Chega de Maurício Ramos!!!
Sexta-feira à noite recebo um email do Menon pedindo para que escrevesse um texto sobre o Palmeiras para entrar após a partida de hoje, contra o Flamengo. Dei meu ok, mas o enganei. Esse texto está sendo escrito ANTES do jogo.
Ando meio deprimido, não sei se assistirei (“me engana que eu gosto, Rubão!”), pois não quero satifazer minha parte masoquista. Chega de tortura. E, principalmente: CHEGA DE MAURÍCIO RAMOS! É impressionante que esse bonde, esse perna-de-pau, essa desgraça que carrega o número 15 às costas tenha 162 partidas pelo Palmeiras! No atual elenco, só é superado por outras três desgraças: Corrêa (206 jogos), Márcio Araújo (188) e o chinelinho-chileno que desonra a camisa 10, com 175 partidas.
Maurício Ramos é o símbolo do pior do Palmeiras. Fala merda igual ao Frizzo e, em campo, tem um desempenho… de Maurício Ramos. Adora escorregar na área, cair de bunda, fazer pênalti, ser driblado uma, duas, três vezes, fazer gol contra e depois sair com cara de choro e se sentir culpado e jurar que o time sairá dessa e que “terão que nos engolir!”.
Eles quem, cara-pálida? Porque entra ano e sai ano e o único que te engole e ainda paga gordos salários são o Palmeiras e os torcedores. Embora me chamem de trágico e pessimista, sempre buzinei que com esse elenco, a luta era para não cair. Ou alguém consegue confiar em Bruno, Artur, Thiago Heleno, Leandro Amaral, Daniel Carvalho, João Vítor, Betinho, Vinícius, Maikon Leite etc etc etc?
Como vencemos a Copa do Brasil é um mistério maior do que o Big Bang. Duvido que Sheldon Cooper consiga decifrar! Temos um time caro, horrível, sem nível técnico, sem treinador, sem comando, sem planejamento, sem dinheiro. Tenho 43 anos, 36 deles como palmeirense. Amo o clube (até demais), tenho um arquivo imenso, mas não me recordo de um elenco tão ruim. E tão homogêneo. Excetuando Barcos – doidinho para se mandar – o restante é pavoroso.
E incluo, Marcos Assunção, um homem extremamente útil na bola parada, mas que não corresponde mais como segundo volante e deixa muito a desejar na marcação. Se ele nos salvou em muitos momentos com gols de falta e escanteios, nos deixou excessivamente viciados e confiantes nos seus pés, até se tornar quase nossa única esperança.
Não sei até que ponto o rebaixamento irá ajudar o Palmeiras a apagar os erros. Tenho medo, isso sim, de virar rotina. Sem dinheiro em caixa, com dívidas crescentes – “obrigado, Belluzzo, por quebrar o time de vez!” -, diretoria omissa, com uma torcida que se acostumou a encurralar e bater em jogadores, não podemos sonhar com muita coisa, em 2013, justamente quando voltamos à Libertadores. Qual jogador famoso será maluco de encarar uma bucha dessas?
E não me alegro de saber que Betinho, Leandro Amaro, Daniel Carvalho e João Vítor estejam de saída. Por mim, nem tinham entrado! O que mais me aborrece são as possíveis contratações, incluindo um lateral de nome Pikachu, do Paysandu. Será que não temos alguém como o Pikachu nas categorias de base? Se não tivermos, é melhor fechar o setor, que aliás, rendeu pouquíssimos jogadores bons nos últimos 30 anos. Excetuando o momento entre 1993 e 2000, quando os milk-dólares da Parmalat impulsionaram o clube e nos fizeram acreditar que voltaríamos aos anos de vitória, tem sido duro ser palmeirense.
Perdi as contas quantos de quantos cadernos, ainda menino, rabisquei, sonhando com um Palmeiras imbatível, que nunca perdia títulos, jogos e jamais era humilhado pelo modesto CSKA Sófia, da Bulgária, no Ramón de Carranza. Ah, se todos os problemas tivessem morrido ali… Assim, são outros 29 anos de tristezas, esperanças, amor renovado, opinando, cornetando, torcendo e amando incondicionalmente um time, sem saber o porquê ou até quando.
Amo o Palmeiras, sempre amarei, mas não aguento mais ver Mustafá, Della Monica, Palaia, Tirone, Belluzzo, Maurício Ramos, Valdívia, Artur, Emerson Leão e outros destruírem meu time. É dor demais, até por ser uma dor que não tenho como remediar. Não há médico, pílula ou tratamento. Só sofrimento. Por isso, me desculpem se não sei quanto foi o placar de hoje. Estou gordo, às vezes o coração dispara, ando meio triste. Não costumo perder jogos do time e até assino pay-per-view para acompanhar. Mas não suporto ver o time correr feito um maluco, tentar um gol e por tudo a perder com o Maurício Ramos. De novo.
Apenas peço à diretoria que limpe o elenco e não se esqueça dele. E, da minha parte, continuarei amando o verde da esperança, aquele esmeraldino que me fez amar o time, aos 7 anos, mesmo vindo de uma família metade sãopaulina, metade corinthiana. Fui teimoso ao escolher o time que amo até hoje. E não será agora que o abandonarei. E que venha 2013. E, mais uma vez, vamos reconstruir o Palmeiras. Vamos começar tudo de novo. Mas que seja a última vez.
Ah sim: e sem Pikachu, por favor! Já basta de piadas.



