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CBF não sabe o que fazer com seu clube na Olimpíada

A CBF anunciou o calendário de 2016 do futebol brasileiro com muita pompa. Argumentaram que o Campeonato Brasileiro não teria interferência das Eliminatórias e passaram uma imagem de modernização e de racionalização. É bastante discutível o quanto ele realmente evoluiu para acomodar melhor a Seleção, mas ele ainda traz uma enorme armadilha: como lidar com os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

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Pela planilha divulgada pela CBF, o período de realização da Olimpíada – entre 5 e 21 de agosto – coincidirá com cinco rodadas do Brasileirão e com o jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Isso criará um sério problema para os clubes que tiverem jogadores convocados para as seleções olímpicas e um ainda maior para os que emprestarem seus estádios para a realização do torneio de futebol do Rio-2016.

De acordo com o Comitê Organizador Rio-2016, em contato com a reportagem da Trivela, as negociações com as arenas ainda não foram concluídas, o que significa que ainda não se sabe se as partidas previstas para o período dos Jogos terão que ser realocadas. As gestões de Maracanã, Mineirão e Arena Corinthians, três dos sete estádios selecionados para o torneio olímpico de futebol, também não souberam informar exatamente qual será o procedimento.

“O Maracanã ainda não foi notificado sobre o período de exclusividade para preparação e realização dos Jogos Olímpicos nas instalações do Complexo”, explicou a administração do estádio. Está incerto esse período de exclusividade, durante o qual o local recebe estruturas temporárias, como os centros de imprensa, de transmissão e linguagem visual (placas, paineis em sala de imprensa, sinalização para torcedores) própria da Olimpíada. O caso do Maracanã e do Engenhão são ainda mais delicados, porque ambos também receberão as Paraolimpíadas (programadas para o período de 7 a 18 de setembro, passando por quatro rodadas do Brasileirão).

O Caderno de Encargos da Olimpíada do Rio prevê um período de controle das arenas, mas não especifica o tempo“As cidades candidatas precisam, por meio de uma garantia dos donos dos locais, assegurar o uso dos locais e o controle de todos os direitos comerciais para o futuro Comitê Organizador Local, em relação aos palcos olímpicos, existentes e futuramente desenvolvidos, pelo período em que o Comitê Organizador Local tiver controle do local, inclusive para eventos-teste”

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Como inclui eventos-teste e demoram alguns dias para instalar as estruturas temporárias, é provável que o estádio fique incapacitado de receber partidas de futebol do Campeonato Brasileiro por mais tempo do que os 18 dias previstos para a Olimpíada. Mas a possibilidade de haver outros eventos em arenas e cidades que recebem os Jogos Olímpicos também não está confirmada porque a Carta Olímpica, as diretrizes gerais do evento, abrem espaço para interpretações“A organização, realização e cobertura de imprensa dos Jogos Olímpicos não podem ser prejudicados de maneira nenhuma por outro evento acontecendo na cidade-sede ou nas cercanias ou em outros locais de competição”.

O que significa atrapalhar? Um jogo na Arena Corinthians em 4 de agosto, um dia depois de uma partida da Olimpíada, configura isso? E um dia antes? Se o Flamengo resolver mandar um jogo em São Januário, o policiamento terá que se dividir. Isso certamente atrapalha. Dependerá das negociações do Comitê Organizador com as arenas, e também com a CBF, que promete fazer alterações na tabela para que “tudo ocorra da melhor maneira possível”. “A CBF estuda as possibilidades, e eventuais conflitos de agenda, com jogos nas cidades que receberão eventos olímpicos, serão tratados de forma individual”, afirmou, em nota enviada à reportagem da Trivela. Ou seja, não há um plano. Quando pintar o problema, ela tenta dar um jeito.

O que podemos dizer com certeza é o que aconteceu em Olimpíadas anteriores. A Supercopa da Inglaterra de 2012 costuma acontecer em Wembley e estava prevista para a reta final da Olimpíada. Foi realizada em Birmingham. Durante os Jogos de Inverno de 2002, em Salt Lake City, o Utah Jazz teve todas as suas partidas pela NBA marcadas fora de casa. A mesma coisa aconteceu com o Atlanta Braves, da Major League Baseball, em 1996. A temporada de 2000 da NRL (Liga Nacional de Rúgbi) da Austrália foi marcada para terminar antes do início dos Jogos de Sydney. Em geral, ela vai até o final de setembro.

Soluções parecidas com as que já foram adotadas no Brasil. Em 2007, o Flamengo teve vários jogos em casa adiados para a realização dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Fluminense e Botafogo tiveram de mandar seus encontros em outras cidades. O Vasco pôde jogar normalmente em São Januário, com exceção do clássico contra o Rubro-Negro, que ficou no pacote de partidas remarcadas pela indisponibilidade do Maracanã.

Com esses exemplos em mente, seria uma exceção se o Rio de Janeiro pudesse receber partidas do Campeonato Brasileiro durante o período Olímpico. O mais provável é que Flamengo, Fluminense, Botafogo, e mesmo o Vasco precisem mandar suas partidas em outra cidade, como Macaé ou Volta Redonda, que já receberam jogos dos grandes quando o Maracanã estava interditado para reformas. Cruzeiro, Corinthians e Bahia talvez não precisem mudar de cidade porque podem jogar em outros estádios nas suas cidades, como Independência, Pacaembu e Pituaçu, desde que “não atrapalhem” o andamento das Olimpíadas. É impossível que todos eles atuem fora de casa durante pelo menos cinco rodadas.

As autoridades no comando da Olimpíada e do nosso futebol já soltaram calendários, venderam ingressos e patrocínios, mas ainda não finalizaram essa questão.

Faltam 343 dias para a Cerimônia de Abertura.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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