Caso de Aparecidense x Tupi é reflexo do que vemos no Brasil
A Série D é um campeonato muito complicado e um detalhe pode levar toda a campanha de um time para o buraco. O que a tarde de sábado mostrou foi algo muito pior. Um jogo e, consequentemente, a classificação de um time foi definida por uma participação irregular de um massagista. Foi em Juiz de Fora, onde o Tupi recebeu a Aparecidense no estádio municipal precisando vencer para se classificar às quartas de final. O jogo estava 2 a 2 e o relógio marcava 44 minutos do segundo tempo. Em um lance dentro da área, o massagista da Aparecidense ficou na linha do gol e impediu que a bola entrasse duas vezes. E o jogo acabou 2 a 2, com o Tupi eliminado.
Como era de se esperar, o lance causou uma confusão tremenda em campo. OS jogadores do Tupi perseguiram o massagista, que fugiu para o vestiário e foi protegido pelos policiais. O árbitro, sem ter o que fazer, deu bola ao chão. A regra prevê que se um elemento estranho entra em campo, o árbitro tem que dar bola ao chão. O gol não pode ser validado, mesmo ele tendo entrado para impedi-lo.
O presidente do Tupi, Áureo Fortuna, disse que entrará na Justiça Desportiva até a tarde desta segunda-feira para pedir a eliminação da Aparecidense. A alegação é que o clube não pode se beneficiar de uma atitude como essa tomada por um funcionário seu. É verdade que a regra do jogo, em campo, não permite que o árbitro valide aquele que seria o gol do Tupi. Se o árbitro não tinha o que fazer, o STJD tem. Deveria. O ato é uma clara tentativa de levar vantagem.
Os jogadores e comissão técnica da Aparecidense não têm culpa da atitude do massagista, talvez nem os dirigentes do clube tenham, mas o Tupi tem menos culpa ainda. Seria uma afronta um clube conseguir uma vaga desse modo. Se em um campeonato de várzea acontece isso, o jogo não termina (além de, possivelmente, rolar uma briga generalizada).
Esse é um caso claro que a regra do jogo não prevê punição ao time infrator, mas que certamente é passível de punição. Como ninguém teme ser punido, esse tipo de lance acontece com uma frequência maior do que deveria. Em geral, em divisões inferiores ou em campeonatos estaduais menos falados. Sem medo de punição, esse tipo de coisa acontece. Algo constante no Brasil. Basta ver os brigões dos estádios, que fazem o que fazem e continuam frequentando os jogos e não pagam criminalmente pelas agressões e violência que praticam. A falta de punição é um grande inimigo de uma sociedade. E em termos esportivos, o princípio segue.
É uma pena para o time e especialmente para os torcedores, que nada têm a ver com isso, mas a Aparecidense deveria ser eliminada da Série D. Sim, sumariamente. Porque esse foi um ato grave, que impediu um gol que seria decisivo. A eliminação do time será uma mensagem clara: quem fizer isso será duramente punido. É inaceitável que esse tipo de coisa aconteça em um campeonato profissional de futebol. Mais do que isso, a Aparecidense deveria ser punida com a suspensão de três temporadas sem jogar nenhuma competição nacional e o massagista, engraçadinho, ser banido do esporte. Uma punição dura, mas que fará com que ninguém mais sequer cogite em fazer isso.
Veja o lance:



