Brasil

Carta aberta: “Tirone, entre no barco do Kleina e não faça marola”

Caro sr. Arnaldo Tirone

 

Nós conversamos apenas uma vez, quando o senhor foi muito solícito em relação a uma entrevista para a Revista ESPN (WWW.facebook.com/revistaespn) nos atendendo por uma hora. Saí de lá com a certeza que o senhor é um palmeirense de quatro costados, como se dizia antigamente. Palmeirense, não. Parmerista, como dizia meu tio Etore. Ou, mais ainda, um palestrino. Um torcedor das antigas, influenciado pelo pai e cobrado pelo filho.

 

Depois, em belo artigo do André Kfouri, no L! vi que o senhor é do tipo que chama o Dorival Jr de “sobrinho do Dudu”. E, que apesar de ter orgulho de presidir um grande clube, o clube que ama, o senhor está por fora das mudanças do futebol atual. Não sabia que o filho do Mazinho joga no Barcelona. Pensou que fosse do Palmeiras. Na hora das contratações, parece que o senhor também não conhece muitos jogadores.

 

Mas, na minha opinião, acertou ao romper o vínculo com Scolari. Lembra aquele filme Thelma e Louise, quando as duas amigas dão a mão e, em nome da amizade, aceleram o carro rumo ao despenhadeiro? Então, a união com o Felipão (rimou) parecia aquilo, um pacto rumo à morte. O senhor terminou com isso, trouxe (demorou um pouquinho, né?) um jovem com vontade de viver como é o Gílson Kleina e agora está louco para ajudar nessa arrancada rumo à dignidade.

 

E como ajudar, senhor Tirone? É hora de submergir. Precisa pensar muito no que vai falar. Inteligente como o senhor é, pode dar entrevistas de hora e meia sem criar marola, não precisa fazer como fez outro dia.

 

Se o João Vitor estava com medo de pressão, o senhor não tinha que falar isso para ninguém. Era hora de anotar em seu caderninho e, no final do ano, com o fim do pesadelo – ou mesmo com a concretização da catástrofe – arrumar um clube para ele jogar. Um belo bilhete azul, até com carta de recomendação.

 

Aliás, ele já devia ter saído. Não digo quando brigou com alguns torcedores, porque aí o senhor estaria dando razão aos delinqüentes. Mas, há pouco tempo, quando ele disse a seguinte frase: “está certo, eu estava com hálito de pinga, mas não foi bem o que disseram”. Não dava para agüentar, mas o senhor agüentou. Agora, agüenta.

 

E vem o empresário dizendo que ele não estava com medo de jogar e sim no departamento médico. Sei lá quem está certo, mas agora é hora de deixar para lá. Dê sua passada aí no Palmeiras, coma lá o fantástico Beirute do Frevinho, mas não fale mais. Ou, não fale muito. Ou, não fale o que não pode ser falado.

 

O Kleina trouxe de volta o Tinga, o Tadeu e mais dois. Ele quer o grupo unido, sem confusão. Quer todo mundo remando para o mesmo lado. Entre no barco, presidente Tirone e reme. Sem gritar.

 

Se o senhor escapar do rebaixamento, ficará apenas a glória de haver vencido a Copa do Brasil. E de voltar aos palcos internacionais. Aí, o senhor se transforma ainda mais em candidato forte para a reeleição que lhe permitiria inaugurar a Arena e comandar o clube em seu centenário.

 

Poderia ser até por eleição direta. Aí, sim, o senhor vai poder falar muito. Talvez atrapalhe na campanha, mas não vai atrapalhar o time.

 

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