Brasil

Calendário problema

Chegamos a mais um fim de temporada no Brasil e os problemas que a falta de um calendário unificado entre os países e competições da América do Sul continuam grandes. Temos Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana sendo jogadas durante só um semestre ao invés de uma disputa durante toda a temporada.

Uma das competições mais interessantes do calendário nacional, a Copa do Brasil, é enfraquecida desde 2001 por não permitir a participação de times que jogam a Libertadores. Isso porque as datas, por vezes, coincidem.

Com isso, temos dois problemas: a Copa do Brasil fica enfraquecida, sem pelo menos cinco times brasileiros que vão para a Libertadores (em 2011 serão seis, já que ainda tem o Internacional, campeão da Libertadores). Outro problema é que os times que jogam a Libertadores têm uma chance a menos de voltar à competição no ano seguinte. Tudo por causa de uma questão de calendário.

Vencer o Mundial de Clubes é um objetivo importante de qualquer clube, especialmente os sul-americanos. O Internacional é um dos melhores times do Brasil e abdicou de boa parte do semestre – e provavelmente da disputa do título do Campeonato Brasileiro – para poder se preparar para o torneio.

O Santos teve esperança de título durante algum tempo no Campeonato Brasileiro, mas em determinado momento, desmotivou-se e foi perdendo força. Se não tivesse uma vaga na Libertadores garantida, teria que suar para ficar, no mínimo, entre os quatro primeiros para brigar exatamente por essa vaga. Mas o time já tinha vencido a Copa do Brasil e, assim, perdeu parte da motivação.

O mesmo aconteceu com o Corinthians em 2009. Depois de vencer a Copa do Brasil, o time praticamente abdicou do segundo semestre, no Campeonato Brasileiro, já que o objetivo de ir para a Libertadores no ano do centenário estava garantido.

Nesse caso, o prejudicado é o Campeonato Brasileiro, que, no caso deste ano, perde dois candidatos ao título que simplesmente não tem a mesma gana de vencer a competição por terem sua garantia para o ano seguinte. Tudo por conta do famoso e desorganizado calendário brasileiro e sul-americano.

Unificação do calendário: sul-americana ou mundial?

Para resolver esses problemas, precisamos que as competições tenham a duração de uma temporada inteira. Com isso, os times terão mais interesse em disputá-las, porque o título e garantia de vaga só chega ao final de todas elas. Os campeonatos tornam-se mais interessantes e mais disputados.

Traduzindo em miúdos, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores e Sul-Americana deveriam ser disputados ao longo de toda a temporada, o que cria mais datas e permite que os times joguem duas destas competições. Os times que participam da Libertadores continuam sem poder participar da Sul-Americana, mas poderiam jogar a Copa do Brasil.

A mudança implica em uma decisão sobre o calendário. As competições poderiam começar no início do ano, em fevereiro, e irem até o final do ano, em novembro. O tempo seria suficiente para dar a possibilidade de todos os principais times brasileiros jogarem a Copa do Brasil e mais uma competição continental.

Claro, seria necessário um esforço junto à Conmebol para que essa mudança acontecesse e tornasse o segundo semestre do ano até mais interessante, porque teríamos o seu pico com as decisões de quatro competições importantes: o Brasileiro, a Libertadores, a Sul-Americana e a Copa do Brasil, como acontece em todos os grandes centros da Europa.

Outra solução seria adotar o calendário mundial do futebol, que vai de agosto a maio. As competições teriam que estar dentro desse calendário, com a Libertadores, Sul-Americana, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro dentro desse formato.

Na América do Sul, a maior parte dos países usa o sistema Apertura (competição do segundo semestre) e Clausura (no primeiro semestre), e sequer precisaria ser mudado para se adaptar a esse calendário.

As disputas seriam mais interessantes em todas as frentes, teríamos mais possibilidades para os times voltarem à Libertadores – já que atualmente os times que disputam a competição têm menos oportunidades de voltar a ela no ano seguinte do que os que não jogam.

Ou seja: quem vai para a Libertadores não joga a Copa do Brasil nem a Sul-Americana, duas chances de voltar à principal competição do continente. São apenas duas chances: vencer a Libertadores ou classificar-se pelo Campeonato Brasileiro, o caminho mais difícil entre todas as opções.

Como está, o calendário não premia o mérito. Ao contrário, traz um prejuízo desse ponto de vista. No mínimo, as chances deveriam ser iguais entre todos os times em todas as temporadas. A unificação do calendário é uma forma de resolver esse problema. O difícil é que como esperar mudanças da Conmebol, que sequer consegue fazer um sorteio decente da Libertadores, e da CBF, que está mais preocupada com a Copa do Mundo de 2014 do que com o futebol local?

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Equipe Trivela

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