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Carta aberta ao Fenômeno: “Está na hora de renunciar e deixar de passar vergonha”

Caro Ronaldo,

Está na hora de sair, não está? Você não foi convidado para o encontro que a presidente Dilma Rousseff terá com Joseph Blatter, presidente da Fifa. A reunião contará ainda com Aldo Rebelo, ministro dos Esportes e Pelé. Para você, presidente o Comitê Organizador Local, um telefonema sequer.

O recado é claro, Fenômeno. Você não conta. Há um caminho novo, pavimentado entre Dilma e Blatter, entre governo brasileiro e a Fifa, para a organização da Copa. Não se sabe se Jèrôme Walcke fará parte, mas o que se sabe é que você, Bebeto e Marin são figuras menores a partir de agora.

Para que continuar, Ronaldo? Todo mundo já sabe que você não será o que Beckenbauer foi para a Copa a Alemanha, o que Platini foi para a Copa da França. Tudo mudou rapidamente, Ronaldo. O sargento Garcia prendeu o Zorro e Ricardo Teixeira caiu. Ao contrário de Lula, Dilma nunca o engoliu. Por isso, fez questão de posar ao lado de Pelé, a quem Teixeira odiava.

Ronaldo, você é um cara inteligente. Soube a hora exata de parar. É um empresário de sucesso. E sabe também que foi usado por Ricardo Teixeira – de quem você foi inimigo um dia – para ser um escudo às críticas que ele recebia. Você, o artilheiro das Copas, você, o craque que renasceu depois de tantas contusões, você, o cara bem humorado e de quem todos gostam. Você, a antítese de Ricardo.

Pois, então. Ele fugiu para Miami. Você não é recebido. Como acredito no que você falou algumas vezes – que não receberia nada por seu cargo, que não teria nenhuma vantagem para a sua empresa – me pergunto, o que você ainda está fazendo aí?

Cai fora, Ronaldo. Você não será mais ouvido. Para que passar vergonha, para que ser uma peça decorativa? Seu lugar no coração do povo está sendo ocupado pelo Romário, crítico acerbo do Ricardão. Não há mais nada a fazer, Ronaldo. Sai daí. Sai por cima. E leva o Bebeto.

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