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Chegou a hora: Alex anuncia que começará sua carreira de treinador em 2021

Faz cinco anos, quase exatos, que sentamos, Ubiratan Leal e eu, para conversar com Alex. Era novembro de 2015. Aposentado ao fim da temporada anterior, ajudava a articular o Bom Senso Futebol Clube – lembra-se dele? – e era comentarista da ESPN Brasil. A ideia de ser treinador era latente em sua mente privilegiada desde os tempos de jogador, quando sempre foi um dos líderes do time ou, de fato, o capitão. Falava em fazer cursos e buscar as suas credenciais, mas primeiro queria passar mais tempo com a família, ver a filha jogar tênis, descansar um pouco da intensa rotina do futebol.

Bom, parece que cinco anos foram o bastante. Nesta segunda-feira, em entrevista ao site Um Dois Esportes, Alex anunciou que iniciará a sua carreira em 2021, após uma preparação que envolveu cursos da Universidade de Futebol e da CBF para tirar as licenças A e B. Aguarda propostas e não vê a hora de colocar as suas ideias em prática.

Aqui, retomamos as respostas que Alex nos deu na entrevista de novembro de 2015 sobre ser treinador. Em destaque, a parte em que ele fala sobre como a experiência como jogador é essencial para esse novo ofício. Recomendamos a leitura de toda a entrevista – clicando aqui. Aliás, é uma pena que a CBF ainda não tenha sido tomada de assalto.

Por Bruno Bonsanti e Ubiratan Leal

Trivela: Tem também o ex-jogador que fala que o jornalista precisa ter jogado bola para comentar.

Alex: Eu discordo disso. De futebol, todo mundo entende um pouco. Agora, para saber o que fazer com um time de futebol tem que estar dentro de campo. Cadeira de faculdade nenhuma oferece isso. Um jornalista sem experiência de campo não sabe se o treino tem que ser mais forte, mais fraco, se tem que treinar de manhã ou de tarde, quando tem que dar folga para o jogador. Jornalista pode acompanhar treino todos os dias, mas não conversa com o jogador, não sabe a condição, o sentimento dele. Hoje em dia, tem jornalista que fala que os caras reclamam de jogar muito. Se fosse só jogar, ótimo. Os jogadores mais antigos dizem que na época deles se jogava mais. Sim, mas eles corriam três, quatro quilômetros. Hoje, correm 12, correm 13. Antes, jogava-se regionalizado. Eram 100 times, mas dentro da sua região. Hoje, se o Fortaleza ou o Remo sobem, próprio Sport, ou a Chapecoense, lá no lado da Argentina, é foda. Os caras da logística precisam trabalhar muito bem. A Chapecoense não sabe se pega ônibus até Florianópolis, briga com o tempo. Jornalista entende de futebol, acompanha muito, estuda muito. Tem essa coisa de dizer que jogam no 4-2-3-1, no 4-4-2, mas, se der para esse jornalista uma bola e 22 coletes, que tipo de situação ele vai oferecer? O que ele vai fazer na hora de sair da teoria e colocar na prática? Comentaristas como o Mario Sérgio podem falar de todos os lados. Ele jogou bola para cacete, foi treinador, diretor e hoje é comentarista. Tem visão de todos os lados. Por mais teoria que você tenha, a prática oferece muita coisa. Se você me der uma bola e 22 coletes, eu tenho algumas ideias na cabeça, mas, para saber como executá-las, preciso colocar no papel, trocar ideias com uns amigos, porque não é tão simples ser treinador e passar ideias para caras com cabeças diferentes, educações diferentes.

Trivela: Você já pensou nisso?

Alex: Sim. Diariamente. Troco ideia diariamente com esses caras.

Trivela: Mas em você ser treinador?

Alex: Várias vezes. Mesmo quando jogava, e agora como ex-jogador e comentarista.

Trivela: O que te impede de tentar neste momento?

Nada me impede. Eu só quero viver a minha vida como estou vivendo. Perdi aniversário de filho, casamento de irmão, perdi fim de semana com a família. Hoje, eu quero ter isso com eles. Quero ver meus filhos. Tenho a condição de ver minha filha jogar tênis e meu filho jogar futsal ao invés de ficar preocupado em montar um time. Minha vida é muito tranquila. Este mês vou ter uma correria por causa da biografia, mas é tudo muito bem definido. Posso virar para a televisão e falar que não posso porque tenho o aniversário da minha filha. Como jogador, era “papai está trabalhando”. A vida de jogador de futebol não é simples, e a de treinador é mais difícil ainda. O jogador treina e vai para casa. Cuida dele. Tem que se alimentar, descansar e treinar. Treinador tem que deixar você que está no banco de reservas satisfeito. Tem que cuidar dos burburinhos de vestiário, fazer projeção dos adversários. Tem que se prevenir de uma possível derrota. Tem que aguentar nós da imprensa com perguntas que fogem do cotidiano. Um dia desses, o Levir Culpi teve que responder a um jornalista que perguntou por que ele estava dando folga aos jogadores depois de uma derrota para o Sport. O que que ele tem a ver com as folgas do elenco? Levir está no futebol desde a década de sessenta, o jornalista tem 25 anos. O que ele entende sobre dar ou não dar folga?

 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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