Brasil

Choque-Rei

Os candidatos ao título foram rareando. O Atlético Mineiro colecionou uma série de resultados ruins, que expuseram a falta de mais solidez do elenco. O Internacional impressiona pela incapacidade de mostrar espírito vencedor nos momentos decisivos. O Goiás dá pinta que se contentará com uma vaga na Libertadores. E sobram São Paulo e Palmeiras, justamente as equipes que protagonizarão o clássico paulista do próximo fim de semana. Final antecipada? Não tão cedo.

De fato, palmeirenses e são-paulinos são, por enquanto, os times que dão mais a sensação de que podem ter fôlego para a longa disputa semana a semana até a última rodada. O São Paulo parece ter se lembrado que, há menos de um ano, conquistaram um inédito tricampeonato nacional. O Palmeiras tem o jogador mais decisivo da competição até o momento e apresenta razoável constância desde o início.

Para o duelo de domingo, há uma rara imprevisibilidade. O São Paulo tem um time mais homogêneo e não deve perder completamente o embalo apenas por causa de uma derrota para o Atlético Paranaense em Curitiba. Além disso, conta com o Morumbi, onde não perde do Palmeiras desde 2002. O Alviverde conta com o conhecimento que seu técnico tem do adversário. Além disso, pode se aproveitar da falta de ritmo de jogo de Rogério Ceni, que claramente ainda está sem tempo de bola e inseguro para alguns movimentos.

Com o mando de campo e a necessidade maior da vitória, o São Paulo deve tomar a iniciativa. Para isso, Ricardo Gomes deve criar algum modo de cercar Diego Souza, com um marcador dedicado no meio-campo (Richarlyson?) e, eventualmente, alguém já preparado para ficar na sobra. Usar as laterais, aproveitando os espaços deixados por Armero e Wendel é uma opção ofensiva para evitar confrontos com Pierre e Souza.

Do lado palmeirense, Muricy precisa quebrar o ritmo do São Paulo. O meio-campo alviverde precisa impedir que Hernanes e Jorge Wagner tenham tempo para armar o jogo. Mas o sucesso alviverde depende demais da atuação da – normalmente insegura – defesa. Os laterais precisam fechar seus setores e o miolo de zaga terá trabalho nos duelos com Washington (pelo alto) e Dagoberto (em velocidade).

Nesse cenário, é bem óbvio que um bom resultado no confronto direto é estrategicamente fundamental na corrida pelo título, além de ter um grande efeito psicológico. Só que isso não significa que um campeonato equilibrado como o brasileiro pode terminar já na 21ª rodada. É muito apocalíptico (e desmerece demais os outros concorrentes).

Desse modo, alviverdes e tricolores precisam encontrar a delicada diferença entre ver o clássico como decisivo e ver como definitivo. Um eventual revés é bastante incômodo, mas há tempo de sobra para a recuperação. Ainda que a imprensa tenha a tentação de falar em “final antecipada”.

Avaí 5-0

Onze partidas sem derrota. É mais que meio turno. Esse feito seria invejável para qualquer equipe do Brasil, mas é particularmente elogiável por se tratar do Avaí, time que aparece na elite depois de 30 anos de ausência e não fez investimentos significativos no elenco. Uma prova de como é sólido o trabalho de Silas no banco e dos jogadores em campo.

O que mais impressiona nos avaianos é o espírito de competição. A equipe joga com muita intensidade, se posicionando de modo compacto e reforçando o sentido coletivo da equipe. Além disso, ganhou confiança assim que a série de bons resultados começou e passou a se abrir mais para o jogo. A timidez do início da campanha se mostrou muito nociva.

A força do conjunto se manifesta nos números. O artilheiro do Avaí é o meia Muriqui, com apenas 6 gols. Marquinhos, outro meia, tem 5 e William, atacante revelado no Santos que nunca explodiu, está com 4. Tudo bastante distribuído, como convém a um time que não pode se dar ao luxo de depender de um ou outro jogador.

Ainda assim, há nomes que merecem menção, caso de Luís Ricardo. Como atacante, foi destaque da Ponte Preta vice-campeã paulista de 2008. Seus empresários entraram em atrito com a Macaca e o jogador foi parar no Mirassol no Paulista de 2009. O Avaí viu aí uma barganha de mercado e o levou a Ressacada. Silas o colocou de ala e seu futebol cresceu. Além de estar jogando bem pela lateral do campo, ele chega ao ataque com naturalidade.

Outra figura importante é Eduardo Martini. O goleiro passou anos sem convencer em Grêmio e Juventude, variando boas defesas com falhas incríveis. Ele não se tornou um paredão ao se mudar para Florianópolis, mas já acumulou grande experiência. Sabe lidar com pressão e crise, além de estar acostumado com o nível de competição da Série A. Não à toa, se tornou líder da equipe e até passou a mostrar mais segurança debaixo das traves.

Tudo isso, somado a um técnico que conhece bem seu elenco e claramente tem a confiança da diretoria, fez do Avaí um time que está lutando por uma vaga na Libertadores neste momento. O colunista ainda acha difícil que isso ocorra, porque dificilmente o time manterá esse ritmo até o final do campeonato. Mas o que os avaianos já fizeram até agora merece todo o crédito de seus torcedores.

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Equipe Trivela

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