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Clubes brasileiros dão apenas 15,2 jogos em média para seus técnicos

São apenas 15 jogos, menos de um turno do Campeonato Brasileiro. É esse o tempo médio que um técnico tem no futebol brasileiro para mostrar seu serviço. Caso contrário, é bilhete azul. Essa é a realidade dos clubes da Série A desde 2002, de acordo com uma reportagem do jornal mexicano El Economista que levantou a rotatividade de treinadores em dez ligas do mundo.

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O Brasil ficou, de longe, como o país em que há menos paciência. Cada treinador permanece em média 15,2 jogos no cargo, o equivalente a 0,4 ano. O segundo campeonato com mais troca de comando é o italiano, com 40,6 jogos (ou 1,07 ano) para cada técnico. A terceira posição é da Espanha, com 41,8 jogos, ou 1,1 ano.

No ranking por clubes, a situação brasileira não é melhor. Os seis times que mais tiveram treinadores diferentes desde 2002 são do Brasil: Fluminense (41), Náutico (39), Flamengo (38), Vitória (37), Atlético Paranaense (35) e Sport (33). Equipes estrangeiras só aparecem na sétima posição, dividida por dois mexicanos, Veracruz e Querétaro (ambos com 31).

Na outra ponta do estudo estão os ingleses e norte-americanos. O lugar em que se espera mais por resultados é nos Estados Unidos: na MLS, cada comandante fica 2,6 anos, ou 88,4 jogos, no posto. A Inglaterra dá em média 79,8 jogos para cada treinador, ou 2,1 anos. A supremacia anglófona também se vê no ranking de clubes que tiveram menos técnicos nesses 13 anos: Arsenal, Houston Dynamo e Seattle Sounders lideram com um treinador apenas, seguidos pelo Everton, com dois.

Obs.: necessário mencionar que Houston e Seattle não haviam sido fundados em 2002. Ou seja, tiveram apenas um técnico no tempo apontado pelo levantamento, mas não são 13 anos com o mesmo comandante.

O estudo da El Economista englobou 188 clubes de dez países, cinco europeus (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) e cinco americanos (Argentina, Brasil, Colômbia, Estados Unidos e México). O texto original, com os dados mais detalhados, está aqui.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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