Brasil

‘Estava assustado’: Carballo, do Grêmio, conta como evacuou de casa em Eldorado do Sul

No Uruguai, volante Felipe Carballo relatou como saiu de sua casa, que foi afetada pelas enchentes no Rio Grande do Sul

Felipe Carballo, do Grêmio, foi uma das mais de 400 mil pessoas que precisaram evacuar de suas casas por conta das enchentes no Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio Sport 890, de Montevidéu, na manhã desta sexta-feira (10), o volante deu seu depoimento sobre a tragédia climática, e como ela o impactou.

— O que está se passando é catastrófico. Eu, por sorte, pude vir ao Uruguai. O bairro em que eu moro [em Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre] está inundado. Estávamos incomunicáveis, sem eletricidade, sem internet — relatou Carballo.

Carballo passou duas noites na casa de Pavón

O jogador contou como foi o processo de acompanhar a água subindo, e evacuar de sua casa. Além dele, vários atletas do Grêmio moram em Eldorado do Sul, que teve mais de 30 mil habitantes afetados e foi uma das cidades mais danificadas pelas fortes chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul.

Tragédia Eldorado do Sul
Eldorado do Sul foi uma das cidades mais afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini

— Eu estava sozinho. Por sorte, no bairro em que moro, há vários companheiros. Em um primeiro momento, vendo de longe a situação, parecia que tinha um pouquinho de água. Mas cresceu muito rápido. Como estava incomunicável, tomei a decisão de sair e caminhar. Fui até a casa do meu companheiro Pavón. Com a comida que tínhamos e a água potável, que não era muito, passamos duas noites.

Bote resgatou Carballo e famílias de outros jogadores do Grêmio

Depois desses dois dias, o volante retornou para ver como estava sua casa, e tentar retirar o que fosse possível. Esse foi o último ato do uruguaio antes de deixar, definitivamente, Eldorado do Sul.

— Fui até minha casa em uma espécie de tábua, peguei algumas roupas. E quando estava voltando, apareceu um bote. Me disseram que seria o último a sair do bairro, que eu tinha que subir. Subí, e fomos com as famílias dos outros companheiros a Porto Alegre, que tinha algumas zonas que não estavam inundadas. Um companheiro nos hospedou por uma noite.

Assustado, e por recomendação, Carballo decidiu deixar o Rio Grande do Sul

Mas a situação na capital gaúcha também ficou caótica com a alta história do Guaíba, cuja água inundou o centro e bairros como Menino Deus e Cidade Baixa. A zona norte de Porto Alegre foi outra região muito afetada, incluindo o Aeroporto Salgado Filho, que ficou completamente alagado.

— Anunciaram que estava faltando água potável e comida na cidade, e que quem pudesse sair, que saísse. Ajudei o máximo que pude, mas também estava assustado por estar sozinho, e tomei a decisão de vir [para o Uruguai] — explicou Carballo.

Do Uruguai, o volante acompanha os desdobramentos das enchentes, que suspenderam os treinamentos do Grêmio por tempo indeterminado, e adiaram os jogos das equipes gaúchas pelo menos até o dia 27 de maio. Carballo pediu para os conterrâneos ajudarem os moradores do Rio Grande do Sul.

— Há gente que trabalha no clube que perdeu tudo. Ainda não vimos o fim de tudo isso, porque se anuncia mais chuva. Pedir às pessoas do Uruguai que possam ajudar, porque houve muito dano — solicitou.

Tragédia climática no Rio Grande do Sul já deixou mais de 100 mortos

Os temporais que iniciaram no último dia 29 de abril no Rio Grande do Sul já deixaram 116 mortos, 143 desaparecidos e 756 feridos, conforme o último levantamento da Defesa Civil, divulgado no início da tarde desta sexta-feira (10). Há 408,1 mil pessoas fora de casa. Desse total, são 70.772 em abrigos e 337.346 mil desalojados (pessoas que estão nas casas de familiares ou amigos). 437 dos 497 municípios do estado registram algum tipo de transtorno.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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