CBF realiza nesta quarta Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol, um passo importante para ações mais efetivas
Evento com transmissão aberta no site da CBF trará vozes importantes para um debate mais aprofundado sobre o racismo e a violência
A maioria absoluta dos casos de racismo no futebol brasileiro não é punida de maneira suficiente. Tal entrave não é uma exclusividade daqui, vide decisões mais revoltantes em outros tantos países, e nem mesmo restrito ao esporte, considerando como outros casos de racismo na sociedade permanecem impunes. Dentro daquilo que o futebol pode fazer, a urgência de uma discussão interna mais séria é evidente. Segundo a última edição do Relatório da Discriminação Racial do Futebol, elaborado pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o número de casos de racismo no futebol brasileiro aumentou de 31 em 2020 para 64 em 2021. E, diante da situação agravada, a CBF toma uma ação ao promover nesta quarta-feira um encontro para debater o tema: o Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol, programado para a sede da entidade.
O evento contará com a presença de Gilberto Gil, anunciado como “uma das grandes referências da cultura negra do país”. Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, é outro convidado, assim como Alejandro Domínguez – que, como presidente da Conmebol, tem deixado muito a desejar no combate ao racismo nas competições continentais. Mais importante será a participação de especialistas no assunto, que poderão trazer mais profundidade à abordagem e também orientação às soluções. Nomes como Marcelo Carvalho, Fabiano Machado da Rosa, Oná Rudã e Luiz Claudio do Carmo participarão das mesas do seminário. Além da questão racial, outros tipos de violência e preconceitos também serão abordados, como os que ocorrem contra a comunidade LGBT.
Conforme informação do Globo Esporte, a CBF vai propor que episódios de racismo resultem na perda de pontos a partir de 2023. Ednaldo Rodrigues, presidente da entidade, é quem deve levar a ideia para o Conselho Técnico do Campeonato Brasileiro. Será um passo importante para uma atuação mais incisiva no combate ao racismo, embora isso também dependa de uma real aplicação nas competições. O futebol brasileiro poderia se colocar na vanguarda para liderar uma postura mais contundente de outras federações e até mesmo da Fifa.
Abaixo, a programação completa do Seminário, divulgada pela CBF. O evento terá transmissão ao vivo no site da entidade. Que seja o início de uma atuação mais efetiva na conscientização e na luta contra a discriminação.
10h – Abertura Institucional
– Gilberto Gil, convidado de Honra
– Ednaldo Rodrigues, Presidente da CBF
– Alejandro Domínguez, Presidente da CONMEBOL
– Rodrigo Pacheco, Presidente do Senado Federal
11h – Combate ao Racismo e à Discriminação
Mediador: Fabiano Machado da Rosa, advogado especialista em compliance antidiscriminatório
– Marcelo Carvalho, Diretor do Observatório da Discriminação Racial do Futebol, e Onã Rudá, fundador do LGBTricolor e do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQs
Apresentação do Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol 2021.
– Pavel Klymenko, Assessor de Diversidade e Anti-Discriminação da FIFA:
Melhores Práticas Internacionais de Combate à Discriminação e Promoção da Diversidade.
14h30 – Desenvolvimento da Segurança e Prevenção do Racismo e da Violência
Mediador: Luiz Claudio do Carmo, Presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas (ANATORG)
– Andrey Reis, Líder de Planejamento e Operações de Segurança da FIFA:
Melhores Práticas Internacionais de Desenvolvimento e Gerenciamento da Segurança.
– Stuart Dykes, CEO da SD Europe e especialista em Relacionamento com as Torcidas da UEFA, e Lena Wiberg, Líder de Desenvolvimento e Treinamento da SD Europe:
A implementação do Programa de Agentes de Relacionamento com as Torcidas na UEFA.
16h50 – Cooperação em Segurança e contra o Racismo no Futebol Sul-americano
Mediador: Padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor
– Alejandro Moreno, Coordenador de Segurança das Competições CONMEBOL
A Atuação da Gerência de Segurança nas competições CONMEBOL.
– Rodrigo Carnevale, delegado de Polícia Federal e chefe da Interpol Brasil, e Thiago Horta Barbosa, agente da Polícia Federal e especialista do Projeto Stadia da Interpol
Cooperação Internacional em Segurança de Eventos Esportivos.



