Brasil

Cadeira elétrica

Já completou uma semana que Cuca caiu no Flamengo. Andrade assumiu, comandou o Rubro-Negro a uma vitória rara, homenageou o amigo, chorou. Mas ninguém na Gávea parece realmente considerar a possibilidade de efetivá-lo. O problema é que o clube vive um péssimo momento para quem pretende contratar alguém.

A questão não é o elenco. O time tem condição técnica de brigar no topo da tabela do Brasileirão. Mesmo que perca alguns jogadores para a Europa (como já ocorreu com Ibson), a sensação é que o Fla – problemas financeiros à parte – não está entre os alvos preferenciais do mercado internacional. Isso tornaria o cargo de técnico rubro-negro bastante atraente, pois um técnico com um mínimo de competência conseguiria colocar o clube mais popular do país na zona de classificação para a Libertadores.

O problema é o ambiente de trabalho. Só não dá para dizer que o Flamengo é uma nau à deriva porque a metáfora é vascaína demais. Mas é mais ou menos assim que andam as coisas na Gávea desde que Márcio Braga se afastou da presidência por problemas de saúde. Delair Dumbrosck assumiu sem poder, depois decidiu exercer esse poder, mas Kleber Leite estava lá também, e tem eleição pela frente. Ou seja, ninguém sabe quem manda de verdade e quem mandará em breve.

Além disso, o próprio clube parece pouco disposto a cair em armadilhas por desespero. A diretoria estipulou em R$ 80 mil o teto salarial do futuro técnico, seja ele quem for. Com esse dinheiro, dificilmente conseguirá convencer um treinador de ponta. Ainda que seja um valor mais que suficiente para fazer a feira da semana, é bastante abaixo do padrão adotado pelos outros grandes brasileiros. De qualquer modo, não dá para condenar os rubro-negros por, finalmente, buscarem políticas financeiras realistas.

Diante dessas circunstâncias, o cargo de treinador do Flamengo é pouco recomendado. O clima é de grande instabilidade e, por mais que o técnico se esforce, há uma grande chance de seu trabalho ser sabotado pela cobrança de imprensa e torcida e pelas disputas políticas. Para piorar, uma eventual troca de diretoria pode levar a uma demissão repentina. E nem há perspectiva de se pagar por tamanho risco.

Assim, o Flamengo pode ser obrigado a mudar um pouco sua estratégia. Ou aceitar que Andrade ficará no comando do time por mais algumas rodadas. O que não parece uma grande ideia. Como jogador, o então volante era craque, com “c” maiúsculo. O colunista era criança nos anos 80 e não entendia o porquê de aquele camisa 6 do Flamengo não estar na Seleção. Ele exalava serenidade (e classe) em campo.

O problema é que sua categoria como jogador não tem nada a ver com seu trabalho de treinador. Ele simplesmente não parece ter o perfil adequado para comandar um clube cheio de jogadores conhecidos. Justamente por ter se mantido sereno e calmo, tem características mais compatíveis com trabalho em categorias de base, quando orientar é mais importante do que impor.

No final das contas, o Flamengo se vê diante de uma situação parecida com a do Palmeiras na “era Jorginho”. Quer um técnico mais experiente, mas o mercado não ajuda. Os torcedores rubro-negros só esperam que, nesse meio-tempo, o clube da Gávea tenha tanto sucesso quanto teve o do Parque Antarctica.

Cantar de galo. Ou não

É estranho ver que Diego Tardelli entrou na categoria de “jogador selecionável”. O atacante sempre mostrou ter talento, mas não é craque, não é estável e tem um histórico de comportamento extracampo complicado. O colunista não o convocaria para a Seleção, mas até dá para entender a escolha de Dunga. É um reconhecimento à evolução do jogador. E, indiretamente, mostra aos atleticanos como o ataque do time merece crédito.

Curioso falar na eficiência do ataque do Galo logo depois de o time perder em casa para o Goiás. Mas a partida contra os goianos serviu para mostrar como o Atlético se construiu em cima de um jogo que privilegia o ataque, mas que dá sinais de vulnerabilidade.

Com Éder Luis e Diego Tardelli no ataque, Júnior e Evandro na armação (e até Seginho como volante), a equipe é leve e se adapta melhor ao contra-ataque. Quando consegue desenvolver jogadas em velocidade, o Galo se sente mais à vontade e impõe seu estilo.

O problema é quando o adversário não dá esse espaço. Quando atuou em casa com a obrigação de vencer, o Atlético se complicou. Contra o Goiás, o Galo teve de fazer um jogo mais pesado, de volume e pressão para furar a defesa adversária. Como já ocorrera com Santo André e Botafogo. O time mineiro não conseguiu vencer nenhuma dessas partidas, as três no Mineirão. Pior, não mereceu ter vencido, porque simplesmente não atacou.

Contra Fluminense e São Paulo o cenário seria parecido. Mas os dois tricolores tiveram defesas absurdamente vulneráveis, dando ao Atlético a possibilidade de construir a vitória (ainda que, contra os cariocas, Aranha tenha sido muito exigido).

Por isso, a contratação de Pedro Oldoni e Rentería pode ser interessante. Ainda que os dois não devam disputar a posição de titular, a presença deles dá mais opções a Celso Roth. Em um jogo mais truncado, contar com atacantes mais pesados pode ser a diferença entre um 1 a 0 arrancado a fórceps de um 0 a 0 modorrento. E colecionar esses “resultadinhos” é fundamental para quem luta no topo da classificação.

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Equipe Trivela

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