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Cinco pontos sobre a sexta rodada do Brasileirão

Walter brilhou e decidiu para o Flu contra o São Paulo

Walter está mais fininho em relação ao ano passado, mas ainda consegue deitar e rolar. Se tem uma coisa que não mudou nem um pouco de lá para cá foi sua categoria com a bola. O repertório para acabar com o São Paulo na quarta-feira foi amplo: bicicleta sem ângulo, encobrindo Rogério Ceni e quase fazendo o gol, força para ganhar a dividida com a zaga são-paulina e empatar para o Flu no fim do primeiro tempo e chute de trivela para virar o no segundo tempo.

Aliás, o que foi esse gol de Walter, seu segundo no jogo? Quando o atacante dominou a bola ali, quase na entrada da pequena área, com o caminho até o gol fechado pela defesa do São Paulo, ninguém imaginaria que ele pegaria na bola com tal efeito. O chute foi perfeito para passar pelo zagueiro e morrer no canto da rede, deixando Rogério Ceni completamente sem ação. Além da categoria mostrada, há também de se destacar o quão decisivo foi o jogador, em um jogo que só se tornou “fácil” porque o Flu, guiado por Walter, o fez assim.

Reação rápida levou o Palmeiras ao G4

A vitória magra do Palmeiras sobre o Figueirense, nesta quinta, por 1 a 0 levou o time ao G4 pela primeira vez nessas seis rodadas de Brasileirão. O triunfo foi o terceiro consecutivo do alviverde, que se recupera do início fraco e se coloca em boa posição, considerando a proximidade da pausa para a Copa do Mundo.

Para uma equipe que começou a competição com duas derrotas em três jogos, recuperar-se rapidamente como fez o Palmeiras, mesmo após a queda de Gilson Kleina, é um ótimo sinal. O time agora tem a possibilidade de chegar à pausa para a Copa em ótima situação no campeonato, desde que mantenha a regularidade dos últimos jogos. Se tiver sucesso, dará mais tranquilidade para Ricardo Gareca trabalhar durante o Mundial e retornar ao Brasileirão sem tanta pressão (o argentino começa a treinar a equipe na pausa).

Até lá, para prolongar a fase recente, o Palmeiras conta com Henrique, que tem chamado a responsabilidade desde que chegou da Portuguesa. O atacante marcou o gol da vitória contra os catarinenses, chegando a cinco em apenas seis partidas. Longe daquele lenga-lenga de ter que se adaptar ao grupo e ao estilo de jogo alviverde, o centroavante tem tudo para fazer a torcida palmeirense se esquecer rapidamente de Alan Kardec.

Mesmo desfalcado, Atlético Mineiro venceu e emplacou
Gol de Réver fez do jogador o zagueiro com mais gols pelo Atlético (Divulgação)
Gol de Réver fez do jogador o zagueiro com mais gols pelo Atlético (Divulgação)

Cada vez mais o início ruim de Levir Culpi no Atlético Mineiro vai ficando para trás. Depois de assumir o time após a derrota para o Atlético Nacional no jogo de ida das oitavas da Libertadores, o treinador começou seu trabalho no Galo com derrota para o Grêmio, empate e eliminação na volta contra os colombianos e mais um revés no Brasileirão, diante do Goiás. De lá para cá, no entanto, deu início a uma reação iniciada com vitória no clássico contra o Cruzeiro, pela quarta rodada, vencendo também o jogo seguinte sobre o Santos, de virada. Contra o Vitória, mesmo repleto de desfalques, o Atlético não brecou sua arrancada e, com um 3 a 2 fora de casa, consolidou a volta por cima, chegando a três triunfos consecutivos na competição nacional.

Entre titulares e reservas, Culpi não contou com 16 jogadores. Diante de tamanho problema, a vitória do Galo comprova a qualidade do elenco do time mineiro. Em um campeonato longo, de 38 rodadas, esse é um dos fatores mais decisivos para uma boa campanha, seja buscando o título ou uma vaga na Libertadores. Apesar de chegar a abrir uma vantagem de três gols e ver essa diferença diminuída para apenas um, o triunfo foi muito positivo, justamente pelo fato de o Atlético ter atuado longe de sua força completa.

Erros voltaram, e o Corinthians estacionou de vez

Pelo terceiro jogo consecutivo no Brasileirão, o Corinthians saiu de campo sem vitória e tendo sido vazado. Logo no início de sua volta ao clube, o técnico Mano Menezes sofreu duras críticas de imprensa e torcida por ter minado a única qualidade que o time tinha apresentado no ano anterior com Tite: consistência defensiva. Com a volta de Fabio Santos e o maior entrosamento entre Cleber e Gil, o treinador conseguiu corrigir isso nas primeiras rodadas, chegando à marca de sete partidas sem levar gols (somando à conta jogos do Estadual e da Copa do Brasil). Entretanto, além de seguir sem eficiência no ataque, a equipe voltou à vulnerabilidade que apresentou no Paulistão.

Mesmo contando com Renato Augusto e Jadson como titulares, o time não teve criatividade para impôr um jogo ofensivo e insinuante. Mais que isso, voltou a ter a postura de se contentar com pouco e, após um gol de pênalti, se resignou com o 1 a 0 e deliberadamente recuou. O comportamento atraiu o Atlético Paranaense, que chegou ao empate e teve chances de conseguir a virada. Mano Menezes já dá a entender que os problemas atuais do time serão superados quando tiver à disposição Elias e Lodeiro, o que é um absurdo, visto que, eliminado precocemente do Paulistão, a equipe teve tempo de sobra para treinar para a competição nacional, ainda sem a dupla de meio-campistas como opção.

Eliminação na Libertadores não abalou o Cruzeiro

A queda do Cruzeiro na Libertadores diante do San Lorenzo não se transformou em um daqueles baques que acaba afetando a temporada de um time brasileiro. Depois da eliminação para os argentinos, a Raposa venceu os dois jogos que fez desde então no Brasileirão, contra Coritiba e Sport, e atualmente está na liderança do torneio.

Entretanto, a resposta rápida do time à frustração de ficar de fora da competição continental não é a única coisa a se destacar no Cruzeiro nesta reta inicial de Brasileirão. A primeira colocação deve-se, sobretudo, ao bom início do time, que conseguiu pontuar mesmo sem seus titulares, preservados para a Libertadores.

Especialmente no ataque, o desempenho cruzeirense tem sido bom. São 12 gols na competição, número que deixa o time como o melhor no quesito, ao lado do Fluminense, que chegou à marca após a goleada por 5 a 2 sobre o São Paulo. No Brasileirão, dois jogadores da Raposa têm se destacado lá na frente: Marcelo Moreno e Ricardo Goulart. O primeiro, com quatro gols na conta, é o artilheiro da competição, enquanto o segundo fez três, todos nas duas últimas rodadas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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