José Maria Marin: Relembre a trajetória do ex-dirigente da CBF que morreu aos 93 anos
Advogado comandou a principal entidade do esporte no País entre 2012 e 2015; passagem ficou marcada por polêmicas
Morreu na madrugada desde domingo (20) o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, aos 93 anos. A causa da morte não foi informada. Bastante polêmico no futebol brasileiro, o dirigente esteve a frente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) entre março de 2012 e abril de 2015.
Em nota, a CBF relembrou a trajetória do ex-dirigente e lamentou a morte.
— A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lamenta o falecimento de José Maria Marín, ocorrido na madrugada deste domingo (20), em São Paulo, aos 93 anos. Ele estava internado no hospital Sírio-Libanês e será velado nesta tarde, na capital paulista[…] Antes de assumir a presidência da entidade, o paulistano construiu carreira na política paulista, tendo sido vereador e deputado estadual nas décadas de 1960 e 70. Foi vice-governador de São Paulo de 1979 a 1982 e governador entre 1982 e 1983. De 1982 a 1988, foi o mandatário da Federação Paulista de Futebol e chefiou a delegação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México — escreveu a entidade.
Já a Federação Paulista de Futebol, no qual Marin foi presidente entre 1982 e 1988, lamentou o falecimento do dirigente e também deu informações sobre o velório.
— A FPF lamenta profundamente o falecimento do sr. José Maria Marin, aos 93 anos, ocorrido na madrugada deste domingo (20), em São Paulo. O velório acontecerá na tarde deste domingo na cidade de São Paulo — diz trecho da nota.

Relembre a trajetória de José Maria Marin
Nascido em 6 de maio de 1932, Marin se formou em direito e passou a atuar como advogado, antes de assumir o cargo de vereador da capital paulista entre 1964 e 1970. Depois, se tornou deputado estadual entre 1971 e 1979, e foi vice-governador de Paulo Maluf entre 1979 e 1982.
Posteriormente, assumiu o governo do Estado de São Paulo entre 1982 e 1983. No período, ele também passou a se envolver com futebol, assumindo a presidência da Federação Paulista e permanecendo no cargo de 1982 a 1988. Durante a Copa do Mundo de 1986, Marin foi chefe da delegação brasileira no México.
Anos depois, o dirigente assumiu a CBF após renúncia de Ricardo Teixeira em 2012 e permaneceu no cargo até 2015, sendo sucedido por Marco Polo del Nero.
A passagem de Marin no comando da Confederação Brasileira de Futebol ficou marcada por um escândalo. O dirigente chegou a ser preso na Suíça em 2015, em operação do FBI após investigação de corrupção na Fifa. Depois, ele foi levado aos EUA, julgado e condenado à prisão, permanecendo em regime domiciliar.
O ex-dirigente foi acusado de ter recebido US$ 6,5 milhões de propina para assinar contratos de direitos comerciais da Libertadores, Copa do Brasil e Copa América.
Em 2020, devido a pandemia de Covid-19, o dirigente pode retornar ao Brasil e foi libertado devido às condições de saúde.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Episódio da medalha
Em janeiro de 2012, meses antes de assumir o comando da CBF, o dirigente foi flagrado colocando no bolso uma das medalhas destinadas aos jogadores que disputaram a final da Copa São Paulo de Futebol Junior. Na ocasião, o Corinthians havia sido campeão e recebia a premiação.
Na época, a FPF informou que a medalha já estava reservada ao dirigente, no entanto, um dos goleiros do Timão, Matheus, ficou sem receber o prêmio ao fim da festa. Posteriormente, a Federação enviou uma medalha ao arqueiro campeão.
— É muito bom vocês (jornalista) tocarem nesse assunto. É bom isso ter vindo à tona para que possa ser esclarecido de uma vez por todas. A medalha foi uma cortesia da Federação Paulista de Futebol (FPF). Não era para ter essa repercussão toda. Isso tudo foi uma verdadeira piada. Enrolei e guardei. Se eu ponho no pescoço, iriam falar: ‘Esse cara não disputou [a final] e não é dirigente do Corinthians nem do Fluminense — disse Marin na época.



