Brasil

Caminhar com as próprias pernas

Os palmeirenses mais atentos já estão de orelhas em pé. Afinal, se o clube ficou tanto tempo colhendo decepções e sofrendo a falta de títulos após a saída da Parmalat, isso se deve ao pouco aproveitamento dos aproximados sete anos de investimentos realizados pela empresa italiana. O título de campeão paulista, conquistado com méritos, traz a mesma preocupação à tona. Afinal, por trás da forte equipe montada para 2008, está a Traffic.

Ao que parece, pelo menos no discurso, a direção palmeirense também tem essa preocupação. Gilberto Cipullo, diretor mais midiático da ala liderada por Seraphim del Grande, insiste em ponderar sobre o assunto em entrevistas. Há quem garanta, nos bastidores, que o Palmeiras prevê ter a Traffic, pelo menos, até o meio do próximo ano. Até lá, pretende construir uma estrutura suficiente para caminhar com as próprias pernas.

Hoje, os investimentos da empresa são vitais para a montagem do time de Vanderlei Luxemburgo, que tem contrato de dois anos e também foi atraído e bancado pelo dinheiro da Traffic. As quantias investidas em contratações são bem acima do padrão brasileiro de transferências e trouxe, para Luxa, nomes valorizados como Diego Souza, Henrique, Lenny e Kléber. Para o Brasileiro, o badalado Keirrison é certo e deve trazer, consigo, Jumar, volante do Paraná Clube. Outros três jogadores do interior paulista também chegarão ao Palestra Itália.

Além disso, e é outro ponto relevante da parceria, o Palmeiras tem resistido ao assédio de clubes estrangeiros. Desde assumiu a gestão palmeirense, no início de 2007, o grupo do presidente Afonso Della Monica só fez duas negociações relevantes: Michael, lateral e meia do Dínamo de Kiev, e Caio, meia do Eintracht Frankfurt. Valorizados, atletas como Valdívia, Pierre, Gustavo e Diego Cavalieri, permanecem no Parque Antártica. Isso, claro, se deve ao respaldo de um parceiro, além da Bolsa de Atletas, criada após o Paulistão-07.

Na prática, a parceria Palmeiras-Traffic é semelhante ao trabalho que faz o Gestifute em Portugal, principalmente. Com dinheiro para investir, contrata-se jogadores e os clubes grandes são utilizados como vitrine. Para quem não pode caminhar sozinho, nada melhor que receber, por exemplo, um Ricardo Quaresma, jogador da empresa e que defende o FC Porto. Especialistas, porém, enxergam diferenças no modelo palmeirense. A Traffic tem controle total sobre o vínculo dos jogadores, ou seja, pode vender quem quiser na hora que quiser.

Por essas e outras, o Palmeiras deve trabalhar com intensidade para criar seu próprio sustento. São conhecidos os investimentos na estrutura do clube e do centro de treinamento, exemplo de algo que ficou parado no tempo na época de Parmalat. Outra preocupação nesse sentido é construir categorias de base mais fortes. O desempenho palmeirense nas competições infantil, juvenil e júnior, ainda, é bastante fraco, assim como a quantidade de jogadores revelados. 

Para um clube como o Palmeiras, que vinha razoavelmente em baixa, é sim positivo aproveitar uma empresa que tem dinheiro limpo e pretende investir em jogadores. Aprender a andar sozinho, porém, é essencial e os dirigentes alviverdes sabem disso. Resta saber se, na prática, as ações serão como o discurso. Assim, o futuro palmeirense terá mais títulos como esse de domingo, tão importante para aliviar a pressão de nove anos sem conquistas. 

A vida dos pequenos

No dia 6 de maio de 2007, o São Caetano por pouco não ganha o título de campeão paulista. O Azulão levava a melhor sobre o Santos até os 36 minutos da segunda etapa, quando o superestimado Moraes fez o gol da taça. Agora, em 24 de novembro, jogava com o Brasiliense uma melancólica despedida na Série B, em que esteve sempre mais perto do rebaixamento que do acesso, terminando na 10ª posição.

A exposição em nível estadual fez com que o São Caetano perdesse vários titulares – Paulo Sérgio, Thiago Martinelli, Triguinho, Luís Alberto, Luiz Henrique e Somália -, além do próprio treinador, Dorival Júnior. Para pequenos que se deram bem nesse início de ano, como Ponte Preta, Juventude, Itumbiara, por exemplo, a situação da equipe do ABC, em 2007, serve como alerta.

Nesse sentido, a Ponte tem trabalhado na renovação dos contratos dos principais jogadores do elenco, como Renato, Jean e Eduardo Arroz. Mais importante que isso, determinar o campeonato nacional como a prioridade máxima é o fundamental para ter uma temporada toda regular e bem sucedida.

Para ilustrar isso, há outro exemplo que vem do ABC. Entre os destaques daquele time do São Caetano estava Douglas, meia que interessou a boa parte de clubes da Série A após os primeiros meses de 2007, mas por quem o Azulão fez jogo duro. Desanimado, embora seja um jogador de qualidade, Douglas freqüentou o banco durante a Série B e se tornou um problema no Anacleto Campanella.

Por tudo isso, seria importante determinar que o estadual, mesmo para os pequenos, serve apenas como uma projeção da temporada, em que o objetivo maior é o acesso de divisão. Se é que, de fato, esse é o pensamento desses times. 

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No blog deste colunista, tudo sobre as finais e os títulos estaduais de Palmeiras e Flamengo:
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