fez críticas aos termos do vínculo, como sempre tentou rever a distribuição dentro da liga.

Na última sexta-feira (26), o Rubro-Negro publicou uma nota oficial em que afirmou que seu poder de veto não foi respeitado na assembleia da Libra. Além disso, o clube ressaltou que tentou uma solução amigável antes da ação na Justiça.
— O Flamengo reafirma que sua luta é para que sua representatividade seja respeitada, que as decisões da LIBRA sejam tomadas dentro das regras previstas no Estatuto e da Lei e que a história e o valor de cada clube sejam reconhecidos pelos seus méritos, de forma justa e equilibrada — diz trecho da nota.
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O que diz a Libra?
A Libra repudiou o movimento do Flamengo na Justiça. Em nota oficial, a entidade afirmou que a diretoria rubro-negra desgasta a “harmonia do grupo ao questionar acordos já pacificados”.
Além disso, a Libra também questiona o “prejuízo” alegado pelo Flamengo, por entender que o termo não “condiz com a situação financeira” do clube.
Confira a nota oficial da Libra:
“A Libra repudia a decisão unilateral e repentina da atual gestão do Flamengo, que moveu ação judicial contra o conjunto de clubes do qual faz parte, bloqueando repasses financeiros consagrados em contrato e desgastando a harmonia do grupo ao questionar acordos já pacificados.
O clube alega prejuízo dentro de um contrato bilionário, o que não condiz com sua situação financeira. A medida extrema confirma uma postura que privilegia o interesse particular de curto prazo, quando na verdade os verdadeiros prejudicados são os times que contam com esse dinheiro para seu fluxo de caixa, pagamento de contas e salários.
A Libra sempre se dedicou a atender aos interesses dos associados, incluindo questionamentos do Flamengo em relação ao modelo vigente.
Mesmo se tratando de um tema debatido exaustivamente no passado, o assunto voltou à pauta e foi submetido à vontade democrática de todos os membros, que votaram pela manutenção do formato atual. A instituição não poupará esforços para defender na justiça a legitimidade das decisões coletivas e o cumprimento dos contratos.



